30 de dezembro de 2011

Fogos de artifício, ou melhor, malefício




Por Darci Bergmann

    Numa dessas barulhentas viradas de ano, ocorreu um caso inusitado aqui em São Borja. Um clube local havia preparado aquelas baterias de queima de fogos de artifício para a meia noite. No momento de iniciar os disparos, um cão transtornado investiu contra os equipamentos e atrasou o evento. Os cães, como se sabe, são sensíveis às detonações desses petardos. Para eles, é uma verdadeira tortura. Muitas outras espécies de animais também entram em pânico. Aves morrem com os estampidos. Elas fazem movimentos bruscos, perdem a orientação e podem sofrer acidentes mortais. Os humanos também são vítimas. Ocorre que, no decorrer dos festejos, o consumo de bebidas alcoólicas mascara as conseqüências desses explosivos, que causam lesões, mortes e até incêndios, como já tem sido noticiado.  A mídia mostra cenas de cidades que fazem queimas de fogos, mas não esclarece o público sobre certos aspectos da questão. Além da poluição sonora, riscos de incêndio e de acidentes  graves, ocorre poluição por produtos químicos liberados no ar especialmente aqueles usados para dar colorido. O nitrato de bário - que dá cor verde - é extremamente tóxico.
  O consumismo desenfreado e a visão de lucro fácil passam por cima dos valores éticos. Fala-se em qualidade de vida e a convivência no cotidiano é cada vez mais conturbada, onde uns poucos conseguem perturbar a maioria. O cúmulo do desrespeito ao sossego público é quando alguns disparam os explosivos em altas horas da noite. O sobressalto é inevitável e certamente a saúde das pessoas sofre abalos. Os perturbadores anônimos certamente não trabalharão no dia seguinte. Mesmo que esse dia seja um feriado, existem muitas atividades que necessitam de plantões em serviços chaves como os de saúde e segurança. As pessoas que fazem esse atendimento precisam repousar como qualquer um de nós.   Existe legislação que coíbe os excessos na utilização dos explosivos. Por outro lado, a fiscalização é inepta.     O ideal é que a sociedade tome consciência sobre as implicações desse tipo de comportamento que prejudica a saúde pública, ameaça a segurança e o meio ambiente. Talvez restringir o comércio e mesmo proibir artefatos muito potentes seja uma dentre outras medidas que podem ser tomadas. 
  Alegria, confraternização e espetáculo fazem bem. Mas o uso abusivo dos fogos de artifício é uma insensatez que não pode ser tolerada por uma sociedade que se considera evoluída.
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2 comentários:

Darci Bergmann disse...

Mensagem recebida através do Orkut:

de Carol e Daniel para Darci Bergmann.

É isso aí Darci! Temos que chamar a atenção dessas pessoas amantes de explosivos, para lhes mostrar outras formas de comemorar o final de ano. E uma delas, é mostrar que elas dividem o espaço no mundo com outros seres que também tem o direito a viver de acordo com suas necessidades. Quando entendemos que não estamos sós, percebemos também o quanto somos necessitados, e se necessitamos, temos um compromisso de nos importar com o bem estar da natureza que nos cerca, seja ela humana, animal ou vegetal. FELIZ ANO NOVO! Para o senhor Darci, e sua família. Que Deus continue te conduzindo nesse trabalho tão lindo que é cuidar desta natureza criada por Ele. Boa luta!

Darci Bergmann disse...

Olá amigos Carol e Daniel,
Precisamos somar esforços para sensibilizar as pessoas que ainda não tem ideia dos impactos sobre a saúde e sobre o meio ambiente causados pelos explosivos.Os gestores públicos - prefeitos, secretários - e até os legislativos municipais devem ser alertados sobre os riscos da queima de fogos de "malefício". Há uma campanha em toda a internet sobre essa questão, mas existem setores que vão resistir, pois faturam bastante com isso. São os fabricantes, revendedores e promotores de eventos pomposos. Esses últimos rondam as prefeituras para venda de espetáculos caros, tudo com dinheiro público. Em poucos minutos grandes somas de dinheiro são queimadas. Depois faltam recursos para saúde, educação e segurança.
Na minha percepção as coisas começam a mudar, pois já são muitas as vozes que se ouvem contra os fogos de artifício. Nesta virada de ano, pareceu-me que a barulheira foi menor. Até por questão de economia. Queimar dinheiro à toa é uma insensatez.
Um feliz ano novo.