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9 de outubro de 2013

Geração de energia elétrica e conflitos sócio-ambientais






Por Melissa Bergmann


Participei no dia 04 de outubro de uma audiência pública na cidade de Santa Rosa, promovida pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES-RS). A pauta foi a discussão em torno da construção da barragem do complexo binacional Garabi-Panambi no Rio Uruguai, no trecho compartilhado com a Argentina. De acordo com a Eletrobrás, os aproveitamentos hidrelétricos de Garabi e Panambi somam 2.200 MW de capacidade instalada, com investimento de R$ 5,2 bilhões.
Na reunião, além de representantes do governo do Estado, governos dos municípios atingidos, assembléia legislativa e Eletrobrás, estiveram presentes também representantes de organizações de movimentos sociais, tanto dos municípios brasileiros, como Porto Mauá e Alecrim, quanto dos municípios argentinos, tais como Alba Pose e Aurora.
Se, por um lado, o crescimento econômico exige maiores demandas de energia elétrica devido à crescente industrialização, por outro surgem questões da ordem sócio-ambiental, que culminam na insatisfação, principalmente das pessoas que terão de abandonar suas terras e suas histórias de vida. O projeto Garabi, que data das décadas de 70/80, foi revisto e os estudos “garantem” que a área alagada foi reduzida em até 45% do projeto original, não atingindo o Salto do Yucumã, no Parque Estadual do Turvo.

Hidrelétrica Garabi-Panambi:
Audiência pública em Santa Rosa-RS
Entretanto, sabemos que os efeitos negativos de um barramento como esse não se dão apenas em número de atingidos e de hectares de terras, mas também em perdas e modificações de paisagens exuberantes da bacia do Rio Uruguai. Estima-se que sejam alagados mais de 70 mil hectares de área, num total de 19 municípios da região. Pode ser que o barramento não atinja diretamente o maior salto longitudinal do mundo, o Yucumã, mas corre-se o risco de se comprometer essa paisagem cênica.
Estamos cientes da crescente demanda de energia elétrica em todos os setores da sociedade brasileira. As hidrelétricas, porém, apesar de serem consideradas como geradoras de “energia limpa”, ocasionam grandes impactos ambientais. Por isso, em plena era tecnológica, torna-se imprescindível a pesquisa e o fomento da utilização de fontes alternativas de energia, tal como a energia solar, que pode ser conjugada com geradores de energia eólica. Já existem iniciativas aqui na cidade de Santa Rosa de fabricação de painéis solares, que posteriormente serão colocados no mercado para comercialização. Além disso, as companhias de energia elétrica já estão estudando a possibilidade de fazer a distribuição da energia através dessa fonte alternativa. O site do Ministério do Meio Ambiente se reporta ainda à energia solar térmica, ou seja, à utilização da energia solar para aquecimento da água, tanto para uso doméstico e piscinas, como para secagem e aquecimento industrial. Em Belo Horizonte já existem condomínios com instalação de aquecimento solar central. Apesar de existirem vários projetos para aproveitamento da energia solar no Brasil, os mesmos ainda ocorrem em pequena escala, tais como no atendimento a comunidades rurais e a populações de baixa renda, faltando maiores investimentos nas áreas industrial e urbana.

Hidrelétrica Garabi-Panambi: Comunidades atingidas no
Brasil e Argentina questionam obra que poderá desfigurar
ainda mais o Rio Uruguai.

Não se pode esquecer também que, apesar de ser uma fonte alternativa de energia, ela também apresenta impactos ambientais, na fase da produção dos módulos das células fotovoltaicas e ao final da vida útil, após 20 a 30 anos de geração, quando parte do material terá de ser disposto corretamente em um aterro sanitário.



25 de janeiro de 2013

Rio Uruguai: Histórias e natureza ameaçadas (3)


Continuamos o nosso roteiro pelas Missões e Noroeste gaúchos.


                                                            TUCUNDUVA

Município com economia baseada no agronegócio, comércio, serviços e indústria. Por muitos é considerada a 'terra da música', eis que tem conjuntos de reconhecimento nacional e até no exterior. A cidade apresenta bom visual, ruas limpas e com boa arborização. Tem vocação para o turismo, inclusive rural.






Melissa Bergmann e a menina Cíntia Rafaela de Oliveira, esta
moradora de Tucunduva.



                                          NOVO MACHADO

É município novo, baseado no agronegócio. A cidade é pacata, bom visual e limpeza impecável nas ruas. Aqui as moradias ainda não precisam de cercas e muros. As pessoas são muito atenciosas, caso do casal Valdi König e Elvira Sell König, que nos receberam e deram informações sobre a cidade e região. Chama atenção o fato de que as lavouras de soja ficam rentes à área urbana, como se fossem imensos jardins, pontilhados aqui e ali por remanescentes das matas nativas.






PORTO MAUÁ


De Novo Machado a Porto Mauá, cidade nas margens do Rio Uruguai, a paisagem é deslumbrante. Vales de um verde espetacular são emoldurados por morros ainda com remanescentes da floresta original. Tudo é muito bonito e as boas casas na zona rural são rodeadas de jardins floridos. Porto Maúá, depende do agronegócio e do turismo. A cidade é acolhedora. A população vive um drama.
A construção prevista da Usina Hidrelétrica Roncador, no Rio Uruguai, afogará terras, histórias e locais turísticos. A área urbana vai ser atingida em cheio. Quando visitamos a cidade, numa tarde quente de um domingo ensolarado, centenas, talvez milhares de visitantes e moradores se deliciavam com a sombra e a paisagem nas margens do Rio Uruguai.
Falamos com dezenas de pessoas e a maioria delas não quer saber de barragens no Rio Uruguai. As que foram construídas já deixaram marcas profundas de alteração ambiental. Com a escassez de chuvas, Itá, Machadinho e Foz do Chapecó chegaram a interromper ou diminuir a geração de energia. Mas os tecnocratas e as grandes empreiteiras querem mais barragens. E as outras alternativas de geração, porque não são implementadas?



Da esquerda à direita: Egon Köhler, Noêmia Pisoni Köhler,
Melissa Bergmann e Ana Luísa Bergmann Cardoso.
 A família Köhler mora a décadas neste refúgio próximo ao
Rio Uruguai, em Porto Mauá. Caso seja construída a UHE
Roncador, as indenizações reparam a história, a tradição e
os sonhos de tantos anos?