17 de julho de 2012

Os animais de estimação e os impactos ambientais (3)



Onça pintada:
Foto: Wikipédia


Animais retirados do seu habitat: um caso real com um filhote de onça


Por Melissa Bergmann


   Essa questão do cuidado com os animais domésticos é realmente muito delicada. As pessoas se apegam aos bichos, que são dóceis e as acompanham em suas vidas. Mas deve-se ter alguns cuidados, pois não se pode esquecer de que são animais, e não se deve tentar "humanizá-los". Há pessoas que capturam aves, serpentes ou outros animais para criá-los em suas casas, esquecendo-se de que a "casa" deles é o habitat natural, seja um bosque, um banhado ou a capoeira. Em uma visita a uma espécie de zoológico em Santa Maria, havia uma onça que foi capturada, quando filhote, por um médico no Pantanal, que a levou para criá-la em casa, junto com os cães. Acontece que o filhote cresceu e começou a devorar os cãezinhos. Sem saber o que fazer, o médico então doou o animal ao zoológico. Moral da história: os animais silvestres devem permanecer em seus habitats, e não ser domesticados.       Da mesma forma, o cuidado excessivo com os animais domésticos pode desencadear um desequilíbrio nos ecossistemas, aumentando sua população, e influenciando a passagem de outros animais de uma área a outra, ou atuando como predadores de seus ovos ou filhotes.   Assim, ao largar os filhotes de um animal em terreno alheio, ou alimentá-los, está-se promovendo o aumento de sua população de forma desordenada, o que aumenta também a proliferação de parasitas e doenças. Todo animal (doméstico)merece respeito, e por isso cada proprietário deve cuidar dos seus. 


12 de julho de 2012

Asas da liberdade


Foto: DW aves migratórias


Por Darci Bergmann

Alçando vôos em ar de graça,
Abrindo asas sobre as planuras,
Lá vão elas, lá nas alturas,
Aves em paz e liberdade faceira.
Seus cantos, na harmonia campeira,
E suas cores refletem no horizonte
A vida que nasceu livre na fonte,
Com a as aves de beleza inteira

Mas no calmo e harmonioso cenário,
Entre plantas e bichos na inocência,
Pessoas agem por inconsciência,
Despidas de amor e de sentimentos.
Prendem seres, por seus encantamentos.
Cessa a liberdade e inicia o claustro.
Ontem era o céu, hoje o holocausto,
Estrelas a menos no firmamento.

A vida sempre surpreende,
Nunca se perde a esperança.
Já vi tanto, tenho lembrança.
Talvez um dia o algoz carcereiro,
Banhado de luz, cesse o cativeiro.
E consigam as aves enjauladas
Estender asas e partir em revoadas,
Como almas, no espaço inteiro.

Obs.: O poema acima faz parte de uma campanha minha contra o aprisionamento de animais.

5 de julho de 2012

Os animais de estimação e os impactos ambientais (2)


Por Darci Bergmann

Gatos abandonados por seus antigos donos num espaço urbano.

   Ao longo de várias semanas, quase que diariamente, sobre o passeio público frontal à minha moradia, eu encontrava aquelas bandejas de ‘isopor’, com sinais de alimento consumido ali mesmo.  Deduzi que alguém das imediações alimentava algum bicho que deveria circular pelo meu pátio. Estranhei que aumentara o número de gatos – agora cinco – que se hospedaram na minha área, vindos de outras moradas. Esses gatos logo criaram uma tremenda confusão no habitat urbano. Escalam árvores onde se tornam predadores de ninhos de aves, prejudicando a reprodução natural de várias espécies. A espécie sabiá-laranjeira foi uma das mais afetadas, pois os ninhos são de fácil acesso aos gatos. Uma família de gambás sucumbiu à presença dos intrusos felinos. Reconheço que diminuiu o número de ratos, antes controlados por iscas e ratoeiras. Os muros e telhados se tornaram passarelas barulhentas dos bichanos. Em época de cio, como se sabe, os gatos fazem o maior escândalo. Os machos brigam na disputa pelas fêmeas e estas, em longos gemidos e alguma reação mais agressiva, simulam rejeição ao pretendido candidato. O ritual, ao que parece, é para estimular o momento ideal para o acasalamento.
A foto mostra uma fêmea de sabiá-laranjeira, ave símbolo do Brasil, chocando sob um telhado.
Dias depois dessa foto, foi predada por um gato doméstico.
Foto: Darci Bergmann
  
  O fato é que o espaço urbano disponível não garantia alimentação suficiente aos gatos, pois eu não os alimentava para não atrair outros da espécie. Daí que alguém teve a idéia de alimentar os bichos, espalhando comida sobre o passeio público – naquelas ditas bandejas. Essa pessoa, no intento de mostrar-se compadecida com os animais, encaminhou-os para o meu espaço verde. Só que isso trouxe um tremendo impacto sobre as outras espécies de animais ali estabelecidos. Não havia também controle da prole. Assim, tive que remover os que conseguia apanhar e repassá-los a algum interessado.  A pessoa, supostamente benfeitora de animais, causava poluição com as bandejas de ‘isopor’, um material que não é reciclado aqui na minha região.
  Muitas pessoas tem tido prejuízo nas suas hortas urbanas pela circulação inoportuna de gatos, que danificam canteiros e sementeiras.
  Não se trata aqui de pregar hostilidade contra os gatos e cães, mas sim formas de controle, que devem envolver as autoridades constituídas. A biodiversidade é ampla em espécies e o equilíbrio entre elas é necessário até nos espaços urbanos. Esse equilíbrio está perigosamente rompido, porque nós humanos adotamos algumas poucas espécies, em condições muito artificiais.

  Nas zonas rurais de algumas regiões do Brasil não é diferente. A proliferação de gatos e cães já coloca em risco de extinção algumas espécies de animais silvestres devido à redução dos seus habitats e à presença dessas e outras espécies, consideradas de estimação.  
  A questão é mais séria e envolve até a saúde pública, daí merecer maior atenção das autoridades e das pessoas em geral.
__________________________________________________

Mais sobre o tema:

Bom dia Brasil -  Edição do dia 18/12/2013
18/12/2013 08h59 - Atualizado em 18/12/2013 08h59


Fezes de animais contaminam areias de praias

famosas do Rio de Janeiro

Quando secas, elas se misturam aos grãos de areia e podem causar doenças. Trechos de Ipanema, Copacabana e Arpoador estão impróprios.



A uma semana para o começo do verão, a areia de algumas das praias mais famosas do Rio está  suja. E os banhistas devem ter cuidado.
Trechos das praias mais famosas, como Copacabana, Ipanema e Arpoador, atualmente não são recomendados.
Não é só o lixo que muitos banhistas ainda insistem em não depositar nas lixeiras que polui a areia. Existe uma outra razão, considerada pelos especialistas, ainda mais grave. E pior: ela pode estar bem escondida.
São as fezes de animais, principalmente de cachorros. Elas ressecam e se misturam nos grãos de areia.
A análise da prefeitura apontou que: em cada cem gramas de areia foram encontrados acima de 3.800 coliformes fecais.
Uma lei estadual aprovada este ano determina que a praia tenha placas indicando a qualidade da areia, mas ainda não foi regulamentada.
Na cidade do Rio, cachorros nas areias são proibidos. “Não basta só pegar o cocô, tem que não deixar os cachorros andarem na areia, né?”, diz um banhista.

A prefeitura já pensa até em multar os donos. “É uma questão de disciplina, de a gente entender que a saúde da população é fundamental, e romper esse individualismo”, afirma o secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz.
Mas tem gente que não pensa assim. “Quem polui a areia são os humanos que jogam, deixam resto de comida, e fica cheio de pombo na areia”, diz o publicitário Ricardo Martins.
A verdade é que as fezes dos animais são perigosas para os banhistas. Podem levar a doenças como infecções na pele e micoses.
“É muito comum em peles mais finas, peles de crianças, de idosos, tem que se tomar cuidado”, alerta a dermatologista. “Calçados, toalha, procurar colocar em cima, ambientes que a criança, principalmente as crianças, não entrem em contato diretamente com a areia”.


Os animais de estimação e os impactos ambientais (1)



Por Darci Bergmann

   O tema é delicado, pois envolve questões afetivas. Antes, devo dizer que sou um defensor intransigente de todas as formas de vida, desde que em condições naturais ou o mais próximo possível delas. Ocorre que tenho observado tendência de algumas pessoas em adotar animais de estimação e transformá-los em mimos que chega às raias da obsessão e com altos impactos ambientais. No fundo de tudo isso, existe o foco do consumismo dirigido pelos que lucram fortunas com isso. Eis alguns casos desse comportamento obsessivo.
   Faz alguns anos, um casal adotou um papagaio de estimação, notòriamente fruto da traficância. O papagaio recebe todos os ‘cuidados’, articula palavras, mas a maior parte do tempo está na gaiola sob uma copa de árvore, esquecido pelos ‘donos’, que estão mais ligados na televisão. Na visão do casal, o eventual carinho dispensado ao bicho é suficiente para caracterizar esse cárcere privado como paixão pela natureza. Certamente nunca lhes passou pelos neurônios que se a ave estivesse livre, no seu habitat, poderia se acasalar e perpetuar a espécie. Agora, domesticada, ela depende dos humanos, pois tem até dificuldade de voar.
   Num outro caso, uma viúva foi presenteada com uma avezinha canora como forma de atenuar o sofrimento pela perda da pessoa amada. O bichinho, solitário na pequena gaiola, até que faz muita cantoria. No meu modo de ver é para chamar atenção, uma tentativa de atrair, pelo canto, uma fêmea da sua espécie que estivesse próxima.
  Nas redondezas do meu refúgio urbano, ocorrem situações no mínimo bizarras, quando o tema é animais de estimação. Mulheres de várias faixas etárias passeiam com os seus cães pelas calçadas, com aquelas paradinhas obrigatórias para fazer xixi e cocô. Os dejetos ficam por ali mesmo e a dona do bicho ainda torce o nariz quando alguém reclama.
    Descobri que uma dessas senhoras obsessivas por cães gasta fortunas mensais com o trato dos bichos, todos à base de rações e xampus caros, banhos, tosas e tudo o mais que garanta uma boa assepsia. Nas compras, não usa dinheiro papel, pois poderia estar ‘contaminado’. No entanto, ela passeia nas ruas com os seus cães, ruas essas que recebem os dejetos de outros animais, escarros humanos, poeiras e derrames de produtos diversos. Em seqüência, ela põe os cães no colo e ainda os beija na ‘boca’, depois que botaram o focinho no cocô alheio – cachorro gosta de cheirar qualquer coisa diferente. Já vi a madame colocando os cães no seu carrão do ano, sobre os bancos, é claro, depois que espalmaram as patas nos passeios públicos. Essa mesma pessoa, tão preocupada com a assepsia, certamente, num banheiro público, vai exigir torneira com sensor, secador das mãos automático ou coisa assim. Não se trata de um contra-senso?

2 de julho de 2012

O valor de um abraço

Por Darci Bergmann



Não somos máquinas. Temos sentimentos e vibrações que vão alem do corpo visível. Sendo assim, somos  mais perfeitos que qualquer máquina, por mais tecnologia que esta possua. No afã de buscar mais sofisticação, esquecemos das coisas aparentemente simples que a vida nos proporciona. Damos muito valor a certas extravagâncias, tudo para aparentar um status que não se traduz em real felicidade.  
A sociedade consumista nos induz cada vez mais a adquirir coisas supérfluas, repor equipamentos sempre em busca de novos modelos e assim o Planeta Terra se torna uma enorme lixeira. A vida simples de consumir só o estritamente necessário não interessa aos que defendem o crescimento ilimitado. Fala-se muito agora em desenvolvimento sustentável, uma tentativa menos impactante de manter a civilização predatória que forjamos. Pagamos um alto preço por certas conquistas, mas nem sempre somos mais felizes por isso.
Dia desses, eu andava angustiado por algumas situações inusitadas que me acometeram. Noites mal dormidas e preocupações de toda ordem me levaram ao estresse. Some-se a tudo isso a ‘necessidade’ de modernização da minha microempresa. Nela nem máquina leitora de cartões de compra estão instalados. Tudo ainda funciona na base da moeda sonante. Os recursos que seriam utilizados para a modernização deveriam sair do meu salário empresarial. Por prioridade ambiental eles foram investidos no plantio de árvores nativas no meu sítio. Foram mais de mil, somando-se às milhares já existentes. Em meio à crise ainda ocorreu um desacerto no plano sentimental, pois todas as ações dependiam de mim e eu estava no limite das minhas forças para agüentar o tranco. Numa dessas noites de insônia, ocorreu-me um pensamento. Frear essa correria desvairada e manter só o possível em andamento. Em outras palavras, optar pela simplicidade e buscar o equilíbrio interior. No dia seguinte, caminhei pela cidade, na base do ‘deixa a vida me levar’.  Então encontrei uma pessoa do sexo oposto que há muito tempo não via. E jogamos conversa fora, pois tínhamos quase a mesma idade e as mesmas preocupações existenciais. Ao me despedir, recebi um pedido da interlocutora. Ela simplesmente queria um abraço fraterno, sem nenhuma malícia, até porque era na rua e à vista de outras pessoas. Abracei-a e desejei-lhe um ‘Deus te acompanhe’. Curiosamente dormi bem naquela noite e no outro dia consegui resolver uma série de questões que pareciam complicadas.
O episódio acima revela como nós somos vulneráveis a essa vida agitada. Coisas tão simples como um abraço fraternal são capazes de terapias que nem os medicamentos às vezes conseguem. Concluo, então, que se quisermos um planeta equilibrado precisamos buscar o equilíbrio interior. Não se reforma o mundo sem reformar as pessoas, sem novas atitudes.  Um abraço não tem preço, mas tem um valor imenso.
Um fraternal abraço a todas e a todos.

18 de junho de 2012

Dupla insolvência traz sérios riscos à economia mundial



Dirk Messner, diretor do Instituto alemão para Política de Desenvolvimento, teme que a crise econômica ofusque o debate sobre sustentabilidade.
A economia mundial está de novo à beira do desastre, passados apenas quatro anos da falência do gigante bancário Lehman Brothers, que precipitou uma crise econômica à escala global. Nos EUA, a administração Obama luta contra altos índices de desemprego, uma enorme dívida pública e um déficit comercial igualmente problemático.
Enquanto isso, a Europa luta contra a insolvência da Grécia e contra o agravamento da situação na Espanha, Itália e Portugal. Antes impensável, há quem discuta hoje o fim da moeda única, o que poderia significar o colapso do projeto de integração europeia.
Na Ásia, o Japão é obrigado a buscar uma nova abordagem para a sua política energética, após a catástrofe de Fukushima em 2011, para impulsionar a economia.
O JP Morgan, um dos maiores bancos norte-americanos, anunciou no dia 10 de maio ter perdido 1,5 bilhão de euros em especulações de alto risco. O Wall Street Journal calcula que o valor total dos prejuízos possa atingir os 3,5 bilhões de euros. O cassino global continua aberto ao público
Alguns dos países-membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – em concreto, o G7, o clube das nações industrializadas mais importantes – se encontram numa situação verdadeiramente difícil. Eles estão no centro das turbulências econômicas internacionais e dependentes dos fluxos financeiros dos países emergentes. A Europa precisa da ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) para estabilizar a crise nos países do sul do continente.
O Ocidente vive uma crise de insolvência. Quem teria ousado pensar nisso quando caiu o Muro de Berlim em 1989 e as economias de mercado ocidentais foram as únicas a saírem vitoriosas da Guerra Fria?
Rio+20 à sombra da crise econômica
Agora, na conferência do Rio de Janeiro, será debatida a proteção do meio ambiente a nível global, tal como o desenvolvimento sustentável. Mas quem se interessa por isso em plena crise econômica?
Pelo menos os líderes dos países da OCDE parecem não se interessar. No último encontro do G8 em Camp David e na cúpula da União Europeia no final de maio, foram debatidas "duras questões econômicas". Pouco se mencionou a conferência no Rio. No início de maio, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, já havia rejeitado o convite para participar na conferência.
Devido às crises econômicas no Ocidente, a economia parece ter sido priorizada em relação a todo o resto: como combinar a redução da dívida com a revitalização da economia para evitar um colapso mundial? Não há sucesso econômico sem crescimento, mas em quais áreas específicas se deve promover o crescimento? Será que devemos seguir consumindo recursos de forma galopante, aumentando as emissões de gases de efeito estufa, contribuindo para perigosas alterações climáticas, degradando o ecossistema?
Estes são temas da conferência no Rio de Janeiro que parecem interessar pouco a chefes de Estado e de governo, ou mesmo a ministros das Finanças. A maioria dos governos optou por enviar seus ministros do Meio Ambiente ou do Desenvolvimento, relativamente menos influentes.
Mas a mensagem do Rio é clara e deveria ser do interesse das lideranças políticas. O economista e prêmio Nobel norte-americano Michael Senge a resumiu numa frase: "Tendo em conta que a população mundial cresce em direção aos 9 bilhões de pessoas e considerando a crescente prosperidade na Ásia, na América Latina e mesmo em algumas partes da África, não podemos simplesmente manter os atuais padrões de produção e de crescimento".
Insistir no mesmo caminho levará a uma segunda crise de insolvência – a falência dos ecossistemas.
Fonte: DW

16 de junho de 2012

A utopia dos ambientalistas

Por Darci Bergmann

   O desejo dos ambientalistas é um mundo melhor e de mais felicidade. Thomas Morus também imaginou uma ilha do Planeta Terra onde os seres humanos encontrariam felicidade plena. Em Utopia não havia criminosos, luxúria e as relações humanas estavam baseadas no conceito da honestidade e do amor ao próximo.Não circulava moeda e cada um tinha o necessário para sobreviver. Do imaginário para o real, o nosso cotidiano é bem diferente. Veja-se a questão ambiental. Os ambientalistas, na sua maioria, não querem a valoração econômica dos recursos naturais. Em outras palavras, a mercantilização da Natureza. Em tese seria bom que assim fosse, mas na prática as coisas não são assim. Exemplo disso é a água potável. Ela é considerada um bem público e seu uso depende de outorga do Estado. Assim, não se pode comprar ou vender água, apenas se adquire o direito de usá-la. Baseados em conceitos assim, parcela considerável dos ambientalistas é contra o pagamento por serviços ambientais. Então seria o caso de o Estado fornecer o serviço de abastecimento de água potável de graça para a população. Mas isto não ocorre. O serviço de colocá-la à disposição tem custos e estes devem ser pagos por quem os utiliza. 
   No mundo real, produtos, serviços, bens de qualquer espécie são valorados e passíveis de serem vendidos ou adquiridos mediante trocas ou pela cotação de moeda. Isto entre pessoas e entre corporações e países. 
   Agora, na Cúpula dos Povos, evento paralelo à Conferência da ONU, denominada Rio+20, os líderes das organizações sócioambientais novamente se opuseram aos conceitos da economia verde e contra o pagamento pelos serviços ambientais. Na minha opinião, o conceito de economia verde é apenas um chavão que nada muda em termos de desenvolvimento sustentável. Já com relação aos serviços ambientais, chego à conclusão de que eles devem ser pagos. Caso contrário, a maioria das pessoas não dará maior importância à questão ambiental. Alguém já imaginou como ficariam nossos mananciais se os serviços de abastecimento de água fossem de graça, como na Utopia de Thomas Morus? Ou alguém imagina que a civilização preservaria as florestas só pelo amor à Natureza?  Com uma população mundial crescente, estimulada ao consumismo predatório, é preciso que a sociedade entenda que os bens naturais e os serviços para conservá-los tem custos. A Economia e a Ecologia aqui se encontram. A lei da oferta e da procura se conecta com a necessidade de conservar os bens naturais para que estes propiciem um desenvolvimento sustentável. Isto significa que todos os humanos tenham direito de usufruir dos bens naturais. No entanto, se o número de consumidores aumentar além da capacidade de suporte do sistema natural, este entrará em colapso. Não há mágica. 
   Volto à chamada Cúpula dos Povos, paralela à Rio+20. Não pude me deslocar para o evento. No mundo utópico, talvez eu pudesse ir. Não precisaria pagar as despesas de viagem, hospedagem, alimentação, nada teria custo. Todos os serviços de que eu necessitasse me seriam colocados à disposição pela simples razão de não haver moeda e todos trabalharem movidos por uma causa humanitária.
Mesmo assim, poderia ocorrer um colapso no evento Rio+20. Os mais de sete bilhões de habitantes, no mundo utópico, teriam o mesmo direito de se deslocarem sem custos, varando oceanos e continentes. Onde se hospedaria tanta gente? Que impactos isso traria ao Planeta? Quem arrumaria a Casa depois? Como eu sou ambientalista do mundo real, não fui à Rio+20, por economia e escala de prioridades. Participei do Fórum Global, evento paralelo à Rio 92. Conheci muita gente e vi dos seus anseios por um mundo melhor. E vi depois frustrados os resultados daquela Conferência. Agora, estou num projeto de arborização com mil exemplares de espécies florestais nativas, no meu pequeno sítio.  Não espero retorno financeiro disso. Desloco parte dos meus parcos ganhos para esse fim, deixando de adquirir algum bem supérfluo.  Divido as tarefas de plantio com um ajudante eventual, pagando-lhe por esses serviços ambientais.  Afinal, ele precisa se alimentar, se vestir e conservar a sua viatura pessoal - uma bicicleta. Com a estiagem,  a água ficou escassa. Providenciei na abertura de 'poços de balde', tudo pago em moeda corrente.  Os serviços ambientais de uma fração de quase dois hectares de área que deixei em recuperação espontânea retêm um pouco de umidade.Talvez os ambientalistas que são contra o pagamento por serviços ambientais consigam o milagre de fazer tais tarefas ou mandar fazê-las sem nenhum custo, apenas porque são movidos pelo amor à humanidade e à Natureza. E talvez ainda consigam transporte, alimentação, energia, celulares, computadores e serviços de internet, tudo de graça. 
   Desde que se criou a concepção de Estado, o ser humano passou a sustentá-lo, pagando-lhe por seus serviços e até quando não os faz e dilapida recursos públicos. Qualquer serviço tem um custo e dá direito à remuneração justa pela sua execução. Se até os serviços das prostitutas são reconhecidos em lei e podem ser cobrados, porque um pequeno proprietário que preserva e zela pela conservação dos recursos naturais não poderia ser remunerado, até como incentivo?  No mundo real dessa civilização aloprada, a escala de valores é outra. Uma Copa do Mundo consome somas bilionárias, tudo subvencionado com dinheiro público. Em tal cenário, a conservação dos recursos naturais fica difícil e ocorre até o desmonte de serviços como   fiscalização,  monitoramento, a prevenção às queimadas e outros mais.
    Seria bom viver no cenário da Utopia. Assim, nem o ambientalismo seria necessário. 

10 de junho de 2012

O padrão Steve Jobs é predador


José Pio Martins

Por que milhões de pessoas estão descartando aparelhos novos, diminuindo o tempo de vida dos produtos e adquirindo modelos novos com pequenas melhorias?

Vou nadar contra a correnteza. Afirmo que o modelo de consumo imposto por Steve Jobs é predador e prejudicial ao futuro da humanidade. A morte de Steve elevou-o à condição de mito e chegaram a compará-lo a Leonardo da Vinci. Ele era um gênio da engenharia, disso não discordo. Mas penso que sua obsessão quase louca por lançar um produto e, alguns meses depois, relançá-lo com melhorias marginais, e seu êxito em conseguir convencer multidões a substituí-lo compulsivamente em período curto contribuíram para a exploração irracional e destrutiva dos recursos ambientais.

Debati esse assunto em uma mesa-redonda na qual o palestrante louvava Steve Jobs como um ser quase extraterrestre, um deus que estaria propiciando aos humanos um patamar superior de vida na Terra. Jobs ofereceu coisas novas e boas, sem dúvida; mas também contribuiu para o consumismo predador.
Antes, é preciso esclarecer um ponto: há inovações que são caracterizadas como “saltos tecnológicos”, enquanto outras, não. A evolução da abreugrafia (o raio X) para a ressonância magnética; da máquina de escrever para o computador; do telefone fixo para o celular; da carta para o e-mail, a invenção da internet... todos esses são exemplos de saltos tecnológicos geniais e extremamente úteis à humanidade. Mas sair de um iPad 1 para um iPad 2 não é salto tecnológico algum, são apenas melhorias marginais na mesma tecnologia e no mesmo produto.
Fiz, ao palestrante, a seguinte pergunta: “Diga-me em que a humanidade se torna superior por adquirir um iPhone e, antes de dominar e usar 20% de seus recursos técnicos, substituir pelo modelo 2, comprar o modelo 3 em mais seis meses... o modelo 4... o modelo 5...?”. Na realidade, afirmei, nada há de superior nisso, e o descarte de produtos praticamente novos está causando destruição de recursos naturais, aumentando o lixo mundial e colocando a humanidade em um beco capaz de comprometer a vida de nossos filhos e das gerações seguintes.
Há pessoas que compraram o iPad 1, exploraram uns 5% de sua capacidade, jamais leram um único livro em seu leitor eletrônico e, eufóricos, compraram o iPad 2 apenas meio ano depois. E irão comprar o iPad 3, o iPad 4 e quanto mais houver. E precisam disso? Não. Não precisam e não usam 80% do equipamento. Por que milhões de pessoas estão descartando aparelhos praticamente novos, diminuindo o tempo médio de vida dos produtos, e adquirindo modelos novos do mesmo, praticamente iguais, com pequenas melhorias marginais? É apenas fruto de desejo, ansiedade, consumismo e exibicionismo, vícios que são antigos. Na obra Satiricon, escrita por Petrônio na época do Império Romano, o milionário diz: “Só me interessam os bens que despertam no povo a inveja de mim por possuí-los”. Karl Marx voltaria ao assunto, para dizer que “o fetiche da mercadoria vai transformar todas as relações sociais em mercadoria”.
A indústria programa desgastes artificiais dos produtos e provoca sua obsolescência em períodos curtos, como forma de obrigar os mesmos consumidores a uma reposição mais rápida. Ao constatar que a troca de uma peça simples de seu aspirador de pó custava quase o mesmo preço de um aspirador novo, a professora italiana Giovanna Micconi, doutorando em Harvard, afirmou que “algo de muito errado está acontecendo com nossa sociedade”.
O caso do aspirador de pó é uma situação que deixa o consumidor meio sem alternativa. Porém, as versões novas de telefones, televisores, carros, computadores, tablets e até de roupas nos levam a entrar na onda de trocar o tempo todo apenas pela angústia de comprar. E há um sério agravante: grande parte dos consumidores está comprando tudo isso não com renda, mas com dívidas.
O economista Eduardo Gianetti deu entrevista indignado com a incapacidade da economia de mercado (da qual ele e eu somos fãs) em levar em conta o custo ambiental de nossas escolhas de produção e consumo. Ele fala da “corrida armamentista do consumo”, que, com mais bilhões de chineses e indianos ingressando no mercado consumidor, vai explodir os recursos do planeta. A Terra não vai aguentar.
O abacaxi está posto para a humanidade e esse padrão de consumo, do qual Steve Jobs é um símbolo, não é sustentável. A genialidade e as inovações são úteis; o consumismo que elas estão moldando é trágico.
 

5 de junho de 2012

Qual é mesmo o Dia Mundial do Meio Ambiente?


 Grupo Maturidade Ativa, do SESC, visitou o Centro Ambiental
 no Dia Mundial do Meio Ambiente
foto: Darci Bergmann

Por Darci Bergmann


    No calendário das comemorações oficiais foi escolhida a data de 5 de Junho. Para quem se preocupa em estabelecer uma relação mais harmoniosa com o meio ambiente, é qualquer dia do ano. E há diferenças nessas interpretações. Nada invalida que a data seja motivo de atividades mais intensas sobre o tema, especialmente nas instituições de ensino e na esfera da governança. Mas vejamos bem. Nesse dia do calendário oficial, o número de 'ambientalistas' aumenta e os discursos são fartos. Parece até que a preocupação com o meio ambiente está em primeiro plano. Com o passar dos dias a realidade se mostra outra.  Encolhe de novo o contingente de ambientalistas e estes remanescentes até podem ser execrados por parte daqueles que só enxergam a natureza como algo a ser manipulado por interesses imediatistas. 
    É o que constatei com a questão envolvendo as mudanças no Código Florestal. Os ambientalistas de fato, aqueles que se mobilizam no dia a dia, educando, propondo um estilo de vida mais sustentável, com ações concretas, foram muitas vezes acusados de servirem aos interesses estrangeiros. Não só isso. Grupos poderosos com representação no Congresso tentam amedrontar a opinião pública  com a suposta falta de alimentos, caso as propostas dos ambientalistas para o Código Florestal sejam acolhidas.
Ora, a realidade e os fatos climáticos estão aí a demonstrar que não foi a legislação ambiental, aí incluído o Código Florestal então vigente, a responsável pela diminuição na produção de alimentos nesta última safra. As mudanças climáticas, estas sim, deveriam causar preocupação aos líderes do agronegócio brasileiro. Agora e no futuro. 
     Deveria também preocupar as elites que parte considerável dos alimentos são desperdiçados e não por culpa dos ambientalistas. Isto aqui no Brasil e em outros países. No mundo, o desperdício de comida atinge os milhões de toneladas. Em matéria veiculada na televisão, um único restaurante norte-americano admitiu jogar no lixo, todos os dias, quase quatrocentos quilogramas de alimentos. 
    Também se faz um alarde quando o tema é a matriz energética. Os ambientalistas que se opõem a algumas dessas obras das grandes hidrelétricas são taxados de inimigos do progresso. Mas que progresso é este que sepulta centenas de milhares de hectares de terra e desloca populações inteiras? Algumas dessas usinas só atendem o interesse das grandes empreiteiras. Uma delas está agora na mídia por envolvimento em corrupção. Vai muito dinheiro público no rolo dessas grandes obras. Esses recursos poderiam financiar outras alternativas energéticas, mais sustentáveis.

Alunas do Instituto Federal Farroupilha, em São Borja,
  realizaram atividades alusivas ao Dia Mundial do Meio Ambiente.
Foto: Darci Bergmann

     No cenário das Nações Unidas o discurso ambiental nem sempre se traduz em mudanças concretas para um modo de vida mais sustentável. Como exemplo, está aí a emperrada Agenda 21. A proposta em si é boa. Ela se constitui em uma ferramenta para atingir a sustentabilidade com apoio das populações. Faço a leitura que a politicagem imperante não quer a efetiva participação da sociedade na busca de alternativas sustentáveis. Boa parte dos mandatários são populistas. E assim gasta mais em foguetório, propaganda e coisas de fachada em prejuízo de programas mais consistentes sob o ponto de vista socioambiental. Alguns países, estados e até cidades são exceção. Conseguiram até avançar. 
      Agora, na Rio+20, há um novo discurso oficial que fala na 'economia verde' como pressuposto para alcançar a sustentabilidade. Desde a Rio 92 não se conseguiu implementar a Agenda 21, por falta de vontade política. Vamos ter que incluir novas palavras no nosso cotidiano. Motivo para muitos discursos e palestras de 'ambientalistas' de palanque eleitoral. O lado positivo da Rio+20 entendo que seja a participação popular, com as suas experiências em ações efetivas. 
      Assim, descontada a maquiagem verde que aparece no Dia Mundial do Meio Ambiente e em outras ocasiões, é possível e necessário que cada de nós inclua o tema ambiental nas ações diárias. Cada dia é um dia do meio ambiente.
         


28 de maio de 2012

Esperando a seca mais atroz



Solos prejudicados pela erosão, no município de
 San Cristóbal de las Casas, Chiapas, México.
Crédito:Maurício Ramos/IPS

Por Stephen Leahy

Uma aridez severa e permanente é o futuro previsto por vários estudos científicos para boa parte de México, Estados Unidos e América Central.


UXBRIDGE, Canadá, 21de maio de 2012 (Tierramérica).- Nos mapas que mostram a umidade que terão os solos neste século, México e América Central parecem cobertos por sangue seco. 


Os resultados de 19 modelos climáticos informatizados indicam condições de seca extrema e persistente (coloridos de marrom escuro nos mapas) para quase todo México, o meio-oeste dos Estados Unidos e a maior parte da América Central. Se o aumento da temperatura média do planeta chegar a 2,5 graus em relação à era pré-industrial, como muitos cientistas estão prevendo, essas regiões passarão a conviver com essa aridez severa. 



A situação será pior do que a atual seca do México ou a vivida pelos Estados Unidos na década de 1930, quando intensas tempestades de poeira forçaram a migração de centenas de milhares de pessoas. 



Estas são algumas das conclusões do estudo Projections of Future Drought in the Continental United States and Mexico (Projeções de Seca Futura nos Estados Unidos e México Continentais), publicado em dezembro de 2011 na revista Journal of Hydrometeorology, da American Meteorological Society, e que passou praticamente despercebido.



“As condições de seca prevalecerão, não importa quais forem os registros de precipitações no futuro”, disse ao Terramérica o coautor do estudo, Michael Wehner, cientista climático do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, um centro de pesquisas do governo norte-americano no Estado da Califórnia. “Mesmo nas regiões onde haverá mais chuva, os solos se tornarão mais áridos. Esta é uma descoberta bastante contundente”, acrescentou.



Se não houver importantes reduções nas emissões de dióxido de carbono, como as derivadas da queima de combustíveis fósseis, o aquecimento global chegará a, pelo menos, 2,5 graus entre 2050 e 2090, dependendo da proporção de gases-estufa, da sensibilidade climática e da capacidade de resposta.



Os 19 modelos empregados neste estudo mostram que o calor crescente secará tanto os solos que nem mesmo uma quantidade maior de chuva poderá recuperar seus níveis de umidade. As temperaturas do ar causarão maior evaporação, secando ainda mais os solos. 



A mudança climática também está alterando os padrões de precipitações, concentrando mais e mais chuvas nos meses de inverno. E é mais provável que este fenômeno se manifeste como precipitações muito copiosas e curtas, advertiu Wehner.



Uma vez que o solo esteja seco, a energia solar começa a cozinhá-lo, o que, por sua vez, esquenta ainda mais o ar, explicou ao Terramérica a pesquisadora Beverly Law, especialista em mudança climática da Oregon State University, durante a 16ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, realizada em 2010 no balneário mexicano de Cancún.



Grandes áreas do Hemisfério Sul, por exemplo na Austrália, África e América do Sul, sofreram processos de aridez e desertificação na última década, segundo o estudo Climate Change: Water Cycle Dries Out (Mudança Climática: o Ciclo da Água Seca), publicado em 2010 por Law e seus colegas na revista Nature.



Outra pesquisa divulgada em 2010, Drought Under Global Warming: A Review (A Seca no Aquecimento Global: uma Avaliação), examinou projeções climáticas e determinou que os solos apresentarão aridez extrema em boa parte dos Estados Unidos, do México e da América Central até 2060, com esse processo começando bem antes dessa data. 



Este estudo, de Aiguo Dai, cientista do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica, no Estado norte-americano do Colorado, também prevê um cenário semelhante para a o nordeste da América do Sul. “Se essas projeções se aproximarem da realidade, as consequências sociais serão enormes em todo o mundo”, afirmou Dai na ocasião.



Segundo Wehner, as últimas previsões surgidas dos modelos informatizados mais modernos e ainda não divulgados mostram resultados muito semelhantes. “No mínimo, prevemos severas secas no futuro”, apontou. 



O que estas projeções representam para as gerações futuras é “um tema que para mim é muito difícil de falar”, admitiu ao Terramérica. Ao mesmo tempo há poucas pesquisas sobre como a aridez extrema incidirá na agricultura, na disponibilidade de água e nos assentamentos humanos.



“Procuro trabalhar com cientistas agrícolas e de outros campos para determinar esses impactos, mas não encontro financiamento”, lamentou. Lester Brown, especialista internacional em assuntos agrícolas, disse ao Terramérica que “é difícil imaginar as consequências. 



Já estamos à beira do precipício”. O México vive atualmente sua pior seca em 70 anos. O Estado do Texas, no sul dos Estados Unidos, sofreu a sua em 2011, e 56% do território desse país estava em situação de seca no dia 8 deste mês, quase o dobro da área afetada no ano passado, segundo dados do U. S. Drought Monitor.



“Os agricultores de todo o mundo estão batalhando para satisfazer a demanda de alimentos”, observou Brown, presidente do Earth Policy Institute, com sede em Washington. O consumo mundial de grãos cresceu mais que o dobro, bem como os preços.



A escassez de água, os eventos meteorológicos extremos e as temperaturas elevadas já estão causando efeitos, detalhou.



“Todo nosso sistema agrícola é baseado nas condições meteorológicas estáveis que desfrutamos nos últimos milênios. Só que isso está mudando. A agricultura e o clima já não estão em sintonia”, alertou Brown. 



Neste contexto, há uma aceleração na corrida para monopolizar terras cultiváveis e água. No entanto, a concentração da propriedade agrária é a pior resposta para estes problemas, ressaltou.



Nos últimos anos, especuladores, bancos de investimento, fundos de pensão e corporações estatais se apropriaram de aproximadamente 200 milhões de hectares de terras de agricultores pobres de África, América Latina e Ásia. 



E, quando a população local fica sem terra e sem água, se desespera e cai em reações violentas, segundo Brown. “Temos que trabalhar juntos. Não podemos responder a estes desafios se cada país continuar pensando em salvar sua própria pele”, enfatizou.