Uma gama de espécies de seres vivos se desenvolve nos troncos e ramos de uma árvore. A maioria delas não causa nenhum dano e ainda confere beleza. |
A floração intensa da jabuticabeira é um estado de arte da natureza. |
Por Darci Bergmann
Não é de hoje. Há milênios
que nós humanos alteramos os ambientes naturais, como se deles não fizéssemos
parte. Esta reflexão me ocorre toda vez que eu observo o que acontece com as
árvores das nossas cidades. Elas são desejadas por muitas pessoas, que apreciam
a sombra, a quebra de monotonia e a estética. Para se desenvolverem, precisam enfrentar obstáculos impressionantes. São as redes elétricas, passeios
públicos estreitos, solos compactos e impermeabilizados por concreto e asfalto,
além de outras limitações. Quase sempre, são plantadas em covas de pequenas
dimensões. As que sobrevivem precisam ser manejadas com podas para que seus
ramos e folhas não atrapalhem os pedestres e condutores.
Depois de crescidas, as
árvores ainda precisam suportar outras interferências humanas, que nada tem a
ver com as questões de segurança. O desenvolvimento natural, que já foi abalado
pelo espaço exíguo, agora recebe uma carga de artifícios que prejudicam a sua
identidade visual. Muitas são pintadas de branco, com altas concentrações de
cal. Até tintas tóxicas de outras cores são utilizadas. Além da perda da beleza
natural, essas pinturas podem lesionar os tecidos vivos das cascas. Também
acabam com os líquens, musgos e outros seres vivos não parasitas.
Como se isso não
bastasse, de uns tempos para cá, outra mania se alastra. Pessoas desejosas de
alterar a rotina e a paisagem das cidades recobrem os troncos das árvores com
tecidos e enfeites coloridos. Alguns desses enfeites são de tricô e crochê,
portanto caros. Essas expressões de arte até podem valer para embelezar postes
de energia elétrica, mas em nada melhoram o visual das nossas árvores. Além do
mais, essa cobertura artificial sobre os troncos mascara a textura natural de
cada árvore e ainda impede que outros seres vivos ali sobrevivam.
As árvores são bonitas por
natureza. Quanto menos interferirmos, melhor para elas e para nós também.
Os líquens* formam belos desenhos nos troncos das árvores sem prejudicá-las. A pintura com cal e outras tintas prejudica o visual e a saúde das árvores. |
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O tronco da árvore acima já estava morto quando o artista fez dele uma tela para sua pintura. |
A caiação do tronco esconde a sua beleza natural. O cal é um produto químico . Em altas concentrações atinge os tecidos vivos da casca. |
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A foto acima mostra 'decoração' em tronco de árvore. Os líquens e outros seres vivos inofensivos foram esquecidos? |
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Suporte e orelhão decorados. Aqui se justifica a intervenção dos artistas vo- luntários. |
Fotos: As duas últimas fotos foram obtidas a partir do site www.lineaitalia.com.br
*Líquen é uma simbiose entre um fungo e uma alga.
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