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1 de novembro de 2012

Por desinformação, matamos até quem nos ajuda.


As fotos se referem à inofensiva cobra-dormideira,
 Sibynomorphus ventrimaculatus*,
encontrada no sítio Itaperaju, São Borja/RS


Por Darci Bergmann

   Não há como negar. A civilização humana atual é hostil à maioria das formas de vida. Basta ver como destrói santuários de vida selvagem, a isso denominando progresso.  Estamos tão alienados do mundo natural que ainda matamos espécies de animais que nos prestam inestimáveis serviços. Isto até nos ambientes urbanos.
   Faz alguns anos, alguém me trouxe uma pequena serpente viva, dentro de um frasco de vidro. Era a última sobrevivente de uma ninhada que fora encontrada num pequeno jardim. As outras foram mortas, pois a pessoa supunha tratar-se de filhotes de jararaca, serpente venenosa. Não sou especialista em ofídios, mas minha memória ainda tinha o registro das aulas de biologia do ensino médio. Examinei a pequena serpente e vi que não se tratava de ‘cobra venenosa’. Tomei-a nas mãos e concluí que era da mesma espécie das pequenas cobras-dormideiras. De dia, elas ficam enrodilhadas sob monturos de folhas e galhos. À noite, elas caçam lesmas. Um especialista me disse tratar-se da Sibynomorphus ventrimaculatus, família Colubridae, que atinge até 50 centímetros, no máximo. Inofensiva e prestadora de serviços, essa pequena serpente é sacrificada por ser parecida com a jararaca.
  O fato me remete a outra reflexão. Se quisermos alimentos saudáveis, sem agrotóxicos, temos que mudar o nosso comportamento em relação à natureza. Precisamos de jardins, hortas e lavouras mais naturais, em que as pragas possam ser controladas por espécies predadoras.  
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*Nota do Blog: Em pesquisa no Google foram citadas outras espécies afins de cobra-dormideira, com características morfológicas semelhantes: a Sibynomorphus mikanii, citada para o bioma Cerrado e Sibynomorphus neuwiedii