11 de agosto de 2017

INCÊNDIOS FLORESTAIS EM PORTUGAL -

Por Darci Bergmann



Na bela vila de Luso, Concelho de Mealhada - Portugal

Florestas de eucalipto com plantio próximo à rodovia. Percebe-se sobre a matéria seca um fragmento de filme plástico e uma garrafa descartável. 
Hoje, numa viagem na região central do País, entre Coimbra e a Serra do Buçaco, passando por Luso e outras localidades, constatei uma realidade preocupante. O calor, próximo aos 40ºC, o ar seco e a matéria orgânica das folhas das florestas de eucalipto poderiam resultar em incêndios. Este foi um tema entre mim, Melissa e o Jarbas, em função das notícias de queimadas em várias partes desta região central, na viagem de hoje. Já na metade do roteiro planejado, eis que avistei ao longe os primeiros focos de incêndios. Um deles, adquiriu proporções gigantescas, horas depois quando já estávamos de retorno à Coimbra. Avistamos muitas viaturas dos Bombeiros e de outras instituições que se deslocavam rapidamente para a região sinistrada.
Na imagem, nuvens de fumaça oriunda de um incêndio no Concelho de Coimbra, no dia de hoje
    Pelo rádio, as notícias davam conta da interrupção do trânsito na principal rodovia entre Coimbra e Figueira da Foz, um trajeto que percorremos no dia anterior. Na chegada a Coimbra, uma densa nuvem de fumaça cobria a parte baixa da cidade, concentrando-se mais ao longo do Rio Mondego. Talvez a maior umidade relativa do ar sobre o leito do rio tenha atraído para esse ponto a maior concentração de fumaça. Logo, eu e os meus companheiros de viagem sentimos os efeitos da fumaça. Olhos lacrimejando, ardência na garganta e acessos de tosse. Vê-se que os incêndios afetam a todos indistintamente. Médicos afirmam que, em razão dessas queimadas, há um aumento significativo na procura dos serviços de saúde, consumindo mais recursos públicos, já tão escassos.
Plantio de eucaliptos próximo à localidade de Luso - Portugal
CAUSAS POSSÍVEIS DAS QUEIMADAS E SUGESTÕES PARA AMENIZAR O PROBLEMA

Em primeiro lugar, constata-se o plantio, em monocultura, de extensas áreas de espécies exóticas, especialmente eucaliptos. O plantio atinge áreas muito próximas das estradas, deixando ao longo delas muita massa seca, de fácil combustão. Em alguns pontos, essa massa seca atinge uma espessura de quase um palmo. 
O setor florestal é uma importante cadeia de produção que gera empregos e renda. No entanto, precisa de alguns ajustes no manejo e na forma de implantação das florestas. 
Como engenheiro agrônomo, penso que a lei já existente, seja cumprida quanto à distância regulamentar do plantio dessas espécies florestais exóticas. Como constatado, aqui em Portugal, as florestas exóticas estão muito próximas do leito das estradas e dos prédios. Isto também tem outras implicações. As pessoas podem ficar presas em determinados trechos devido às árvores queimadas e que tombam sobre o leito das estradas. Tal situação provocou a morte de muitas pessoas em Portugal no ano corrente - as pessoas ficaram aprisionadas sobre as rodovias tomadas pelas árvores em chamas. Tal situação também dificulta o deslocamento dos bombeiros e serviços de atendimento.

GARRAFAS DESCARTÁVEIS  E OUTROS MATERIAIS - CAUSAS PROVÁVEIS DE INCÊNDIOS - Ao longo do trajeto, vimos garrafas tipo pet, descartadas sobre a matéria orgânica seca. Uma dessas garrafas transparentes, contendo líquido, pode transformar-se numa lente que concentra os raios solares e a partir daí se tornar uma causa de queimada. Cacos de vidro, sob o sol e depositados sobre folhas secas, tem potencial para iniciar uma queimada.
Nas margens da estrada entre Coimbra e a vila de Luso - Concelho de Mealhada, constatam-se garrafas descartáveis sobre a massa seca das folhas de eucalipto.
TOCOS DE CIGARRO - Há também a questão dos fumantes que, inadvertidamente, podem largar tocos de cigarros acessos e que atingem a matéria orgânica seca. Eu vi alguns tocos de cigarro, bem próximo às folhas secas na beira da estrada.
DESCARGAS DE AUTOMÓVEIS - As descargas dos automóveis atingem altas temperaturas e podem também ser possíveis focos de fogo. 
Não se descarta a ocorrência de incêndios criminosos. Em minha opinião, a grande quantidade de focos de incêndio tem a predominância de outros fatores, como os já elencados acima. 
Nas áreas de florestas nativas, certamente os incêndios são menos frequentes.  
Matéria seca nas margens da estrada. Percebe-se uma garrafa descartável de plástico.

Grande volume de massa seca sob a floresta de eucalipto próximo à rodovia , proximidades de Luso - Portugal

SUGESTÃO DE AÇÕES PREVENTIVAS
Além do que já foi antes mencionado, sugiro mais as seguintes medidas de prevenção:
1) Ampliação da faixa livre de plantio de maciços florestais exóticas ao longo das estradas e prédios;
2) Nas faixas ao longo das estradas fazer o plantio de espécies que não propagam o fogo. Dentre as espécies nativas, é possível encontrar aquelas mais adaptadas para essa finalidade.
3) Realização de um programa de educação ambiental, envolvendo o poder público em todos os níveis, pessoas e instituições privadas com foco direcionado para a questão dos incêndios florestais. A discussão do aquecimento global vai além da liberação de gases do efeito estufa causado pelos automóveis, que consomem derivados de petróleo. Atitudes simples das pessoas comuns podem evitar grandes tragédias. Não jogar um toco de cigarro aceso ou uma garrafa descartável nas margens das estradas pode fazer a diferença e assim evitar um incêndio que libera milhares de toneladas de CO² - gás carbônico - na atmosfera.
Por fim, constatei que nas vilas e cidades por onde passamos não havia lixo descartado nas periferias, como ainda é comum no Brasil. Isto denota que não são os moradores locais que descartam pequenas quantidades de lixo, tipo garrafas descartáveis e outros materiais em pequeno volume. Provavelmente, esses são descartados por pessoas que circulam na região. Por coincidência, também nesta época do ano, o fluxo de turistas aumenta. 
Árvores de eucalipto muito próximas do leito da rodovia. Nas laterais massa seca, com predomínio de folhas. Próximo à localidade de Luso.





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