2 de julho de 2011

Itaqui, o Portal do Rio Grande

Mercado Público: uma obra rica em detalhes e que precisa de restauração. O imponente portal de acesso retrata uma época de esplendor. Foto: Darci Bergmann, 26/06//2011 
Por Darci Bergmann
Theatro Prezewodowski, um dos muitos marcos culturais
    A cidade de Itaqui, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, tem um invejável patrimônio arquitetônico. As construções em vários estilos retratam diversos períodos da sua história. Esse rico acervo torna a cidade uma importante fonte de estudos e tem grande potencial turístico. Essa opinião é compartilhada por moradores da cidade, que almejam a restauração e a preservação desse manancial.
Yuri Oliveira, de boné: "é preciso preservar este acervo arquitetônico"
Construções em vários estilos. As pedras tem a ver com o nome da cidade

Matéria-prima usada para as famosas cercas de pedra, as rochas tipicas da região também foram utilizadas na construção de moradias e pavimentação de vias públicas.Mais bonitas que o corriqueiro asfalto, as ruas revestidas de pedra ainda permitem a infiltração de parte das águas pluviais e aquecem menos nos dias quentes de verão. Essas pedras grandes, irregulares, são mais um atrativo que dá charme à bela cidade.



Reminicências
Minha curiosidade sobre Itaqui é antiga. Antes mesmo de conhecer a cidade,  eu já ouvira falar sobre a sua riqueza arquitetônica. Em 1963, eu ingressei na Escola Agrícola Celeste Gobatto, em Palmeira das Missões. Ali conheci o professor Arilo Marques, itaquiense nato, que enaltecia as belezas e a história da sua terra natal. Arilo falava das ruas pavimentadas de pedra, dos passeios largos, dos prédios em vários estilos e descrevia também a zona rural, com os seus campos repletos de bovinos e ovinos. Falava da natureza rica em espécies animais e pela primeira vez ouvi falar na região de São Donato. Ali, cortada pela BR 472, situa-se a hoje Reserva Biológica de São Donato, criada em 12 de março de 1975, pelo decreto estadual nº23.798. Arilo Marques, já naquela época, mostrava preocupação com o acervo histórico-cultural e até ambiental de Itaqui e região. 
Entre 1966 e 1969 estudei na Escola Técnica de Agricultura, a ETA, em Viamão. Ali conheci outros itaquienses e "fronteiriços" como eram designados os pampeanos. Da ETA fui cursar Agronomia em Santa Maria. Nessa época conheci várias cidades na Fronteira Oeste: Alegrete, Uruguaiana, Rosário do Sul, Santana do Livramento, Bagé na Campanha. Eu, que nascera em Lajeado, no Vale do Taquari, morara no Extremo-Oeste de Santa Catarina, na região dos pinhais de Cunha Porã e no vale junto ao Rio Uruguai, em Mondaí, tive então oportunidade de conhecer a metade sul do Rio Grande do Sul, região integrante do Bioma Pampa. 
Em 1974, formado engenheiro-agrônomo pela UFSM, fixei residência em São Borja. Nesse mesmo ano conheci Itaqui. Gostei da cidade e da sua gente. E dei razão ao meu mestre Arilo Marques. Havia uma rica história, um "theatro" imponente, um mercado público único no seu estilo, prédios antigos e ricos em detalhes, as pedras marca registrada da cidade. E havia o campo com as suas planuras, com algumas coxllhas sobressaindo aqui e ali. E as várzeas entrecortadas por rios sinuosos e protegidos pelas matas de galeria.Num dia de sol aberto sobrevoei esta parte do Bioma Pampa. Era um cenário paradisíaco. Do alto pude ver bandos de capivaras e o veado-campeiro ainda em razoável número, às vezes misturado ao gado bovino. As lavouras de arroz já ocupavam parte dessa planície, desde São Borja, até Uruguaiana. Ao longo da BR 472, ainda em construção, percebi uma área em especial, com matas, banhado e o entorno de campos nativos ainda relativamente preservados. Ali era o São Donato, a meio caminho entre São Borja e Itaqui. O cenário era tal como descrevera Arilo Marques. Era tanta riqueza, que era preciso ter cuidado em preservar pelo menos parte dela. Isto incluía o acervo histórico da cidade em si e de parcela representativa da paisagem do Bioma Pampa. E o banhado do São Donato reunia as condições para ser uma dessas reservas, antes que o chamado e muitas vezes transitório "progresso" provocasse estragos profundos nessa paisagem.
A campanha pela preservação da Reserva Biológica de São Donato
Criada a reserva, ela ficou no papel por muitos anos. As lavouras avançaram no seu entorno e uma draga do DNOCS - Departamento Nacional de Obras Contra as Secas fez drenagem parcial da área. Nesse tempo, desde a sua criação, então como filiado à AGAPAN, juntamente com pessoas da região, lutei pela implantação definitiva da Reserva. Foram feitos manifestos, abaixo-assinados e até o José Antônio Lutzenberger, renomado ambientalista, se envolveu na campanha. Em 03 de outubro de 1997, a juíza Rosmari Girardi, da Comarca de Itaqui, acolhendo pleito da Associação São Borjense de Proteção ao Ambiente Natural - ASPAN, exarou sentença condenando o Estado do Rio Grande do Sul a implantar em definitivo a REBIO São Donato. 
O itaquiense Arilo Marques tinha razão: algo deveria ser feito para preservar uma parte da paisagem, da flora e fauna da região de Itaqui.
     Nunca imaginei que um dia eu seria um dos protagonistas dessa história, na questão ambiental. 
     








 
                                                                             

                                                                       


       

2 comentários:

william souto (BYLLE) disse...

OLÁ MUITO LEGAL O SEU BLOG ELE TRATA DE UM ASSUNTO SÉRIO O 'MEIO AMBIENTE" VISITE MEU BLOG: http://williamsouto.blogspot.com/ OBRIGADO!!

Jarbas Felicio Cardoso disse...

Muito boa a matéria sobre Itaqui. É um registro histórico sobre esta cidade, suas paisagens urbanas e sua cultura arquitetônica.