Por Darci Bergmann
Produtos falsos acompanham a humanidade faz muito tempo.
Mas alguns criam situações inusitadas. Um casal de namorados está numa tremenda
angústia tudo por conta da falsificação. O homem se apaixonara pela mulher, principalmente
porque ela exibia um belo bumbum. É aquela coisa de dar mais valor à forma do
que ao conteúdo. Paquera daqui e dali, o namoro se consumou e a relação se
tornou estável. Passados alguns meses, o namorado percebera que um dos lados do
bumbum da sua amada começara a deformar. Então foi informado por ela que o
bumbum recebera um enchimento de silicone e que este poderia ter se rompido ou se deslocado. Foi uma ducha de água fria na relação. Além do golpe psicológico nos dois
amantes. Nela porque a nova situação alterou a estética do corpo, com riscos à
saúde e, ainda pior: o abalo moral. Nele porque viu um dos atributos da amada
derreter-se a tal ponto que já não encontrava mais prazer nas relações íntimas.
O abalo psicológico evoluiu para um quadro de impotência sexual.
Fatos assim mostram o quanto homens e mulheres são vítimas
das propagandas enganosas de produtos que prometem milagres na estética
corporal. Até mulheres atraentes por natureza e que dispensam retoques
artificiais se submetem a intervenções desnecessárias. São implantes de
silicone em seios perfeitos, são lipo-aspirações ao menor sinal de algumas
estrias, são cirurgias plásticas em rostos encantadores.
A onda do silicone falso fez vítimas pelo mundo afora. Uma
conhecida minha entrou em depressão quando descobriu que havia recebido
silicone impróprio nos seios. A prótese não se rompeu até o momento, mas o
abalo moral piorou a qualidade de vida dessa pessoa.
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CIÊNCIA
Fundador da empresa de próteses mamárias PIP é condenado a quatro anos de prisão
Silicone industrial era utilizado na fabricação de implantes mamários da empresa. O produto pode se romper e causar infecções e irritações. Mais de 300 mil mulheres no mundo compraram as próteses.
Dois anos após o escândalo internacional das próteses de silicone de baixa qualidade importadas da França, o fundador da empresa Poly Implant Prothèse (PIP), Jean-Claude Mas, 74 anos, foi condenado nesta terça-feira (10/12) a quatro anos de prisão. Mas foi acusado de fraude e enganar conscientemente seus clientes durante anos.
Além da prisão, o tribunal de Marselha condenou o fundador da PIP a pagar uma multa de 75 mil euros e o proibiu de voltar a exercer cargos de gestão empresarial ou trabalhar no setor médico. Outros quatro ex-funcionários da empresa, incluindo o diretor do departamento financeiro, foram condenados com sentenças de variam de um ano e meio de liberdade condicional e três de prisão.
Todos os acusados admitiram que sabiam que as próteses eram preenchidas com um silicone industrial mais barato, diferente do produto declarado oficialmente, para obter lucros avaliados em um milhão de euros por ano. Mas eles afirmam, com exceção de um, que ignoravam os riscos à saúde.
Mas pediu desculpas às vítimas e continuou afirmando que o produto não é nocivo. Esse material vinha sendo usado desde 2001 na fabricação dos produtos da empresa. Pelo menos 300 mil mulheres no mundo possuíam implantes mamários fabricados pela PIP. No Brasil, cerca de 25 mil deles haviam sido comercializados.
Silicone industrial
Segundo um ex-funcionário da empresa, a economia não era feita somente com o gel de silicone usado para o preenchimento das próteses, mas também nas bolsas dos implantes. Em 2010, a comercialização desse produto foi proibida na França, devido ao alto índice de ruptura.
O último balanço da agência francesa de produtos de saúde registrou a ocorrência de mais de 7.500 rupturas e três mil efeitos secundários nocivos, principalmente reações inflamatórias.
A PIP chegou a ser a terceira maior fabricante de implantes mamários do mundo, mas faliu em 2010, quando o governo francês determinou um recall dos implantes. Em dezembro de 2011, o escândalo se tornou conhecido mundialmente, após autoridades da França recomendaram a retirada dessas próteses para as 30 mil mulheres no país que possuíam esse produto, pois eles poderiam se romper e causar infecções e irritações.
No Brasil, a comercialização das próteses PIP foram suspensas em 2010, após o governo francês divulgar informações sobre a possível fragilidade e a possibilidade de rompimento do produto.
CN/rtr/dpa/lusa/afp
Fonte: DW
- Data 10.12.2013
- Edição Renate Krieger
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