1 de outubro de 2015

Resumos do III Congresso Internacional de Educação Ambiental

A Educação Ambiental é sempre um tema de grande interesse. O assunto foi discutido no III Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países e Comunidades de Língua Portuguesa, de 8 a 12 de julho de 2015, em Torreira, Murtosa, Portugal.
Com o título A importância de uma organização de proteção ambiental na região Sul  do Brasil, foi apresentada a experiência da ASPAN - Associação São Borjense de Proteção ao Ambiente Natural. O resumo do trabalho foi publicado no Livro de Resumos, na página 177, que pode ser acessado no link a seguir: 


17 de abril de 2015

Animais silvestres em ambientes urbanos


Por Darci Bergmann

São cada vez mais frequentes os casos de animais silvestres que chegam aos ambientes urbanos. A redução dos habitats e a consequente falta de alimento são algumas das causas. Em São Borja, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, primatas da espécie Alouatta caraya, nome popular bugio-preto, são vistos com frequência na cidade. É a única espécie silvestre de primata na região. Alguns grupos chegam a procriar no ambiente urbano, até na praça mais central da cidade, onde os indivíduos livres no ambiente constituem ponto de atração das pessoas. Esses animais são alimentados, alguns por anos a fio, por algumas pessoas com mais frequência e por curiosos esporadicamente. Uma fêmea tem chamado atenção pela agressividade demonstrada contra a pessoa que, por vários anos, tem-lhe fornecido alimento, principalmente bananas. O inusitado ocorreu quando o tratador principal, que tinha uma banca de revista na Praça em frente à Prefeitura Municipal, cessou a sua atividade profissional e afastou-se do convívio com os animais. Em duas oportunidades, ao visitar os animais sem levar alimento, o amigo dos bichos foi agredido por uma das bugias. Na segunda agressão, as lesões no tratador foram graves. Tal comportamento talvez se explique pelo seguinte: a bugia ficou irritada com a falta de comida diária e fácil que lhe fora alcançada, por longo tempo, pelo dono da banca de revista. O fato gerou ampla repercussão nas redes sociais e na mídia. No meu entender, os macacos não deveriam ser alimentados pelas pessoas que costumeiramente frequentam a praça e outros locais da cidade, onde os bugios se estabeleceram. Os bugios tem ampla capacidade de buscarem alimentos na natureza, bastando que nós humanos lhes asseguremos áreas arborizadas, com a maior diversidade possível, de espécies nativas, incluindo as frutíferas. Na sua dieta natural, os bugios incluem brotos, flores, folhas e frutas de árvores, podendo incluir o consumo de ovos de aves que nidificam no seu habitat. 
Os bugios são animais dóceis e que tem grande importância ecológica. Eles são dispersores de várias espécies de árvores nativas. Também fazem parte do folclore gauchesco, onde tem inspirado músicos e poetas. Segundo o site Wikipédia, 'bugio é um estilo musical brasileiro, de compasso binário, originário do Estado do Rio Grande do Sul'.
Por tudo isso, devemos preservar e respeitar esses animais.     
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Mais sobre o tema: Reportagem do Jornal do Almoço, da RBS TV

16/04/2015 16h32 - Atualizado em 16/04/2015 16h33

Morador é agredido duas vezes por macaca em praça de São Borja, RS

Cinco animais vivem em árvores de praça no Centro do município.
Aposentado que oferecia bananas teve de levar 30 pontos na cabeça.



Do G1 RS
Um morador de São Borja, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, passou por uma situação curiosa. Ele foi agredido por uma fêmea de macaco que vive em uma praça no Centro da cidade e teve de levar 30 pontos na cabeça. Segundo o aposentado, essa é a segunda vez que o animal demonstra agressividade (veja o vídeo).
Cinco macacos vivem nas árvores do local, um dos principais pontos de convívio do município. No horário do almoço, eles fazem fila para que os moradores os alimentem. Quando alguém chega com lanche, os animais descem para pegar o presente.

O aposentado Luiz Carlos Santos Michel levou banana para os macacos ao longo de 18 anos. Quando esqueceu, porém, uma das fêmeas teve reação surpreendente.

"Eu estava de costas, não vi que ela estava lá. Quando percebi, ela me arranhou. Eu dava [banana] na boca delas. Não sei, até desconfiei que a primeira vez que ela me atacou foi porque ela estava com um filhote", relembra.
Luiz perdoou e voltou a levar comida. Dois meses depois, aconteceu de novo e, segundo ele, com a mesma macaca.

"Eu tenho a impressão de que é só comigo que ela faz isso. Com os outros, o pessoal está lá e eles [macacos] nunca fizeram nada. Não sei por quê. Eu dava comida para ela", lamenta.

Os animais moram há quase 20 anos na praça no Centro da cidade. Durante as duas décadas, nunca teriam atacado uma pessoa.
"Esses ataques podem estar relacionados à dependência desses animais com relação à fonte de alimentação. No momento que é interrompido o ciclo, o animal se torna agressivo, vai em busca da fonte de alimento e identifica, inclusive, a pessoa que fornecia alimento. Aí, se a pessoa não repassar mais este suprimento alimentar, o bicho se torna agressivo", explica o ambientalista Darci Bergmann.
Mesmo com os dois casos, conforme a prefeitura, os macacos vão continuar na praça.
"A pessoa tem que se dar conta que é um animal. O raciocínio dele, o instinto, é de se defender sempre que acha que é atacado", opina o agricultor Paulo Gilberto de Bairros.

Já Luiz, agredido pela macaca, não pensa em voltar ao local para alimentar os bichos.
"Agora eu não vou. Estou proibido de ir na praça agora", comenta, entre risos.

Para evitar novos casos, a recomendação é não se aproximar dos animais.

"Não há necessidade de tirá-los daqui. O que nós temos que fazer é conversar com as pessoas, não alterar a fonte de alimento deles, deixar que eles vão buscar sua subsistência, não dar suprimento de alimento. Às vezes, o pessoal da pão que tem fermento e não faz parte da dieta do animal, então isso altera o comportamento dele", completa o ambientalista.
Macacos vivem em praça no Centro de São Borja (Foto: Reprodução/RBS TV)Macacos vivem em praça no Centro de São Borja (Foto: Reprodução/RBS TV)

27 de março de 2015

Plante Uma Vida, Plante Uma Árvore: Semeadores alados

Plante Uma Vida, Plante Uma Árvore: Semeadores alados: A gralha-picaça é excelente semeadora de várias espécies vegetais. Foto: Darci Bergmann, São Borja-RS, Brasil Por Darci Bergmann* ...

Semeadores alados

A gralha-picaça é excelente semeadora de várias espécies vegetais.
Foto: Darci Bergmann, São Borja-RS, Brasil

Por Darci Bergmann*

   Várias espécies de aves nos inspiram curiosidades e admiração. Os sabiás, por exemplo, tem o dom de um canto maravilhoso, com variações melódicas que lhe dão fama. Além de bons cantores, esses pássaros agem como semeadores de florestas. Apreciam frutas silvestres do tipo bagas, como aquelas das canelas, camboatás, do exótico cinamomo, entre outras. Promovem a disseminação de árvores e arbustos, proporcionando maior diversidade de plantas, mesmo em monoculturas, como as de eucaliptos.
    No meu sítio, estou promovendo o plantio diversificado de espécies florestais e os pássaros proporcionam ajuda inestimável. Eles trazem sementes de outras espécies, enriquecendo a floresta por mim iniciada. Alguns fatores atraem os pássaros, tais como outras árvores e arbustos para pouso, não serem enxotados pelos humanos, não realização de queimadas, etc. Capoeiras em estágios diversos também atraem, porque nelas já existem abrigo e arbustos que lhes permitem ficar fora do alcance de predadores. Em pouco tempo, os resultados começam a aparecer: aroeiras, taleiras, pitangueiras, carvalinhos, os já citados canelas e camboatás, são algumas das muitas espécies propagadas pelos pássaros. A lógica da natureza nem sempre é compreendida pelos humanos.

    É bom sempre repetir. Por questão de segurança, a maioria das espécies de aves prefere construir seus ninhos em locais onde a vegetação é mais densa, numa altura que varia entre um e quatro metros. Aquilo que para nossa espécie parece não ter valor, para as aves e outros animais pode ser a condição de sobrevivência. Daí a importância das capoeiras. Com o passar do tempo, árvores de maior porte podem ali se desenvolver, especialmente as que precisam de sombra quando jovens. Precisamos mais florestas nativas para proteger os nossos solos da erosão e conservar nossos mananciais de água.Nós humanos deveríamos aprender com os pássaros. Eles retribuem as dádivas da natureza com o plantio de diversas espécies de plantas. Enquanto isso, alguns humanos ainda teimam em destruir capoeiras e florestas, sem conhecer o real valor dessas formações vegetais, tão importantes para a nossa própria sobrevivência. Até quando?
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Nota: O artigo original Semeadores alados,de minha autoria, foi publicado no boletim Voces, edição fevereiro de 1996, Santo Tomé, Argentina. O texto neste blog foi atualizado com pequenas alterações.

18 de março de 2015

Carta para a presidente Dilma Rousseff


Por Darci Bergmann

Presidente Dilma. Na década de 1970, eu lutei contra o regime militar. Você também lutou. Mas as nossas lutas tinham motivações diferentes. A minha era pela normalidade democrática. A sua era para substituir um regime por outro, muito pior, como a ditadura de Fidel Castro, que assassinou milhares de cubanos, muito mais que os mortos atribuídos aos governos militares  que você queria destruir. Sim, lutei contra o regime militar, fui detido nessa época, mas o fiz pelas idéias e não empunhando armas, assaltando bancos ou matando pessoas, como você e seus líderes preconizavam.  Portanto, Dilma, não venha se apresentar como heroína, porque não condiz com a sua história. 
   Você não pode menosprezar as pessoas que foram às ruas pedir mudanças, no dia 15 de março de 2015. Entre elas estavam muitas que também lutaram pelo fim do regime militar. Essas pessoas não querem aqui no Brasil um regime opressor e sanguinário semelhante ao da Venezuela, que você e o grupo Foro de São Paulo defendem. Estavam nas ruas pessoas que não querem mais esse 'toma lá da cá' de cargos públicos, uma das origens da corrupção, com seus trinta e nove ministérios. Essas pessoas não querem o uso da máquina pública com fins eleitoreiros, desviando-se recursos das empresas públicas. Essas pessoas não querem mais ver impunes invasores, baderneiros e destruidores do patrimônio público e privado, que empunham facões e foices, como nos tempos de barbárie. As pessoas não querem mais que você, como suprema autoridade do Brasil, proponha o diálogo com terroristas como os do Estado Islâmico ou das FARC, da Colômbia, que se valem do narcotráfico para subverter regimes democráticos. 
     Enquanto você quer dialogar com terroristas, você trata com brutalidade os trabalhadores, tais como os caminhoneiros, como se bandidos fossem. Enquanto você e sua turma transformam bandidos em heróis, vilipendiam a história e os símbolos nacionais nas escolas, com exaltação ao falido modelo marxista, o País agoniza e perde respeito no cenário internacional. Enquanto você repassa às ditaduras de outros países impostos de quem trabalha e gera empregos, a violência explode nas ruas, pessoas padecem nas portas dos hospitais, falta infra-estrutura e os professores são mal pagos. 
   A fatia maior de todos os impostos é administrada pela esfera federal. Você, Dilma, nada fez para corrigir essa distorção. Pelo contrário, arrocha com mais impostos, retira conquistas dos trabalhadores, mas não diminui gastos desnecessários. Você e o seu grupo querem reescrever a história do Brasil, acusando a todos os que governaram antes de incompetentes e corruptos. No poder, o seu partido, que um dia já foi o meu também, caiu na vala comum dos demais e tornou-se protagonista do maior escândalo de corrupção. Agora, acuada pelo eco das ruas, você fala em humildade e diálogo, como se fosse possível dissimular a sua arrogância e a sua prepotência. Essa tática de mudar a embalagem, mas não o conteúdo podre do seu governo já não engana mais ninguém. Cansei das suas mentiras, mas não me cansarei de lutar por um Brasil melhor.   
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Aos leitores do Blog: De uns tempos para cá, as questões de gestão pública exigem um posicionamento de quem quer mudar o Brasil para melhor. A corrupção, que atinge níveis nunca antes imaginados, também prejudica o meio ambiente, pela falta e desvio de recursos.
Enquanto a farra com obras superfaturadas desvia dinheiro para corruptos, faltam recursos para setores mais sustentáveis. Para citar um exemplo, está aí o escândalo da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, com denúncias de propinas e superfaturamento. O montante dos custos dessa usina daria para financiar um amplo programa de energia solar com painéis fotovoltaicos, capazes de gerar quase a metade de toda a energia hoje produzida no Brasil. 
O escândalo da Petrobrás é representativo, porque mostra a escolha mal feita e ufanista de investir em combustíveis fósseis. O gigantismo alardeado com o Pré-sal, usado como propaganda para enganar a incauta população brasileira, nos remete a refletir sobre o grave momento da conjuntura política atual.
A operação Lava Jato comprova agora o que sempre nós ambientalistas cobrávamos das autoridades. Existe dinheiro para conservar e gerir nossas Unidades de Conservação. Existe dinheiro para investir em energia renovável. Outro exemplo: se os recursos do Minha Casa Melhor fossem direcionados para implantação de sistemas fotovoltaicos e captação de águas pluviais nas moradias do Minha Casa Minha Vida, teríamos hoje um notável parque industrial de equipamentos nessa área, com indústrias espalhadas pelo Brasil. 
As grandes obras sempre atraíram as empresas e os políticos ávidos de recursos para as suas campanhas. Aí está um dos focos de corrupção. 
Lutar contra o aparelhamento do estado, contra o excessivo número de ministérios, contra a centralização da maior parte dos impostos na esfera federal, entre outras lutas, também se reflete num meio ambiente mais equilibrado e na melhoria da qualidade de vida de todos nós. 

10 de março de 2015

Amar e vivenciar a natureza é um estado de arte


Nas asas da imaginação
faça uma linda viagem
Aprecie uma paisagem
A natureza é uma canção (Darci Bergmann)


Nós humanos precisamos da beleza cênica, auditiva e sensorial. Lugares e melodias bonitas fazem um bem ao nosso espírito. Apesar de toda a destruição, a Terra ainda tem lugares paradisíacos. Quando arte e natureza se encontram, o ser humano ascende a um estado de paz e harmonia.
A inspiração dos artistas também pode ajudar na preservação dos ambientes naturais, seja pela música, pinturas, poesia, filmes e o que for possível.
Deixo algumas sugestões de músicas que enaltecem a natureza de alguma forma.
Ipê em flor: tela de Maria Teresa Salazar - São Borja - RS

Sugestões de músicas e filmagens, através do Youtube
Voces de Primavera - Johann Strauss
Vivaldi, Primavera, Allegro
Ainda existe um lugar onde a verdade reside em cada alma - Wilson Paim
Strauss - Contos de los Bosques de Viena
Paisagens do Rio Grande do Sul (Reportagem do G1/RS)
Viagem pelo Tirol
This is Tyrol in Austria
Nós amamos as montanhas
Belo Tirol do Leste
My day in the Swiss Alps

MDR, National Park Tirolen Alpen Osterreich

Schubert "Serenade"

Os Cardeais (Letra e música: Elton Saldanha; interpretação: César Passarinho)


29 de novembro de 2014

Tatuagens constituem risco de saúde incalculável

Fonte: DW

Entre química e impurezas, desenhos corporais injetam no organismo um sem número de substâncias tóxicas, muitas vezes nem testadas. Especialistas presumem que sejam cancerígenas, mas não há estudos nem leis suficientes.


Quem gostaria de injetar alguns gramas de verniz de carro sob a pele? 
Ou um pouco de fuligem resultante da combustão de petróleo ou alcatrão?
Provavelmente ninguém. Mas isso é o que recebem todos os que se deixam tatuar. "Os pigmentos para tatuagens contrastantes e de longa duração foram desenvolvidas para cartuchos de impressora e tintas de automóveis", revela Wolfgang Bäumler, professor do Departamento de Dermatologia da Universidade de Regensburg, em entrevista à DW.
Acima de tudo, as tintas de tatuagem não foram desenvolvidas para estar sob a pele. Grandes empresas químicas fabricam toneladas de pigmentos coloridos, principalmente para fins industriais; empresas pequenas os compram e transformam em produtos para tatuagem.
"As substâncias nunca foram testadas para aplicação subcutânea", diz à DW Peter Laux, do Instituto Federal Alemão de Avaliação de Riscos (BfR) em Berlim. "A própria grande indústria diz que, na verdade, os pigmentos não são feitos para isso."
Da pele para o organismo inteiro
Wolfgang Bäumler acrescenta que as tintas de tatuagem precisam ser "brutalmente insolúveis em água". Isso já torna a prática perigosa, pois o corpo não tem como se livrar facilmente delas. De acordo com um recente estudo americano, apenas dois terços dos produtos utilizados nas tatuagens permanece sob a pele: o restante se espalha pelo corpo.
"As substâncias vão para o sangue, para os nódulos linfáticos, os órgãos, e vão parar em algum lugar. Onde, exatamente, não se tem ideia", relata o dermatologista.
Arco-íris de produtos químicos
Numa sessão de tatuagem, produtos químicos não testados são lançados no organismo
Os produtos químicos para as cores vermelho, laranja e amarelos são compostos azólicos – substâncias orgânicas com uma má reputação, que costumam desencadear alergias. Algumas delas, como o Pigment Red 22, podem se decompor, se a tatuagem for exposta á luz solar, diz Bäumler. Os compostos resultantes são tóxicos e cancerígenos.
Compostos chamados ftalocianinas, que resultam em azul e verde brilhante, geralmente contêm cobre e níquel. Também nos pigmentos marrons com óxidos de ferro, muitas vezes há presença de níquel. O metal provoca alergias de contato em muitas pessoas e é proibido em cosméticos. Nos produtos para tatuagens, contudo, ele continua sendo frequente.
Tatuagens pretas, por sua vez, são feitas com derivados de um material chamado Carbon Black. Ele nada mais é do que fuligem industrial, produzida quando a indústria química queima petróleo, alcatrão ou borracha.
Impurezas cancerígenas
No entanto os especialistas salientam que não só as cores são perigosas. "Além dos elementos corantes, produtos para tatuagem podem também conter outras substâncias, como solventes, espessantes, conservantes e diversas impurezas", adverte o BfR.
De acordo com Peter Laux, impurezas são a regra, não a exceção. "Os departamentos regionais de diagnóstico se queixam regularmente sobre a qualidade química das substâncias para tatuagem que eles controlam."
Entre essas impurezas, os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos são particularmente perigosos. Formados durante as combustões incompletas, também na produção de fuligem, muitos são comprovadamente cancerígenos. Nas tintas pretas para tatuagem, estão muitas vezes presentes em concentrações acima do limite recomendado.
"Consta que os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos se desprendem continuamente durante o processo de tatuagem e se espalham pelo corpo. Os níveis medidos são um risco sério à saúde e segurança dos consumidores", adverte o BfR.
Laux acrescenta que "também há no mercado substâncias para tatuagens que cumprem os requisitos". No entanto, é difícil para o consumidor definir qual substância é boa e qual não.
 Segundo FDA, cerca de 25% dos americanos têm tatuagem
 Regulamentação insuficiente
Na Alemanha e em muitos outros países, as substâncias para tatuagens não são consideradas nem medicamentos nem cosméticos – e aí reside o problema. Porque esses produtos precisam atender determinados requisitos antes de poder sequer entrar no mercado. No caso dos medicamentos, análises de segurança mostram o que acontece exatamente com uma substância no corpo, como ela é metabolizada, e quais outras substâncias podem se formar a partir dela. Para as tatuagens, não há tais regulamentações.
Em 2008, o Conselho Europeu expediu uma resolução determinando o controle mais rigoroso dos produtos para tatuagens, e muitos países implementaram leis e regulamentações concernentes. Mas, de acordo com Peter Laux, todas são insuficientes.
Uma portaria relativa a substâncias de tatuagem de 2009 proíbe na Alemanha o uso de certas substâncias, e uma lista especifica exatamente o que é proibido. "Todas as demais substâncias são permitidas, mesmo produtos químicos que acabam de ser desenvolvidos por um fabricante e nunca foram previamente testados."
"Precisamos criar listas positivas", reivindica Laux. Isso significa que, ao invés de substâncias proibidas, a portaria deveria conter as permitidas que tiveram a sua segurança comprovada.
Incerteza é única certeza
Em diversas sociedades, tatuagem é símbolo cultural antigo.
Por exemplo, na máfia Yakuza do Japão
Até mesmo tatuadores profissionais concordam que a situação não é satisfatória. "Em nossa opinião, no momento as tintas de tatuagem não são realmente seguras", admitiu Andreas Schmidt, vice-presidente da associação Tatuadores Alemães Organizados, num simpósio em Berlim sobre a segurança dos produtos empregados.
Ele exige testes toxicológicos para os componentes, mas acrescenta: "Estamos otimistas de que há apenas alguns problemas com as tintas, caso contrário haveria mais reclamações de clientes e mais matérias em jornais e revistas".
No entanto, os especialistas lembram que o câncer muitas vezes precisa de décadas para se desenvolver, e a conexão não é tão fácil de provar.
Até agora, as substâncias para tatuagens não são testadas quanto a seus riscos. Faltam estudos em seres humanos, de curto quanto e de longo prazo. Experimentos em animais são proibidos. O dermatologista Bäumler foi judicialmente impedido de efetuar um teste de produtos de tatuagem em porcos. "A justificativa foi que as pessoas que se deixam tatuar o fazem voluntariamente", conta.
Portanto, ninguém ainda pode afirmar ainda se tatuagens são prejudiciais à saúde ou não. Talvez provoquem câncer – talvez não.
Peter Laux arremata que cada um deve decidir por si se quer fazer uma tatuagem ou não – o BfR não faz nenhuma recomendação. "Até agora só sabemos que não há qualquer garantia de que as substâncias para tatuagens sejam seguras para a saúde."
29-11-2014
Autoria: Brigitte Osterath

31 de outubro de 2014

Evitar colapso climático exige recuperação da Floresta Amazônica

É preciso iniciar imediatamente “um esforço de guerra” de recuperação do que foi destruído nos últimos 40 anos no Brasil

Reduzir a zero o desmatamento da Amazônia já não é suficiente para evitar um colapso climático na América do Sul. É preciso iniciar imediatamente “um esforço de guerra” de recuperação do que foi destruído nos últimos 40 anos no Brasil – uma área de 763 mil km², equivalente a duas Alemanhas, ou três Estados de São Paulo.
As conclusões são de um relatório científico que sintetizou mais de 200 estudos sobre o papel da Floresta Amazônica no sistema climático, na regulação das chuvas e na exportação de serviços ambientais para as áreas produtivas do continente. Conduzido por Antonio Donato Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o estudo foi lançado nesta quinta-feira, 30, em São Paulo.
“Já foram destruídas pelo menos 42 bilhões de árvores na Amazônia. Em 40 anos, foram cerca de 2 mil árvores por minuto. Os danos dessa devastação já são sentidos, tanto no clima da Amazônia – que tem sua estação seca aumentando a cada ano – quanto a milhares de quilômetros dali”, disse Nobre.
Segundo ele, a floresta mantém úmido o ar em movimento, levando chuvas para regiões internas do continente. A floresta também ajuda a formar chuvas em ar limpo – o que não acontece no oceano, por exemplo. “O ar úmido é exportado para o Sudeste, o Centro-Oeste e o Sul do Brasil, por rios aéreos de vapor, mais caudalosos do que o Rio Amazonas. Sem isso, o clima nessas regiões se tornará quase desértico. Atividades humanas como a agricultura entrarão em colapso”, declarou.
Nobre explicou que a Amazônia regula o clima do continente graças à capacidade das árvores de lançar umidade na atmosfera. Cada árvore com uma copa de 10 metros, segundo ele, retira diariamente das profundezas da terra cerca de mil litros d´água, que são lançadas no ar em forma de vapor. Com isso, a floresta chega a transferir 20 trilhões de litros d´água por dia para a atmosfera.
“Se quiséssemos reproduzir artificialmente esse fenômeno, para evaporar essa quantidade d´água precisaríamos da energia de 50 mil usinas de Itaipu, ou cerca de 200 mil usinas de Belomonte”, afirmou.
Bomba de umidade
Segundo ele, uma nova teoria considera a Amazônia como uma “bomba biótica”: a transpiração das árvores, combinada à condensação vigorosa na formação de nuvens de chuva, rebaixa a pressão atmosférica sobre a floresta. Com isso, a floresta “suga” o ar úmido do oceano para o continente, mantendo as chuvas em qualquer circunstância.
“Isso explica por que não temos desertos nem furacões a leste dos Andes. Pelo menos até agora, porque se continuarmos derrubando a floresta, o fluxo se inverterá: o oceano é que sugará a umidade da Amazônia. Assim, poderemos ter no continente um cenário semelhante ao da Austrália, com grandes desertos e uma franja úmida próxima do mar”, afirma o pesquisador.
A redução do desmatamento na última década, segundo Nobre, é insuficiente para deter as dramáticas alterações no clima. “Não adianta dizer que reduzimos o desmatamento em 80%. O que importa é o passivo de desmatamento que já provocamos. Estamos quebrando nossa bomba biótica de umidade”, disse.
Além dos mais de 763 mil km² de florestas completamente devastadas, o sistema da Amazônia também sofre com o impacto das florestas degradadas, que segundo Nobre são áreas muito maiores onde só há “esqueletos de árvores” que não exercem mais os mesmos serviços ambientais. “Ao todo, acumulamos um total de quase 1,3 milhão de quilômetros quadrados de florestas comprometidas”, afirmou.
Com toda a devastação empreendida até agora, segundo Nobre, o clima da própria Amazônia foi alterado, tornando-se mais seco e facilitando o alastramento das queimadas. “Quem conhece a Amazônia há muito tempo sabe como era difícil acender uma fogueira naquela umidade. Hoje o fogo se acende facilmente, fazendo da Amazônia um crematório de riqueza genética.”
Nobre afirmou que a expansão da estação seca trará problemas econômicos de grandes dimensões para a produção agrícola. “Substituir as florestas por plantações é o que chamo de ´ilusão do agronegócio´. Eles pensam que estão conquistando terreno para plantar, mas com uma estação seca de até sete meses por ano, a irrigação – que é dispendiosa – tornará a atividade inviável. Sem falar na falta de água”, declarou.
Esforço de guerra
De acordo com Nobre, o público-alvo do relatório – intitulado “O Futuro Climático da Amazônia” – não é nem o governo, nem a comunidade científica, mas o público leigo. “Fiquei assombrado com a quantidade de estudos que comprovam os impactos da Amazônia no clima. A sociedade não pode ficar alheia a essa montanha de evidências científicas. Se demorarmos para agir, é provável que tenhamos que lidar com prejuízos inconcebíveis para quem sempre teve água fresca provida pela floresta, mesmo a milhares de quilômetros dela. Essa realidade tem que entrar no nosso imaginário”, declarou.
Segundo ele, é preciso iniciar um “esforço de guerra contra a ignorância”. “Em 2008, quando estourou a bolha financeira de Wall Street, os governos agiram rapidamente: em 15 dias, mobilizaram trilhões de dólares para salvar os bancos privados. É preciso agir com a mesma rapidez na recuperação da Amazônia – porque o desastre climático que nos ameaça é incomparavelmente maior que a crise financeira global”, disse Nobre.
Fonte: O Estado de São Paulo
Fonte acessada: jornalcana
http://www.jornalcana.com.br/evitar-colapso-climatico-exige-recuperacao-da-floresta-amazonica/
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Seca no Sudeste do Brasil: Matéria da Deutsche Welle

Transposição para Cantareira não encerra crise da água, dizem especialistas

Além de não resolver problema de SP, transferência de água da bacia do rio Paraíba do Sul para sistema paulista pode afetar abastecimento no RJ. Sob críticas, governo federal diz que medida é "tecnicamente viável".

Estiagem afeta o rio Paraíba do Sul na cidade de Barra do Piraí, no Rio de Janeiro
A transposição de água da bacia do rio Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira pode amenizar, mas não dar fim à crise da água no estado de São Paulo. Segundo especialistas ouvidos pela DW Brasil, além de não solucionar a escassez nos reservatórios paulistas, a medida poderia prejudicar o abastecimento na região metropolitana do Rio de Janeiro.
A proposta foi apresentada em março pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Nesta quarta-feira (05/11), o presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, sinalizou que a transposição é "tecnicamente viável".
"Tudo é possível, mas tem um custo. As autoridades erram ao não fazerem um estudo técnico antes de tomarem uma decisão política", critica o oceanógrafo David Zee, professor da Uerj.
A bacia do rio Paraíba do Sul banha os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. De acordo com a proposta de Alckmin, o rio Atibainha, que fica no Sistema Cantareira, receberia água do reservatório do rio Jaguari, que é um dos afluentes do Paraíba do Sul.
"Uma retirada adicional de água trará impactos que serão sentidos com mais força quando houver escassez de chuva", diz Paulo Carneiro, pesquisador do Laboratório de Hidrologia da Coppe/UFRJ. "A segurança hídrica deve diminuir, e a frequência de períodos de seca na bacia, aumentar."
O especialista em recursos hídricos Antônio Carlos Zuffo não acredita que a transposição irá resolver a crise hídrica em São Paulo. O volume do Cantareira continuará descendo, mesmo que em menor intensidade.
"A cada dia, o nível do reservatório fica mais baixo. Enquanto entram em torno de 9,63 metros cúbicos de água por segundo, são retirados 22,5 [metros cúbicos] para o Alto Tietê e o consórcio PCJ, que abastece algumas cidades do interior paulista. A defasagem é grande", diz Zuffo.
O nível do sistema Alto Tietê e da represa Guarapiranga também diminuiu de forma drástica. Como os reservatórios do sudeste e do centro-oeste estão com volume muito baixo, se chover pouco até o fim deste ano, é possível que haja um racionamento de energia, alerta Zuffo.
Interesses em jogo
A transposição da bacia do Paraíba do Sul envolve impasses jurídicos, administrativos e econômicos. Carneiro afirma que o argumento de que a medida vai aumentar a segurança hídrica é falso.
Para o especialista, a pressa da ANA e do governo de São Paulo em fazer a transposição é questionável. O projeto, que é complexo e exige uma série de etapas preparatórias, seria executado num período mínimo de três anos.
"Isso só mostra que houve de fato uma incompetência no planejamento de longo prazo. Não dá para querer sangrar o Paraíba do Sul sem trazer o assunto para o debate amplo, sem colocar as cartas na mesa", diz Carneiro. "São Paulo sabia há mais de duas décadas que era necessário fazer investimentos para evitar uma crise de abastecimento."
Além das obras, a transposição exigiria resolver entraves jurídicos. O reservatório Jaguari foi construído pela Companhia Elétrica de São Paulo (Cesp) para a geração de eletricidade. Segundo Zuffo, para fazer a transposição, a ANA precisa fazer outra outorga junto ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), para que o reservatório também seja destinado ao abastecimento urbano.
"A Cesp terá de ser indenizada, porque a retirada de água vai reduzir o rendimento da usina hidrelétrica. A amortização do investimento feito na construção não será cumprida no período previsto", afirma.
Em nível territorial, o gerenciamento de recursos hídricos no Brasil é dividido por bacias hidrográficas. Apesar de estar em São Paulo, a bacia do Paraíba do Sul é federal e de responsabilidade da ANA. O domínio da bacia, no entanto, é do estado de São Paulo.
"Há uma sobreposição de legislações. Esse imbróglio jurídico precisa ser resolvido, por isso, está no Supremo [Tribunal Federal (STF)]", diz.
O ministro Luiz Fux, do STF, convocou uma audiência de mediação para que o tema seja debatido entre o governo federal, agências reguladoras, Ministério Público Federal e representantes dos estados. Fux negou um pedido de liminar da Procuradoria Geral da República para impedir a transposição.
Ainda estão em jogo os interesses do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, já que a bacia do Paraíba do Sul abastece várias cidades nos dois estados. O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, declarou que, se a União decidir transferir água do Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira, ele irá acatar.

MAIS SOBRE ESTE ASSUNTO

  • Data 07.11.2014
  • Autoria Karina Gomes

17 de outubro de 2014

Falta chuva e ainda sobra preconceito

Por Darci Bergmann



     A seca prolongada no Sudeste do Brasil revela um cenário desolador. Rios, açudes e poços secando, onde antes havia fartura de água. As plantações  e as florestas desidratadas agora são um combustível para os incêndios que aumentam ainda mais o teor de gás carbônico na atmosfera. Se nos campos é assim, nas vilas e cidades a tragédia climática muda o cotidiano das pessoas. Agora é possível perceber o quanto dependemos da natureza em equilíbrio e o quanto precisamos evitar os desperdícios de recursos naturais. Estávamos acostumados a abrir as torneiras e vermos água jorrando muito além do necessário para o banho diário. Ou lavando calçadas e carros com centenas ou milhares de litros esbanjados numa dessas operações. Nunca nos perguntamos de onde vem a nossa água.   Talvez a maioria pensa que ela vem das represas. Não, ela vem de muito longe. Vem lá da fazenda ou do pequeno sítio, onde tem vertente e dali se forma um córrego. Depois, outros córregos vão se juntando e formam os rios. As represas apenas são depósitos de água. E até o solo armazena água e a devolve para nosso uso através dos poços de captação. As cidades dependem dos campos e das florestas. Desde o alimento até o líquido mais precioso – a água.
     E a nossa crise de água tem a ver com preconceito? Tem sim. Aqui no Brasil, fomos ensinados a ver os sertões e as matas como sinônimos de atraso.  Nas periferias das cidades ou lá nos rincões ermos, qualquer reserva de mato é vista como área improdutiva e sujeita a invasões. Córregos e riachos urbanos são logo degradados com lixo e as suas margens ocupadas por habitações. Temos preconceito contra as matas ciliares, que protegem as encostas e as margens dos rios. As cidades se expandem e sempre mais pessoas aparecem para ocupar espaços verdes em prejuízo dos mananciais de água. Para alguns, a espécie humana tem preferência sobre as demais. Esta ideologia de crescimento populacional sem limites pode ser o colapso da civilização. As mudanças climáticas já dão sinais claros da fragilidade humana. Até um minúsculo vírus, como o ebola, faz tremer de medo o mais valente dos seres humanos. Nosso preconceito em relação à Mata Atlântica ajudou a destruí-la na maior parte e o que dela resta agora é alvo de queimadas criminosas ou não. E mesmo nas romarias, pedindo chuvas aos nossos santos, alguns incautos lançam rojões que iniciam incêndios na vegetação esturricada das proximidades.
    A crise de água já é uma realidade planetária. O momento é de profunda reflexão sobre o nosso estilo de vida e a busca de soluções deve nortear todas as pessoas, sejam elas autoridades ou não. Cada um deve fazer a sua parte. É inaceitável que candidatos a cargos públicos se aproveitem das mazelas climáticas e busquem culpados porque as chuvas não caem. A nossa civilização precisa ser repensada. Até porque falta chuva e ainda sobra preconceito.


24 de setembro de 2014

Supermercado sem embalagens descartáveis


Veja matéria divulgada pela DW:

O Original Unverpackt, iniciativa de uma dupla de jovens empreendedoras de Berlim, busca apresentar alternativas ao consumo de massa e ao desperdício.