5 de outubro de 2010

Marina Silva, a grande vitoriosa

Por Darci Bergmann

   Nunca antes na história deste País, a questão ambiental sacudiu tanto as estruturas do poder. A expressiva votação de Marina Silva é um recado claro de que uma parcela significativa da sociedade brasileira já não aceita mais a política mercantilista que ignora a sustentabilidade ambiental. Sim, mercantilista até nas eleições, quando o poder é almejado a qualquer preço e em desrespeito à privacidade do eleitor, ao meio ambiente e à probidade administrativa. Tanto a coligação oficial quanto à de oposição fizeram campanhas milionárias, poluidoras e promoveram um desserviço à educação ambiental. À luz da legislação vigente cometeram crimes ambientais. A ostentação grotesca começou pela confecção de milhares de toneladas de folders em papel caro e de grande impacto ambiental. Boa parte desse papel  impermeável e de difícil decomposição atingiu os bueiros, os terrenos baldios e outros locais. Na noite anterior ao pleito foi lançado em vias públicas, especialmente nas proximidades dos locais de votação. Cartazes estavam espalhados pelas praças, nos passeios públicos e onde mais fosse possível.
A poluição visual escancarada ofuscou as cores da primavera. Nessa época do ano, a maioria das aves inicia o ritual do acasalamento. O canto das aves também foi ofuscado pelas geringonças barulhentas que dia e noite atormentaram os moradores. Os muitos decibéis acima dos níveis permitidos fizeram estremecer as vidraças e as estruturas dos prédios e, pasmem, fizeram até disparar alarmes. Essa arrogância eleitoral cara e esbanjadora já mostra que para muitos candidatos, a maioria talvez, a política é a arte do vale tudo. Se é assim antes das eleições, como vão proceder depois de eleitos?
   Mas nem todos os eleitores se deixam seduzir pelos malabarismos eleitoreiros. Aos poucos as pessoas se dão conta das falsas promessas de campanha e reagem votando em propostas alternativas e apresentadas de forma a respeitar o sossego público e o meio ambiente com um todo. Talvez esse tenha sido um dos motivos para que muitos decidissem votar em Marina Silva. Nunca esteve aqui em São Borja. Não vi sequer um poster dela, não vi ninguém distribuindo propaganda sua, não havia um único carro de som anunciando o seu nome e mesmo assim fez aqui em torno de sete por cento dos votos. Não se elegeu, não foi para o segundo turno, mas que vitória ela teve ao arrebanhar o sentimento de vinte milhões de brasileiros.
Sei que existem ambientalistas em outros partidos. Pessoas realmente preocupadas com a questão ambiental. Mas as estruturas desses partidos quase sempre transformam a questão ambiental em mera retórica. Os filiados e candidatos de visão ambiental tem que aparar muitas arestas para que algumas práticas ecológicas sejam implementadas. Um dos motivos é que os partidos políticos no Brasil se moldam pelo chamado desenvolvimento linear, imediatista e focado apenas em obras e programas assistencialistas, sempre com o intuito de que haja retorno nas próximas eleições. Assim, a natureza é relegada a um plano secundário. O tema meio ambiente se limita a saneamento básico e alguns outros pontos focais, mas é permissivo à destruição ambiental quando o assunto é geração de emprego, renda e impostos, por exemplo. Setores organizados da sociedade, dentro dos partidos políticos, conseguem frear as boas práticas ambientais, como se elas fossem a causa do desemprego e da geração de renda.
    Essa visão distorcida ficou evidente quando da discussão da reforma do Código Florestal brasileiro. A maioria dos proprietários rurais não quer abrir mão de parcela da área destinada à reserva legal. No entanto, esquecem-se de que muitos perdem as suas terras ou boa parte delas para o ressarcimento de dívidas com os bancos credores. Nesse caso, a saída seria a criação de um fundo especial, uma espécie de bolsa para reserva legal  que poderia pagar aos proprietários os serviços ambientais gerados por essas áreas. 
   A sociedade brasileira e os jovens em especial já perceberam que existe saída política para esse tipo de impasse e que o meio ambiente é coisa séria. Marina Silva centralizou a preocupação ambiental difusa que ve saídas políticas para a verdadeira crise ambiental que assola o País. As queimadas, o desmatamento, os desastres ambientais, a poluição em seus vários aspectos, tudo isso motivou a busca de alternativas. 
  A votação em Marina Silva é apenas o começo de uma grande mudança no trato das questões ambientais.    
 Os grandes partidos agora foram sacudidos e o serão mais ainda se não implementarem boas políticas ambientais. O Partido Verde se tornará uma realidade e deverá se estruturar em todo o Brasil. Nas próximas eleições terá certamente muito mais representação em parlamentos e no poder executivo. Isso também estimulará a que os demais partidos sejam mais amigáveis ao meio ambiente.
   A onda verde que iniciou lá nas florestas do Acre trouxe Marina Silva ao cenário político do Brasil. Essa onda verde silenciosa, suave até, foi o contraponto a essa maneira arrogante de fazer política sem respeito às pessoas e à natureza.
  Valeu, Marina!

2 comentários:

Jarbas Felicio Cardoso disse...

Mesmo assim a proposta da Marina e do PV foi derrotada! Temos agora em jogo outros dois projetos que poderão realizar ações na questão ambiental. Como um todo, um dos proejtos é o do PT e dos partidos que compõem sua base aliada. Este projeto defende a democracia socialista e participativa dos movimentos sociais e ambientais, a cultura de massa, da educação popular ( que cada vez mais é pensada e estruturada dentro de um grande sistema nacional), da valorização de nossas riquezas nacionais, etc...
De outro lado, o que temos? A direita do DEM e do PSDB que da o tapa e não esconde a mão! Que manda bater mesmo!! Do retorno as (ineficientes) políticas neoliberais, da venda de nossas riquezas ao capital estrangeiro, da educação da inturmação e do fechamento de bibliotecas, da desvalorização e do arrocho salarial do funcionalismo público e, com isso, a ineficiência de serviços importantes a população (segurança, educação, saúde e também das questões ambientais). E as FATEC’S??!! O exemplo das Fatec’s está em Santa Maria com a questão do DETRAN!!!
Vejo que tudo está ligado a questão ambiental e sobre tudo à questão de sustentabilidade e distribuição de renda!!! Dia 31 de outubro está chegando, e a execução de políticas para o BRASIL e mundo para os próximos anos está em jogo.
Um grande abraço.

Jarbas Felicio Cardoso disse...

Mesmo assim a proposta da Marina e do PV foi derrotada! Temos agora em jogo outros dois projetos que poderão realizar ações na questão ambiental. Como um todo, um dos proejtos é o do PT e dos partidos que compõem sua base aliada. Este projeto defende a democracia socialista e participativa dos movimentos sociais e ambientais, a cultura de massa, da educação popular ( que cada vez mais é pensada e estruturada dentro de um grande sistema nacional), da valorização de nossas riquezas nacionais, etc...
De outro lado, o que temos? A direita do DEM e do PSDB que da o tapa e não esconde a mão! Que manda bater mesmo!! Do retorno as (ineficientes) políticas neoliberais, da venda de nossas riquezas ao capital estrangeiro, da educação da inturmação e do fechamento de bibliotecas, da desvalorização e do arrocho salarial do funcionalismo público e, com isso, a ineficiência de serviços importantes a população (segurança, educação, saúde e também das questões ambientais). E as FATEC’S??!! O exemplo das Fatec’s está em Santa Maria com a questão do DETRAN!!!
Vejo que tudo está ligado a questão ambiental e sobre tudo à questão de sustentabilidade e distribuição de renda!!! Dia 31 de outubro está chegando, e a execução de políticas para o BRASIL e mundo para os próximos anos está em jogo.
Um grande abraço.