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30 de outubro de 2023

Desabafo - Dos amigos "experientes"

Por e-mail: de vários colaboradores*

Na fila do supermercado, o caixa diz uma senhora idosa:

- A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma  vez que sacos de plástico não são amigáveis ao meio ambiente.

A senhora pediu desculpas e disse:

- Não havia essa onda verde no meu tempo.

O empregado respondeu:

- Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração  não se preocupou o suficiente com  nosso meio ambiente.

- Você está certo - responde a velha senhora - nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as  garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos  à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e  esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas,  usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.

Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro  de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois  quarteirões.

Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente.  Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é  que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as  roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre  novas.

Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles  dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não  uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço,  não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?

Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia  máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um  pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo,  não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que  exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a  uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.

Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de  comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora  todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lámina ficou  sem corte.

Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas  ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi  24 horas. Tínhamos só  uma tomada em cada quarto, e não um quadro de  tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós  não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas  de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.

Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente,  mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na  minha época?

    *João D. Lamana, Charles F. Kirinus e outros

15 de março de 2012

O lixo é uma questão cultural

Por Darci Bergmann

  Nem a revolução tecnológica, nem a inclusão sócio-econômica de classes menos favorecidas foram suficientes para equacionar a questão dos resíduos sólidos em muitos países. 

Alixeira de ferro deveria estar localizada no pátio do prédio e não sobre o passeio público.
Moradores das vizinhanças querem se mobilizar pela retirada da estrutura.
Foto: Darci Bergmann, 10/03/2012 - São Borja/RS
 O propalado aumento do poder aquisitivo da população brasileira traz na sua esteira o aumento do consumo de bens nem sempre tão essenciais a uma boa qualidade de vida. Alguns se referem a produtos supérfluos, entre os quais, guloseimas, bugigangas,  descartáveis - geradores de lixo por excelência. Nas cidades inchadas por ocupações irregulares, as periferias e terrenos não edificados se tornaram depósitos de lixo. Nas ruas, os depósitos são até tolerados pelo poder público, disfarçados de lixeiras, aquelas estruturas geralmente de ferro, que prejudicam o trânsito dos pedestres nos passeios públicos. 
  Nossa cultura entende que o morador deve limpar a casa e o pátio. A limpeza da rua é de responsabilidade do poder público. Por isso que aquelas lixeiras de ferro se espalham na frente das residências e não se respeita sequer o horário de coleta. Tudo é ali jogado, incluindo restos de comida, bicho morto, embalagens, lâmpadas, remédios, tintas e muito mais.
  Na maioria das vezes os resíduos estão misturados e antes da coleta pública os catadores vasculham essas lixeiras e levam o que lhes convém, deixando sobras sobre os passeios públicos. Dali, parte dos resíduos é varrida para o leito das ruas e pátios vizinhos pelo vento ou pela água das chuvas. Na época das enxurradas, o problema se agrava, pois ocorrem entupimentos dos sistemas de esgotamento pluvial, transbordamento de córregos e perdas patrimoniais e até de vidas humanas. 

  No Brasil, somos competentes em produzir lixo e incompetentes em manejá-lo adequadamente.


Fotos: flagrantes de lixo mal acondicionado  e local impróprio
A lixeira sobre o passeio público - foto superior - prejudica o trânsito de pedestres e já causou  ferimentos em  crianças.
Moradores do prédio e pessoas de outros locais arremessam lixo ao lado do passeio público -foto inferior.
Fotos: Darci Bergmann,  São Borja/RS


 Esta é a questão. Poucas cidades atingiram um patamar de cultura do seu povo no tocante aos resíduos sólidos. Mesmo nos espaços onde se localizam as nossas universidades, sejam elas públicas ou privadas, é possível encontrar inúmeros maus exemplos no que se refere ao lixo. A cultura de um povo vai além da implantação de educandários. É preciso amor à cidade, respeito aos vizinhos e um senso crítico em relação ao consumismo produtor de tanto lixo. 
  Quando as calamidades são agravadas pela interferência humana no seu ambiente, caso do lixo jogado em qualquer local, não adianta só xingar este ou aquele. Cada um de nós deve fazer uma revisão dos seus procedimentos. Às vezes atitudes simples podem trazer grandes melhorias para a saúde, no visual das cidades e na prevenção de tragédias. Cito algumas: 1) reduzir o consumo de supérfluos e descartáveis; 2) dentro de casa separar as partes secas e orgânicas do lixo; fazer a compostagem da parte orgânica - até em apartamento e condomínios é possível;3) vender ou doar a catadores credenciados a parte seca reciclável; 4) instalar as lixeiras no pátio interno da moradia ou do condomínio - para evitar que o lixo seja  remexido por pessoas e animais e ainda acidentes com transeuntes.
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Mais sobre o tema:

11 de março de 2010

RECICLANDO

Por Darci Bergmann



Tenho visto com freqüência

Pessoas sem educação.

Gente fina na aparência,

Jogando lixo no chão.

Bugigangas que atiradas

Por quem viaja ou caminha,.

Entopem bueiros de estradas

Até a paisagem definha.



Nas cidades ou no campo,

Pescando lá no regato,

Há quem suje o verde manto,

Vira lixo o que era mato.

São papéis, vidros e latas

Agredindo a natureza,

É um festival de sucatas

Onde antes era beleza.



A Terra merece carinho

Resíduo é bom reciclar

Aqui e ali no baldinho

Pra cada coisa um lugar

O lixo é matéria prima,

Prá muitos o ganha-pão.

Gera renda e auto-estima.

Reciclagem é solução.


Obs.: O poema foi Composto, por mim, em 2003 e foi publicado num folder da Prefeitura Municipal de São Borja. Em 2004 foi plagiado num livro da Cia. Stravaganza de Eventos, onde apareceu com o título Meio Ambiente.

2 de março de 2010

LIXO E MARACUTAIAS


Por Darci Bergmann.



Em 31/12/1997 foi promulgada a Lei Complementar Nº014/97 que instituiu a cobrança da taxa de lixo em função da testada do terreno. A base de cálculo era a mesma para residência, indústria, comércio e outros, não importando a quantidade de resíduos coletados. Agora em 2010, com base na Lei Complementar 44/2009, a Prefeitura de São Borja aumentou abusivamente os valores da taxa de lixo, em alguns casos em mais de 500% sobre o que já era um abuso. O fator de cálculo agora leva em conta a área construída. Ora, um puxado, uma garagem, um telheiro gera mais lixo? Casas grandes, antigas, herdadas no centro da cidade, muitas vezes abrigam casais idosos, aposentados que geram muito pouco lixo. Também empresas que tem galpões para guarda de materiais agora são infernizadas com valores absurdos da taxa de lixo. Essa legislação atenta contra o modo de vida ecologicamente sustentável. Ela não estimula a redução, reutilização ou reciclagem dos resíduos. As pessoas deveriam ser estimuladas a arborizarem os seus terrenos, fazerem pomares e hortas ou ajardiná-los e nesse processo utilizarem o adubo orgânico proveniente dos restos de cozinha e dos pátios. Isso melhora as condições ambientais para todos e reduz a quantidade de lixo. As plantas retêm o carbono, diminuem o calor e aumentam a recarga dos mananciais de águas. Muitas pessoas já fazem isso. E os catadores também atuam no processo, recolhendo boa parte do lixo seco. Mas, ao invés de estímulo, impõe-se às pessoas cobrança da taxa de lixo abusiva. Essa taxa é um estelionato ambiental e uma extorsão tributária, com todo o respeito a quem pensa de outra forma.

Alegam os burocratas dificuldades para medir as quantidades de lixo por domicílio. É possível estabelecer uma média, próxima do real, fazendo-se, por exemplo, o cálculo por habitante. Uma família pobre e uma de classe média produzem quantidades muito parecidas de lixo. Pode-se, até levar em conta o padrão sócio-econômico do morador, monitorando, por amostragem, o lixo em zonas específicas. Repito, MONITORANDO a quantidade de lixo e não chutando por área construída, o que é uma tremenda safadeza. As distorções são gritantes. Em casos especiais, a fonte produtora dos resíduos é responsável pelo seu destino. É o caso do lixo hospitalar. Nem todos os geradores de resíduos especiais cumprem a legislação começando pela Prefeitura.

Fazendo um paralelo com o consumo de água, em alguns condomínios a taxa é cobrada sobre o consumo total dividido pelo número de moradias. Isto tem provocado consumo excessivo, pois sempre há quem esbanje o precioso líquido. Quem consome água moderadamente paga por aquele que a esbanja. Esse sistema está sendo substituído nesses condomínios, pois não é justo cobrar taxas iguais para consumos diferentes. Não seria assim com a taxa de lixo? Seria, mas com base na quantidade efetivamente produzida e não sobre a metragem da área construída. Se a incompetência e a demagogia eleitoreira de isentar as classes menos favorecidas não permitir outros parâmetros, então que se faça a divisão do custo pelo número de domicílios e tem-se uma média pelo menos mais próxima do real. Com taxa baixa, os contribuintes pagam e a Prefeitura arrecada sem distorções muito grandes. Houve época em que, num universo de quinze mil contribuintes, em São Borja, em torno de dez mil eram inadimplentes Em Santo Ângelo-RS, a taxa de lixo para o ano de 2010, foi fixada em R$67,05 Noticia-se que na cidade de São Paulo a taxa de lixo foi abolida porque os cidadãos já pagam o IPTU.

Outra aberração é a cobrança casada do IPTU com a Taxa de Lixo. O IPTU tem natureza diferente da taxa de lixo. A cobrança casada não dá a opção de pagamento só do imposto. Assim, muitos que poderiam pagar o IPTU ficam inadimplentes, inscritos no CDA - Cadastro de Dívida Ativa. Perde o Município e perde o cidadão com abalo de crédito, infernizando-lhe a vida. Que Deus nos proteja das maracutaias!



Fotos: Darci Bergmann
Caixas de compostagem: uma das soluções simples para redução do volume de lixo