27 de março de 2015
Plante Uma Vida, Plante Uma Árvore: Semeadores alados
Plante Uma Vida, Plante Uma Árvore: Semeadores alados: A gralha-picaça é excelente semeadora de várias espécies vegetais. Foto: Darci Bergmann, São Borja-RS, Brasil Por Darci Bergmann* ...
Semeadores alados
| A gralha-picaça é excelente semeadora de várias espécies vegetais. Foto: Darci Bergmann, São Borja-RS, Brasil |
Por Darci Bergmann*
Várias
espécies de aves nos inspiram curiosidades e admiração. Os sabiás, por exemplo,
tem o dom de um canto maravilhoso, com variações melódicas que lhe dão fama.
Além de bons cantores, esses pássaros agem como semeadores de florestas.
Apreciam frutas silvestres do tipo bagas, como aquelas das canelas, camboatás,
do exótico cinamomo, entre outras. Promovem a disseminação de árvores e
arbustos, proporcionando maior diversidade de plantas, mesmo em monoculturas,
como as de eucaliptos.
No meu sítio, estou promovendo o plantio
diversificado de espécies florestais e os pássaros proporcionam ajuda
inestimável. Eles trazem sementes de outras espécies, enriquecendo a floresta
por mim iniciada. Alguns fatores atraem os pássaros, tais como outras árvores e
arbustos para pouso, não serem enxotados pelos humanos, não realização de
queimadas, etc. Capoeiras em estágios diversos também atraem, porque nelas já
existem abrigo e arbustos que lhes permitem ficar fora do alcance de
predadores. Em pouco tempo, os resultados começam a aparecer: aroeiras, taleiras,
pitangueiras, carvalinhos, os já citados canelas e camboatás, são algumas das
muitas espécies propagadas pelos pássaros. A lógica da natureza nem sempre é
compreendida pelos humanos.
É bom
sempre repetir. Por questão de segurança, a maioria das espécies de aves
prefere construir seus ninhos em locais onde a vegetação é mais densa, numa
altura que varia entre um e quatro metros. Aquilo que para nossa espécie parece não ter valor, para as aves e outros animais pode ser a condição de
sobrevivência. Daí a importância das capoeiras. Com o passar do tempo, árvores
de maior porte podem ali se desenvolver, especialmente as que precisam de
sombra quando jovens. Precisamos mais florestas nativas para proteger os nossos solos da erosão e conservar nossos mananciais de água.Nós humanos deveríamos aprender com os pássaros. Eles retribuem as dádivas da natureza com o
plantio de diversas espécies de plantas. Enquanto isso, alguns humanos ainda teimam em destruir capoeiras e florestas, sem conhecer o real valor dessas formações vegetais, tão importantes para a nossa própria sobrevivência. Até quando?
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Nota: O artigo original Semeadores alados,de minha autoria, foi publicado no boletim Voces, edição fevereiro de 1996, Santo Tomé, Argentina. O texto neste blog foi atualizado com pequenas alterações.
18 de março de 2015
Carta para a presidente Dilma Rousseff
Por Darci Bergmann
Presidente
Dilma. Na década de 1970, eu lutei contra o regime militar. Você também lutou.
Mas as nossas lutas tinham motivações diferentes. A minha era pela normalidade
democrática. A sua era para substituir um regime por outro, muito pior, como a ditadura de Fidel Castro, que assassinou milhares de cubanos, muito mais que os mortos
atribuídos aos governos militares que você queria destruir. Sim, lutei contra o regime
militar, fui detido nessa época, mas o fiz pelas idéias e não empunhando armas,
assaltando bancos ou matando pessoas, como você e seus líderes preconizavam. Portanto, Dilma, não venha se apresentar como
heroína, porque não condiz com a sua história.
Você não pode menosprezar as
pessoas que foram às ruas pedir mudanças, no dia 15 de março de 2015. Entre
elas estavam muitas que também lutaram pelo fim do regime militar. Essas
pessoas não querem aqui no Brasil um regime opressor e sanguinário semelhante
ao da Venezuela, que você e o grupo Foro de São Paulo defendem. Estavam nas
ruas pessoas que não querem mais esse 'toma lá da cá' de cargos públicos, uma
das origens da corrupção, com seus trinta e nove ministérios. Essas pessoas não
querem o uso da máquina pública com fins eleitoreiros, desviando-se recursos
das empresas públicas. Essas pessoas não querem mais ver impunes invasores,
baderneiros e destruidores do patrimônio público e privado, que empunham facões
e foices, como nos tempos de barbárie. As pessoas não querem mais que você,
como suprema autoridade do Brasil, proponha o diálogo com terroristas como os
do Estado Islâmico ou das FARC, da Colômbia, que se valem do narcotráfico
para subverter regimes democráticos.
Enquanto você quer dialogar com
terroristas, você trata com brutalidade os trabalhadores, tais como os
caminhoneiros, como se bandidos fossem. Enquanto você e sua turma transformam
bandidos em heróis, vilipendiam a história e os símbolos nacionais nas escolas, com exaltação ao falido modelo marxista, o País agoniza e perde respeito
no cenário internacional. Enquanto você repassa às ditaduras de outros países
impostos de quem trabalha e gera empregos, a violência explode nas ruas,
pessoas padecem nas portas dos hospitais, falta infra-estrutura e os
professores são mal pagos.
A fatia maior de todos os impostos é administrada
pela esfera federal. Você, Dilma, nada fez para corrigir essa distorção. Pelo
contrário, arrocha com mais impostos, retira conquistas dos trabalhadores, mas
não diminui gastos desnecessários. Você e o seu grupo querem reescrever a
história do Brasil, acusando a todos os que governaram antes de incompetentes e
corruptos. No poder, o seu partido, que um dia já foi o meu também, caiu na vala
comum dos demais e tornou-se protagonista do maior escândalo de corrupção. Agora,
acuada pelo eco das ruas, você fala em humildade e diálogo, como se fosse
possível dissimular a sua arrogância e a sua prepotência. Essa tática de mudar
a embalagem, mas não o conteúdo podre do seu governo já não engana mais ninguém.
Cansei das suas mentiras, mas não me cansarei de lutar por um Brasil melhor.
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Aos leitores do Blog: De uns tempos para cá, as questões de gestão pública exigem um posicionamento de quem quer mudar o Brasil para melhor. A corrupção, que atinge níveis nunca antes imaginados, também prejudica o meio ambiente, pela falta e desvio de recursos.
Enquanto a farra com obras superfaturadas desvia dinheiro para corruptos, faltam recursos para setores mais sustentáveis. Para citar um exemplo, está aí o escândalo da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, com denúncias de propinas e superfaturamento. O montante dos custos dessa usina daria para financiar um amplo programa de energia solar com painéis fotovoltaicos, capazes de gerar quase a metade de toda a energia hoje produzida no Brasil.
O escândalo da Petrobrás é representativo, porque mostra a escolha mal feita e ufanista de investir em combustíveis fósseis. O gigantismo alardeado com o Pré-sal, usado como propaganda para enganar a incauta população brasileira, nos remete a refletir sobre o grave momento da conjuntura política atual.
A operação Lava Jato comprova agora o que sempre nós ambientalistas cobrávamos das autoridades. Existe dinheiro para conservar e gerir nossas Unidades de Conservação. Existe dinheiro para investir em energia renovável. Outro exemplo: se os recursos do Minha Casa Melhor fossem direcionados para implantação de sistemas fotovoltaicos e captação de águas pluviais nas moradias do Minha Casa Minha Vida, teríamos hoje um notável parque industrial de equipamentos nessa área, com indústrias espalhadas pelo Brasil.
As grandes obras sempre atraíram as empresas e os políticos ávidos de recursos para as suas campanhas. Aí está um dos focos de corrupção.
Lutar contra o aparelhamento do estado, contra o excessivo número de ministérios, contra a centralização da maior parte dos impostos na esfera federal, entre outras lutas, também se reflete num meio ambiente mais equilibrado e na melhoria da qualidade de vida de todos nós.
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10 de março de 2015
Amar e vivenciar a natureza é um estado de arte
Nas asas da imaginação
faça uma linda viagem
Aprecie uma paisagem
A natureza é uma canção (Darci Bergmann)
Nós humanos precisamos da beleza cênica, auditiva e sensorial. Lugares e melodias bonitas fazem um bem ao nosso espírito. Apesar de toda a destruição, a Terra ainda tem lugares paradisíacos. Quando arte e natureza se encontram, o ser humano ascende a um estado de paz e harmonia.
A inspiração dos artistas também pode ajudar na preservação dos ambientes naturais, seja pela música, pinturas, poesia, filmes e o que for possível.
Deixo algumas sugestões de músicas que enaltecem a natureza de alguma forma.
| Ipê em flor: tela de Maria Teresa Salazar - São Borja - RS |
Sugestões de músicas e filmagens, através do Youtube
Voces de Primavera - Johann Strauss
Vivaldi, Primavera, Allegro
Ainda existe um lugar onde a verdade reside em cada alma - Wilson Paim
Strauss - Contos de los Bosques de Viena
Paisagens do Rio Grande do Sul (Reportagem do G1/RS)
Viagem pelo Tirol
This is Tyrol in Austria
Nós amamos as montanhas
Belo Tirol do Leste
My day in the Swiss Alps
MDR, National Park Tirolen Alpen Osterreich
Schubert "Serenade"
29 de novembro de 2014
Tatuagens constituem risco de saúde incalculável
Fonte: DW
Entre química e impurezas, desenhos corporais injetam no organismo um sem número de substâncias tóxicas, muitas vezes nem testadas. Especialistas presumem que sejam cancerígenas, mas não há estudos nem leis suficientes.
Entre química e impurezas, desenhos corporais injetam no organismo um sem número de substâncias tóxicas, muitas vezes nem testadas. Especialistas presumem que sejam cancerígenas, mas não há estudos nem leis suficientes.
Quem gostaria de injetar alguns gramas de verniz de carro sob a pele?
Ou um pouco de fuligem resultante da combustão de petróleo ou alcatrão?
Provavelmente ninguém. Mas isso é o que recebem todos os que se deixam tatuar. "Os pigmentos para tatuagens contrastantes e de longa duração foram desenvolvidas para cartuchos de impressora e tintas de automóveis", revela Wolfgang Bäumler, professor do Departamento de Dermatologia da Universidade de Regensburg, em entrevista à DW.
Acima de tudo, as tintas de tatuagem não foram desenvolvidas para estar sob a pele. Grandes empresas químicas fabricam toneladas de pigmentos coloridos, principalmente para fins industriais; empresas pequenas os compram e transformam em produtos para tatuagem.
"As substâncias nunca foram testadas para aplicação subcutânea", diz à DW Peter Laux, do Instituto Federal Alemão de Avaliação de Riscos (BfR) em Berlim. "A própria grande indústria diz que, na verdade, os pigmentos não são feitos para isso."
Da pele para o organismo inteiro
Wolfgang Bäumler acrescenta que as tintas de tatuagem precisam ser "brutalmente insolúveis em água". Isso já torna a prática perigosa, pois o corpo não tem como se livrar facilmente delas. De acordo com um recente estudo americano, apenas dois terços dos produtos utilizados nas tatuagens permanece sob a pele: o restante se espalha pelo corpo.
"As substâncias vão para o sangue, para os nódulos linfáticos, os órgãos, e vão parar em algum lugar. Onde, exatamente, não se tem ideia", relata o dermatologista.
Arco-íris de produtos químicos
Os produtos químicos para as cores vermelho, laranja e amarelos são compostos azólicos – substâncias orgânicas com uma má reputação, que costumam desencadear alergias. Algumas delas, como o Pigment Red 22, podem se decompor, se a tatuagem for exposta á luz solar, diz Bäumler. Os compostos resultantes são tóxicos e cancerígenos.
Compostos chamados ftalocianinas, que resultam em azul e verde brilhante, geralmente contêm cobre e níquel. Também nos pigmentos marrons com óxidos de ferro, muitas vezes há presença de níquel. O metal provoca alergias de contato em muitas pessoas e é proibido em cosméticos. Nos produtos para tatuagens, contudo, ele continua sendo frequente.
Tatuagens pretas, por sua vez, são feitas com derivados de um material chamado Carbon Black. Ele nada mais é do que fuligem industrial, produzida quando a indústria química queima petróleo, alcatrão ou borracha.
Impurezas cancerígenas
No entanto os especialistas salientam que não só as cores são perigosas. "Além dos elementos corantes, produtos para tatuagem podem também conter outras substâncias, como solventes, espessantes, conservantes e diversas impurezas", adverte o BfR.
De acordo com Peter Laux, impurezas são a regra, não a exceção. "Os departamentos regionais de diagnóstico se queixam regularmente sobre a qualidade química das substâncias para tatuagem que eles controlam."
Entre essas impurezas, os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos são particularmente perigosos. Formados durante as combustões incompletas, também na produção de fuligem, muitos são comprovadamente cancerígenos. Nas tintas pretas para tatuagem, estão muitas vezes presentes em concentrações acima do limite recomendado.
"Consta que os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos se desprendem continuamente durante o processo de tatuagem e se espalham pelo corpo. Os níveis medidos são um risco sério à saúde e segurança dos consumidores", adverte o BfR.
Laux acrescenta que "também há no mercado substâncias para tatuagens que cumprem os requisitos". No entanto, é difícil para o consumidor definir qual substância é boa e qual não.
![]() |
| Segundo FDA, cerca de 25% dos americanos têm tatuagem |
Regulamentação insuficiente
Na Alemanha e em muitos outros países, as substâncias para tatuagens não são consideradas nem medicamentos nem cosméticos – e aí reside o problema. Porque esses produtos precisam atender determinados requisitos antes de poder sequer entrar no mercado. No caso dos medicamentos, análises de segurança mostram o que acontece exatamente com uma substância no corpo, como ela é metabolizada, e quais outras substâncias podem se formar a partir dela. Para as tatuagens, não há tais regulamentações.
Em 2008, o Conselho Europeu expediu uma resolução determinando o controle mais rigoroso dos produtos para tatuagens, e muitos países implementaram leis e regulamentações concernentes. Mas, de acordo com Peter Laux, todas são insuficientes.
Uma portaria relativa a substâncias de tatuagem de 2009 proíbe na Alemanha o uso de certas substâncias, e uma lista especifica exatamente o que é proibido. "Todas as demais substâncias são permitidas, mesmo produtos químicos que acabam de ser desenvolvidos por um fabricante e nunca foram previamente testados."
"Precisamos criar listas positivas", reivindica Laux. Isso significa que, ao invés de substâncias proibidas, a portaria deveria conter as permitidas que tiveram a sua segurança comprovada.
Incerteza é única certeza
![]() |
| Em diversas sociedades, tatuagem é símbolo cultural antigo. Por exemplo, na máfia Yakuza do Japão |
Até mesmo tatuadores profissionais concordam que a situação não é satisfatória. "Em nossa opinião, no momento as tintas de tatuagem não são realmente seguras", admitiu Andreas Schmidt, vice-presidente da associação Tatuadores Alemães Organizados, num simpósio em Berlim sobre a segurança dos produtos empregados.
Ele exige testes toxicológicos para os componentes, mas acrescenta: "Estamos otimistas de que há apenas alguns problemas com as tintas, caso contrário haveria mais reclamações de clientes e mais matérias em jornais e revistas".
No entanto, os especialistas lembram que o câncer muitas vezes precisa de décadas para se desenvolver, e a conexão não é tão fácil de provar.
Até agora, as substâncias para tatuagens não são testadas quanto a seus riscos. Faltam estudos em seres humanos, de curto quanto e de longo prazo. Experimentos em animais são proibidos. O dermatologista Bäumler foi judicialmente impedido de efetuar um teste de produtos de tatuagem em porcos. "A justificativa foi que as pessoas que se deixam tatuar o fazem voluntariamente", conta.
Portanto, ninguém ainda pode afirmar ainda se tatuagens são prejudiciais à saúde ou não. Talvez provoquem câncer – talvez não.
Peter Laux arremata que cada um deve decidir por si se quer fazer uma tatuagem ou não – o BfR não faz nenhuma recomendação. "Até agora só sabemos que não há qualquer garantia de que as substâncias para tatuagens sejam seguras para a saúde."
29-11-2014
Autoria: Brigitte Osterath
31 de outubro de 2014
Evitar colapso climático exige recuperação da Floresta Amazônica
É preciso iniciar imediatamente “um esforço de guerra” de recuperação do
que foi destruído nos últimos 40 anos no Brasil
Reduzir a zero o desmatamento da
Amazônia já não é suficiente para evitar um colapso climático na América do
Sul. É preciso iniciar imediatamente “um esforço de guerra” de recuperação do
que foi destruído nos últimos 40 anos no Brasil – uma área de 763 mil km²,
equivalente a duas Alemanhas, ou três Estados de São Paulo.
As conclusões são de um relatório
científico que sintetizou mais de 200 estudos sobre o papel da Floresta
Amazônica no sistema climático, na regulação das chuvas e na exportação de
serviços ambientais para as áreas produtivas do continente. Conduzido por
Antonio Donato Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o
estudo foi lançado nesta quinta-feira, 30, em São Paulo.
“Já foram destruídas pelo menos 42
bilhões de árvores na Amazônia. Em 40 anos, foram cerca de 2 mil árvores por
minuto. Os danos dessa devastação já são sentidos, tanto no clima da Amazônia –
que tem sua estação seca aumentando a cada ano – quanto a milhares de
quilômetros dali”, disse Nobre.
Segundo ele, a floresta mantém úmido
o ar em movimento, levando chuvas para regiões internas do continente. A
floresta também ajuda a formar chuvas em ar limpo – o que não acontece no
oceano, por exemplo. “O ar úmido é exportado para o Sudeste, o Centro-Oeste e o
Sul do Brasil, por rios aéreos de vapor, mais caudalosos do que o Rio Amazonas.
Sem isso, o clima nessas regiões se tornará quase desértico. Atividades humanas
como a agricultura entrarão em colapso”, declarou.
Nobre explicou que a Amazônia regula
o clima do continente graças à capacidade das árvores de lançar umidade na
atmosfera. Cada árvore com uma copa de 10 metros, segundo ele, retira
diariamente das profundezas da terra cerca de mil litros d´água, que são lançadas
no ar em forma de vapor. Com isso, a floresta chega a transferir 20 trilhões de
litros d´água por dia para a atmosfera.
“Se quiséssemos reproduzir
artificialmente esse fenômeno, para evaporar essa quantidade d´água
precisaríamos da energia de 50 mil usinas de Itaipu, ou cerca de 200 mil usinas
de Belomonte”, afirmou.
Bomba de umidade
Segundo ele, uma nova teoria
considera a Amazônia como uma “bomba biótica”: a transpiração das árvores, combinada
à condensação vigorosa na formação de nuvens de chuva, rebaixa a pressão
atmosférica sobre a floresta. Com isso, a floresta “suga” o ar úmido do oceano
para o continente, mantendo as chuvas em qualquer circunstância.
“Isso explica por que não temos desertos
nem furacões a leste dos Andes. Pelo menos até agora, porque se continuarmos
derrubando a floresta, o fluxo se inverterá: o oceano é que sugará a umidade da
Amazônia. Assim, poderemos ter no continente um cenário semelhante ao da
Austrália, com grandes desertos e uma franja úmida próxima do mar”, afirma o
pesquisador.
A redução do desmatamento na última
década, segundo Nobre, é insuficiente para deter as dramáticas alterações no
clima. “Não adianta dizer que reduzimos o desmatamento em 80%. O que importa é
o passivo de desmatamento que já provocamos. Estamos quebrando nossa bomba
biótica de umidade”, disse.
Além dos mais de 763 mil km² de
florestas completamente devastadas, o sistema da Amazônia também sofre com o
impacto das florestas degradadas, que segundo Nobre são áreas muito maiores
onde só há “esqueletos de árvores” que não exercem mais os mesmos serviços
ambientais. “Ao todo, acumulamos um total de quase 1,3 milhão de quilômetros
quadrados de florestas comprometidas”, afirmou.
Com toda a devastação empreendida até
agora, segundo Nobre, o clima da própria Amazônia foi alterado, tornando-se
mais seco e facilitando o alastramento das queimadas. “Quem conhece a Amazônia
há muito tempo sabe como era difícil acender uma fogueira naquela umidade. Hoje
o fogo se acende facilmente, fazendo da Amazônia um crematório de riqueza
genética.”
Nobre afirmou que a expansão da
estação seca trará problemas econômicos de grandes dimensões para a produção
agrícola. “Substituir as florestas por plantações é o que chamo de ´ilusão do
agronegócio´. Eles pensam que estão conquistando terreno para plantar, mas com
uma estação seca de até sete meses por ano, a irrigação – que é dispendiosa –
tornará a atividade inviável. Sem falar na falta de água”, declarou.
Esforço de guerra
De acordo com Nobre, o público-alvo
do relatório – intitulado “O Futuro Climático da Amazônia” – não é nem o
governo, nem a comunidade científica, mas o público leigo. “Fiquei assombrado
com a quantidade de estudos que comprovam os impactos da Amazônia no clima. A
sociedade não pode ficar alheia a essa montanha de evidências científicas. Se
demorarmos para agir, é provável que tenhamos que lidar com prejuízos
inconcebíveis para quem sempre teve água fresca provida pela floresta, mesmo a
milhares de quilômetros dela. Essa realidade tem que entrar no nosso
imaginário”, declarou.
Segundo ele, é preciso iniciar um
“esforço de guerra contra a ignorância”. “Em 2008, quando estourou a bolha
financeira de Wall Street, os governos agiram rapidamente: em 15 dias,
mobilizaram trilhões de dólares para salvar os bancos privados. É preciso agir
com a mesma rapidez na recuperação da Amazônia – porque o desastre climático
que nos ameaça é incomparavelmente maior que a crise financeira global”, disse
Nobre.
Fonte: O Estado de São Paulo
Fonte acessada: jornalcana
http://www.jornalcana.com.br/evitar-colapso-climatico-exige-recuperacao-da-floresta-amazonica/
____________________________________________________________________________Seca no Sudeste do Brasil: Matéria da Deutsche Welle
Transposição para Cantareira não encerra crise da água, dizem especialistas
Além de não resolver problema de SP, transferência de água da bacia do rio Paraíba do Sul para sistema paulista pode afetar abastecimento no RJ. Sob críticas, governo federal diz que medida é "tecnicamente viável".
Estiagem afeta o rio Paraíba do Sul na cidade de Barra do Piraí, no Rio de Janeiro
A transposição de água da bacia do rio Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira pode amenizar, mas não dar fim à crise da água no estado de São Paulo. Segundo especialistas ouvidos pela DW Brasil, além de não solucionar a escassez nos reservatórios paulistas, a medida poderia prejudicar o abastecimento na região metropolitana do Rio de Janeiro.
A proposta foi apresentada em março pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Nesta quarta-feira (05/11), o presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, sinalizou que a transposição é "tecnicamente viável".
"Tudo é possível, mas tem um custo. As autoridades erram ao não fazerem um estudo técnico antes de tomarem uma decisão política", critica o oceanógrafo David Zee, professor da Uerj.
A bacia do rio Paraíba do Sul banha os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. De acordo com a proposta de Alckmin, o rio Atibainha, que fica no Sistema Cantareira, receberia água do reservatório do rio Jaguari, que é um dos afluentes do Paraíba do Sul.
"Uma retirada adicional de água trará impactos que serão sentidos com mais força quando houver escassez de chuva", diz Paulo Carneiro, pesquisador do Laboratório de Hidrologia da Coppe/UFRJ. "A segurança hídrica deve diminuir, e a frequência de períodos de seca na bacia, aumentar."
O especialista em recursos hídricos Antônio Carlos Zuffo não acredita que a transposição irá resolver a crise hídrica em São Paulo. O volume do Cantareira continuará descendo, mesmo que em menor intensidade.
"A cada dia, o nível do reservatório fica mais baixo. Enquanto entram em torno de 9,63 metros cúbicos de água por segundo, são retirados 22,5 [metros cúbicos] para o Alto Tietê e o consórcio PCJ, que abastece algumas cidades do interior paulista. A defasagem é grande", diz Zuffo.
O nível do sistema Alto Tietê e da represa Guarapiranga também diminuiu de forma drástica. Como os reservatórios do sudeste e do centro-oeste estão com volume muito baixo, se chover pouco até o fim deste ano, é possível que haja um racionamento de energia, alerta Zuffo.
Interesses em jogo
A transposição da bacia do Paraíba do Sul envolve impasses jurídicos, administrativos e econômicos. Carneiro afirma que o argumento de que a medida vai aumentar a segurança hídrica é falso.
Para o especialista, a pressa da ANA e do governo de São Paulo em fazer a transposição é questionável. O projeto, que é complexo e exige uma série de etapas preparatórias, seria executado num período mínimo de três anos.
"Isso só mostra que houve de fato uma incompetência no planejamento de longo prazo. Não dá para querer sangrar o Paraíba do Sul sem trazer o assunto para o debate amplo, sem colocar as cartas na mesa", diz Carneiro. "São Paulo sabia há mais de duas décadas que era necessário fazer investimentos para evitar uma crise de abastecimento."
Além das obras, a transposição exigiria resolver entraves jurídicos. O reservatório Jaguari foi construído pela Companhia Elétrica de São Paulo (Cesp) para a geração de eletricidade. Segundo Zuffo, para fazer a transposição, a ANA precisa fazer outra outorga junto ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), para que o reservatório também seja destinado ao abastecimento urbano.
"A Cesp terá de ser indenizada, porque a retirada de água vai reduzir o rendimento da usina hidrelétrica. A amortização do investimento feito na construção não será cumprida no período previsto", afirma.
Em nível territorial, o gerenciamento de recursos hídricos no Brasil é dividido por bacias hidrográficas. Apesar de estar em São Paulo, a bacia do Paraíba do Sul é federal e de responsabilidade da ANA. O domínio da bacia, no entanto, é do estado de São Paulo.
"Há uma sobreposição de legislações. Esse imbróglio jurídico precisa ser resolvido, por isso, está no Supremo [Tribunal Federal (STF)]", diz.
O ministro Luiz Fux, do STF, convocou uma audiência de mediação para que o tema seja debatido entre o governo federal, agências reguladoras, Ministério Público Federal e representantes dos estados. Fux negou um pedido de liminar da Procuradoria Geral da República para impedir a transposição.
Ainda estão em jogo os interesses do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, já que a bacia do Paraíba do Sul abastece várias cidades nos dois estados. O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, declarou que, se a União decidir transferir água do Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira, ele irá acatar.
MAIS SOBRE ESTE ASSUNTO
- Data 07.11.2014
- Autoria Karina Gomes
Marcadores:
Amazônia,
chuvas,
clima,
crise de água,
Desmatamento,
floresta amazônica,
mudanças climáticas,
recursos hídricos,
rios voadores,
seca
17 de outubro de 2014
Falta chuva e ainda sobra preconceito
Por Darci Bergmann
A seca prolongada no Sudeste do Brasil revela um cenário
desolador. Rios, açudes e poços secando, onde antes havia fartura de água. As
plantações e as florestas desidratadas
agora são um combustível para os incêndios que aumentam ainda mais o teor de
gás carbônico na atmosfera. Se nos campos é assim, nas vilas e cidades a
tragédia climática muda o cotidiano das pessoas. Agora é possível perceber o
quanto dependemos da natureza em equilíbrio e o quanto precisamos evitar os
desperdícios de recursos naturais. Estávamos acostumados a abrir as torneiras e
vermos água jorrando muito além do necessário para o banho diário. Ou lavando
calçadas e carros com centenas ou milhares de litros esbanjados numa dessas
operações. Nunca nos perguntamos de onde vem a nossa água. Talvez
a maioria pensa que ela vem das represas. Não, ela vem de muito longe. Vem lá
da fazenda ou do pequeno sítio, onde tem vertente e dali se forma um córrego.
Depois, outros córregos vão se juntando e formam os rios. As represas apenas
são depósitos de água. E até o solo armazena água e a devolve para nosso uso
através dos poços de captação. As cidades dependem dos campos e das florestas.
Desde o alimento até o líquido mais precioso – a água.
E a nossa crise de água tem a ver com preconceito? Tem sim.
Aqui no Brasil, fomos ensinados a ver os sertões e as matas como sinônimos de
atraso. Nas periferias das cidades ou lá
nos rincões ermos, qualquer reserva de mato é vista como área improdutiva e sujeita
a invasões. Córregos e riachos urbanos são logo degradados com lixo e as suas
margens ocupadas por habitações. Temos preconceito contra as matas ciliares,
que protegem as encostas e as margens dos rios. As cidades se expandem e sempre
mais pessoas aparecem para ocupar espaços verdes em prejuízo dos mananciais de
água. Para alguns, a espécie humana tem preferência sobre as demais. Esta
ideologia de crescimento populacional sem limites pode ser o colapso da
civilização. As mudanças climáticas já dão sinais claros da fragilidade humana.
Até um minúsculo vírus, como o ebola, faz tremer de medo o mais valente dos
seres humanos. Nosso preconceito em relação à Mata Atlântica ajudou a
destruí-la na maior parte e o que dela resta agora é alvo de queimadas
criminosas ou não. E mesmo nas romarias, pedindo chuvas aos nossos santos,
alguns incautos lançam rojões que iniciam incêndios na vegetação esturricada
das proximidades.
A crise de água já é uma realidade planetária. O momento é de
profunda reflexão sobre o nosso estilo de vida e a busca de soluções deve
nortear todas as pessoas, sejam elas autoridades ou não. Cada um deve fazer a
sua parte. É inaceitável que candidatos a cargos públicos se aproveitem das mazelas
climáticas e busquem culpados porque as chuvas não caem. A nossa civilização
precisa ser repensada. Até porque falta chuva e ainda sobra preconceito.
24 de setembro de 2014
Supermercado sem embalagens descartáveis
Veja matéria divulgada pela DW:
O Original Unverpackt, iniciativa de uma dupla de jovens empreendedoras de Berlim, busca apresentar alternativas ao consumo de massa e ao desperdício.
23 de setembro de 2014
Falta de conservação do solo causa erosão e perda de lavouras no PR
Globo Rural, Edição do dia 21/09/2014
21/09/2014 08h15 - Atualizado em 21/09/2014 08h20
Falta de conservação do solo causa erosão e perda de lavouras no PR
Há 30 anos, Paraná foi referência mundial em recuperação dos solos.
Mas agricultores retiram a proteção para abrir caminho para o maquinário.
Do Globo Rural
Durante décadas, os agricultores brasileiros investiram em técnicas de conservação do solo. Mas, nos últimos anos, muitas práticas foram abandonadas, deixando as lavouras desprotegidas, em uma busca sem limites pelo aumento da produtividade. O Paraná, estado que já foi modelo mundial de conservação de solos, hoje sofre com problemas como a erosão e a poluição de rios.
O agricultor Juarez Hagemann, dono de uma área de 60 hectares no município de Realeza, no sudoeste do Paraná, sentiu na pele e no bolso os efeitos da erosão, ação da água da chuva quando cai sobre um solo desprotegido. Em 2013, um temporal destruiu a lavoura que o produtor tinha acabado de plantar.
O agricultor Juarez Hagemann, dono de uma área de 60 hectares no município de Realeza, no sudoeste do Paraná, sentiu na pele e no bolso os efeitos da erosão, ação da água da chuva quando cai sobre um solo desprotegido. Em 2013, um temporal destruiu a lavoura que o produtor tinha acabado de plantar.
A erosão leva a lavoura e a camada mais fértil do solo, que fica na superfície. As gotas de chuva batem com força no solo, desagregam os torrões de terra e formam pequenos grãos. Leves e barreiras no caminho, eles são arrastados seguindo o declive natural do terreno e se acumulam nas partes mais baixas, onde, geralmente, há outra propriedade, uma nascente ou um rio. Por isso, é essencial construir barreiras de proteção que mantenham o solo e a água dentro da área da lavoura.
Entre as décadas de 1980 e 1990, o Paraná conseguiu espalhar por praticamente todo estado um sistema de conservação de solos feito em microbacias. Em 1990, o Globo Rural conheceu o trabalho desenvolvido na região. Estradas foram refeitas de forma a não jogar água para dentro das propriedades. As lavouras foram colocadas em nível, cortando o sentido em que a água corre, como explicou a engenheira agrícola Graziela Barbosa, pesquisadora do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), em Londrina.
“A água é um processo natural. Vai chover e vai escorrer. Se o sulco de plantio forma uma pequena rugosidade. Quando a água começa a escorrer, ela já tem essa rugosidade como uma pequena barreira mecânica para diminuir a velocidade”, diz Graziela.
Além do plantio em nível, terraços foram construídos para segurar a água que passa por cima dos sulcos. “Quando vem no sentido da pendente, a água vai ter um canal. Depois, nós vamos ter a parte maior da terra que chamamos de camaleão, que vai fazer com que a água que escorreu pare nesse canal. Quando a chuva parar, essa água naturalmente se infiltra e mantém a umidade no solo e não se perde”, completa Graziela.
O tamanho dos terraços e o espaçamento entre eles dependem do tipo de solo, do declive e do regime de chuvas de cada região. Antigamente, no Paraná eles passavam de uma propriedade para outra acompanhando a bacia dos rios e formando uma grande barreira.
O plantio direto foi outra ferramenta importante integrada ao sistema. A técnica consiste em colher uma lavoura e fazer o próximo plantio diretamente sobre a palhada da cultura anterior.
A palha que fica sobre o solo também diminui o impacto das gostas de chuva e protege a terra do sol, mantendo a umidade por mais tempo. Para ser eficiente, o plantio direto deve deixar pelo menos seis toneladas de palha por hectare. Mas o trabalho de duas décadas para implantar esse sistema de conservação está indo literalmente por água abaixo porque muitos agricultores retiram os terraços de suas propriedades.
“Os terraços, de certa forma, são uma restrição à mecanização. Numa situação mais recente, dos últimos cinco ou 5 dez anos em que o tamanho das máquinas tende a ser cada vez maior”, diz o pesquisador Augusto Araújo, engenheiro agrícola do IAPAR.
Especialista em mecanização, Araújo explica que para ganhar tempo e poder plantar e adiantar a colheita, para fugir do risco de secas, geadas e chuvas fora de hora, os agricultores estão comprando máquinas maiores, mais rápidas e potentes, mas que têm dificuldade para passar no espaço entre um terraço e outro e precisam fazer muitas manobras para circular entre eles.
A decisão mais comum é retirar um de cada três terraços, abrindo espaço para a máquina passar. Há agricultor agravando a situação e elimina todos os terraços para plantar no sentido em que a água corre, ou seja, morro abaixo.
“A velha prática de se plantar em nível, uma das técnicas mais tradicionais e clássicas de conservação de solo, está se perdendo também. Para aumentar a produtividade se faz um tiro morro abaixo e morro acima”, alerta Araújo.
Foi o que fez o dono de uma propriedade da região que não quis gravar entrevista. Na fazenda com 1,2 hectares no município de Bela Vista do Paraíso já houve um sistema de conservação de solo, mas hoje não restou nenhum terraço. Eles não foram reformados ou simplesmente retirados ao longo do tempo. Há sinais de problema por toda a área.
Assista ao vídeo:
Falta de conservação do solo causa erosão e perda de lavouras no PR
15 de setembro de 2014
Manacá-de-cheiro: um arbusto que irradia aroma e beleza
Por Darci Bergmann
| Manacá-de-cheiro, manacá-de-jardim ou primavera (Brunfelsia uniflora)* |
Na região da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul um arbusto nativo chama atenção. É o manacá-de-cheiro, também conhecido por manacá-de-jardim ou ainda primavera. Seu nome científico é Brunfelsia uniflora, família Solanaceae. Ele está cada vez mais presente nos jardins e motivos não faltam: a planta ostenta lindas flores brancas e violáceas, muito perfumadas.
O cultivo do manacá-de-cheiro é fácil, visto tratar-se de uma planta rústica. Propaga-se por sementes, estacas e mergulhia dos ramos. As mudas também surgem pela brotação de raízes ao redor da planta-mãe.
Recomenda-se evitar o cultivo em áreas frequentadas por animais herbívoros. O manacá-de-cheiro tem princípios tóxicos nas suas folhas.
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