| As fotos se referem à inofensiva cobra-dormideira, Sibynomorphus ventrimaculatus*, encontrada no sítio Itaperaju, São Borja/RS |
Por Darci Bergmann
Não há como negar. A civilização humana atual é hostil à
maioria das formas de vida. Basta ver como destrói santuários de vida selvagem, a isso denominando progresso. Estamos
tão alienados do mundo natural que ainda matamos espécies de animais que nos
prestam inestimáveis serviços. Isto até nos ambientes urbanos.
Faz alguns anos, alguém me trouxe uma pequena serpente viva, dentro
de um frasco de vidro. Era a última sobrevivente de uma ninhada que fora encontrada
num pequeno jardim. As outras foram mortas, pois a pessoa supunha tratar-se de
filhotes de jararaca, serpente venenosa. Não sou especialista em ofídios, mas
minha memória ainda tinha o registro das aulas de biologia do ensino médio.
Examinei a pequena serpente e vi que não se tratava de ‘cobra venenosa’.
Tomei-a nas mãos e concluí que era da mesma espécie das pequenas
cobras-dormideiras. De dia, elas ficam enrodilhadas sob monturos de folhas e
galhos. À noite, elas caçam lesmas. Um especialista me disse tratar-se da Sibynomorphus ventrimaculatus, família
Colubridae, que atinge até 50 centímetros, no máximo. Inofensiva e prestadora de
serviços, essa pequena serpente é sacrificada por ser parecida com a jararaca.
O fato me remete a outra reflexão. Se quisermos alimentos
saudáveis, sem agrotóxicos, temos que mudar o nosso comportamento em relação à
natureza. Precisamos de jardins, hortas e lavouras mais naturais, em que as
pragas possam ser controladas por espécies predadoras.
