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27 de março de 2015

Semeadores alados

A gralha-picaça é excelente semeadora de várias espécies vegetais.
Foto: Darci Bergmann, São Borja-RS, Brasil

Por Darci Bergmann*

   Várias espécies de aves nos inspiram curiosidades e admiração. Os sabiás, por exemplo, tem o dom de um canto maravilhoso, com variações melódicas que lhe dão fama. Além de bons cantores, esses pássaros agem como semeadores de florestas. Apreciam frutas silvestres do tipo bagas, como aquelas das canelas, camboatás, do exótico cinamomo, entre outras. Promovem a disseminação de árvores e arbustos, proporcionando maior diversidade de plantas, mesmo em monoculturas, como as de eucaliptos.
    No meu sítio, estou promovendo o plantio diversificado de espécies florestais e os pássaros proporcionam ajuda inestimável. Eles trazem sementes de outras espécies, enriquecendo a floresta por mim iniciada. Alguns fatores atraem os pássaros, tais como outras árvores e arbustos para pouso, não serem enxotados pelos humanos, não realização de queimadas, etc. Capoeiras em estágios diversos também atraem, porque nelas já existem abrigo e arbustos que lhes permitem ficar fora do alcance de predadores. Em pouco tempo, os resultados começam a aparecer: aroeiras, taleiras, pitangueiras, carvalinhos, os já citados canelas e camboatás, são algumas das muitas espécies propagadas pelos pássaros. A lógica da natureza nem sempre é compreendida pelos humanos.

    É bom sempre repetir. Por questão de segurança, a maioria das espécies de aves prefere construir seus ninhos em locais onde a vegetação é mais densa, numa altura que varia entre um e quatro metros. Aquilo que para nossa espécie parece não ter valor, para as aves e outros animais pode ser a condição de sobrevivência. Daí a importância das capoeiras. Com o passar do tempo, árvores de maior porte podem ali se desenvolver, especialmente as que precisam de sombra quando jovens. Precisamos mais florestas nativas para proteger os nossos solos da erosão e conservar nossos mananciais de água.Nós humanos deveríamos aprender com os pássaros. Eles retribuem as dádivas da natureza com o plantio de diversas espécies de plantas. Enquanto isso, alguns humanos ainda teimam em destruir capoeiras e florestas, sem conhecer o real valor dessas formações vegetais, tão importantes para a nossa própria sobrevivência. Até quando?
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Nota: O artigo original Semeadores alados,de minha autoria, foi publicado no boletim Voces, edição fevereiro de 1996, Santo Tomé, Argentina. O texto neste blog foi atualizado com pequenas alterações.

12 de agosto de 2014

Ipê-roxo, uma das árvores mais lindas da Terra.


Ipê-roxo (Handroanthus heptaphyllus). A espécie é árvore
símbolo de São Borja*                 

Por Darci Bergmann

Na maior parte do ano ele parece discreto. Quando floresce ele esbanja encantamento. Assim é o ipê-roxo, que é por muitos considerada uma das árvores mais lindas dentre as milhares de espécies florestais. 

Uso no paisagismo

Por ser uma espécie rústica, de boa resistência aos ventos e de rara beleza quando em flor, o ipê-roxo está cada vez mais presente em parques, praças, ruas, nas margens de rodovias e arboretos em geral. 
Na arborização urbana, evitar o plantio sob as redes de energia elétrica e também em passeios públicos com menos de 2,50 m de largura. 
Ainda com relação aos passeios públicos, recomenda-se que a muda de ipê-roxo seja plantada em cova de pelo menos 0,50 m x 0,50 m x 0,50 m. A distância do centro da cova deve ser de no mínimo 0,50 m do cordão.
Ipê-roxo próximo ao trevo de acesso à cidade de
São Borja. Este e mais outras centenas foram plantados
pela ASPAN - Associação Sãoborjense de Proteção ao
Ambiente Natural, em 1995.

Nomes populares e nomenclatura científica

Os nomes populares variam conforme a região: ipê-roxo-da-mata, pau-d´arco, cabroé, etc. Na Argentina é denominado lapacho-rojo.  
Uma das espécies de ipê-roxo mais conhecidas e com ampla dispersão no Brasil, Paraguai, Bolívia e Argentina é a denominada Handroanthus heptaphyllus (Vell.) Mattos, família Bignoniaceae. Alguns botânicos denominam a mesma espécie de Tabebuia heptaphyllus ou ainda Handroanthus avellanedae. Em documentos mais antigos é citado como Tabebuia avellanedae. 
Ipês ao longo da BR 472, em São Borja-RS. Plantio feito por
voluntários da ASPAN, em 1995.


Nas propriedades rurais, os ipês estão cada vez mais presentes.
*Nota: Conforme lei municipal nº 1.022, de 26 de Setembro de 1980, a espécie ipê-roxo (Tabebuia avellanedae) foi declarada árvore-símbolo de São Borja-RS, projeto de lei do então vereador Darci Bergmann.


2 de abril de 2013

Da árvore de plástico à mulher de plástico.

Por Darci Bergmann

   A miopia ambiental se espalha nos quadrantes do Planeta. Já comentei sobre um modismo antinatural que propõe aplicar sobre os troncos das árvores tecidos coloridos cheios de penduricalhos. O argumento é embelezar as cidades feias do nosso cotidiano. 
   Agora, sou surpreendido por outras tentativas de adaptar a arborização urbana a essa visão artificial de mundo sem natureza. Por mais de uma vez, fui procurado por pessoas que desejavam saber se havia disponível algum arbusto de plástico para 'plantio' em passeio público. Sendo assim, não haveria queda de folhas, danos às calçadas, nem risco de conflito com a rede elétrica. Ninguém precisaria varrer as folhas e assim sobraria mais tempo para outras atividades. Essas talvez incluam viver 'bem informado' com o repeteco de notícias sobre assaltos, as fofocas sobre a vida pessoal dos artistas e as novidades na linha de vestuário para cães.
    Penso que tudo tem um limite. Inclusive a eliminação do que é natural. Se a moda pega, vamos ter árvores, aves, flores, gente, tudo de plástico. Bugigangas monótonas e sem vida. 
     É possível que o nosso comportamento individual e coletivo já esteja perturbado por esse modelo civilizatório excludente de biodiversidade. As cidades foram planejadas para o automóvel e quase nada para as pessoas e para a natureza. São barulhentas. As tranqueiras publicitárias atrapalham e ainda impedem o plantio de árvores. Somos reféns de uma gama de produtos e serviços que prometem comodidade. Já nem percebemos que nos tomam um tempo precioso e cobram um alto preço. A miopia ambiental já nos atingiu de tal forma que não atinamos para certas sutilezas das estações do ano. Somos alvos das campanhas para as compras de roupas e calçados da época. A natureza, que se apresenta em tons diferentes conforme a estação, passa quase despercebida.
   Cada espécie viva reage de forma diferente às variações climáticas. Por isso a diversidade é importante. Nos meses de outono-inverno, algumas árvores perdem as folhas, outras não. Faz parte da fisiologia de cada espécie. As floradas também se manifestam de forma diferente, na intensidade e no colorido. Essas alterações quebram a monotonia e nos dão motivação para a vida. Não seria por razões semelhantes que as mulheres se pintam e às vezes mudam o visual? Por isso, acho descabido quando alguém reclama das folhas que as árvores soltam. Sinceramente, é muito melhor varrermos de vez em quando as folhas das árvores das calçadas, do que retirarmos sacolas, copos, garrafas e uma gama enorme de lixo que pessoas alienadas deixam sobre elas. 
   Da árvore de plástico à mulher de plástico. Se isso virar uma tendência, prefiro fazer uma regressão e voltar ao tempo das cavernas. 

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Um fato pitoresco com árvore de plástico: Fonte: notícias.terra.com.br

Idoso passa três meses regando árvore de plástico
28 de fevereiro de 2007 • 18h59 • atualizado às 18h59
·         Notícias
ERIKA DAGUANO
DIRETO DE RIBEIRÃO PRETO
São Paulo


Dois idosos de Monte Alto, a 353 km de São Paulo, tiveram uma decepção após plantarem uma árvore em um canteiro da cidade. Depois de três meses, eles descobriram que o suposto vegetal era de plástico. "Achei que ia virar planta", diz o comerciante Domingos Alves, 60 anos.
Junto com o amigo, o também comerciante Alceu Colevate, 70 anos, ele havia achado a árvore abandonada ainda em 2006, e decidiram fazer uma boa ação. Os dois replantaram a planta no canteiro do mercado municipal da cidade.
Passados três meses, a árvore não cresceu, não floresceu, nem murchou. Mesmo assim, ambos continuaram cuidando dela. Somente depois de um vendaval que arrancou muitas "folhas", no fim do ano passado, eles perceberam que se tratava de uma planta artificial.
"Fiquei decepcionado", diz Alceu. "Apavorei. Fiquei chateado", completa Domingos. Por conta do episódio, os dois passaram a ser conhecidos como "ecologistas artificiais" na cidade.
Depois, os amigos resolveram refazer a boa ação e plantaram uma nova planta. Desta vez, juram, é de verdade. "Se quiser, mostro até a semente", afirma Alceu.
http://img.terra.com.br/i/x.gifRedação Terra

26 de setembro de 2012

ASPAN 25 anos. Alguns fatos marcantes

O presidente Jones Dalmagro Pinto fez a abertura dos trabalhos.
Depois, o fundador e primeiro presidente Darci Bergmann
fez uma rápida resenha das ações que antecederam à criação da
entidade. Seguiram-se dicas valiosas sobre a implantação de
áreas verdes.



Ventava e fazia muito frio na manhã do dia 25 de setembro de 2012,
em São Borja/RS. Mas a garra e a determinação de lutar por mais
espaços verdes motivou estudantes, profissionais da educação e
público em geral a prestigiar e conhecer melhor a ASPAN.

No dia 25 de setembro, os 25 anos de fundação da ASPAN
foram comemorados no Espaço Ambiental. Pela manhã,
 230 pessoas participaram e ouviram
uma resenha histórica de como tudo começou, em 1977,
com o projeto Plante Uma Vida, Plante Uma Árvore.





Espaço ambiental. Cenário preparado com materiais reaproveitados.
O local permite acolher aproximadamente 300 pessoas sentadas.
Muitas oficinas e palestras do Projeto SEMEAR são realizadas
neste local.

Por equipe da ASPAN
1


   1) Antecedentes: a) Projeto Plante Uma Vida, Plante Uma Árvore, iniciado pelo ambientalista Darci Bergmann, em 1977, com o plantio voluntário de árvores na área urbana, caso da Rua Gal. Canabarro;  b) No legislativo municipal de São Borja, iniciativas do então vereador Darci Bergmann: Ipê-roxo - árvore-símbolo do Município, lei municipal nº 1022, de 26/09/1980; c) Lei municipal dos agrotóxicos, 1984; d) Lei municipal nº 1568/1988, que declara a espécie Furnarius rufus,  joão-de-barro, ave-símbolo do Município de São Borja; e) Mensagens aos Nativistas – Centro Nativista Boitatá, sob a coordenação do eng. Agrônomo Darci Bergmann. De 1978 a 1988 diversas mensagens e distribuição de milhares de mudas de espécies florestais nativas; f) Palestras em instituições de ensino e outras. g) Preparativos para fundação da ASPAN.

2)   21/09/1987 Fundação da ASPAN, nas dependências da Câmara de Vereadores. Darci Bergmann eleito presidente. Atual presidente: Jones Dalmagro Pinto.

3)   Legislação pela melhoria da arborização urbana. Em 1991, decretos sobre arborização, depois incorporados à Lei Complementar Municipal nº 24/2000.

4)   Luta pela implantação da Reserva Biológica de São Donato ( Maçambará e Itaqui). Em 1997, a ASPAN conseguiu que Tribunal de Justiça obrigasse o Estado do Rio Grande do Sul a implantar em definitivo a Reserva, o que ainda não ocorreu na prática.

5) Diversos projetos de arborização: Circuito dos ipês, com o plantio de centenas de exemplares da árvore-símbolo, inclusive entre os trevos de acesso à cidade de São Borja.

6) Encontros e seminários, como 1º Seminário Ambiental, em 1998, com mais de 400 participantes. Encaminhamento de propostas aos poderes constituídos, envolvendo arborização, saneamento básico, resíduos sólidos (Cartilha sobre lixo), poluição sonora, deriva de agrotóxicos, etc.

7) Atualmente, a ASPAN desenvolve um conjunto de ações denominado Projeto SEMEAR, com palestras e oficinas no Espaço Ambiental, na Rua Engº Manoel Luís Fagundes, nº 1591. Também faz a implantação de espécies florestais nativas numa área próxima às Instalações da FEPAGRO, no Rincão do Itaperaju.

8) Recentemente, por seu associado e fundador Gastão Bertim Ponsi, encaminhou representação junto ao Ministério Público Federal em Santa Maria pela manutenção de uma gleba da UFSM, para fins de educação e pesquisa nas ciências agrárias, e não como assentamento de famílias de ‘sem-terra’ ligadas ao MST. A citada área foi ocupada ilegalmente por integrantes do MST.

9 de fevereiro de 2012

O semeador de árvores



As fotos acima são de fevereiro de 2006, nas margens da BR 285, em São Borja/RS, próximo à divisa com Santo Antônio das Missões. O registro é de arremesso de goiabas na faixa de domínio.  
Na foto superior Darci Roberto Schneid. Na outra foto, Darci Bergmann, em primeiro plano e Glademir Jaques, próximo à sombra do caminhão. 

Imagem: Cartaz e foto de Nena Nobre

   Por Darci Bergmann

   Desde menino, tenho contato com a natureza e, portanto, com as árvores.
   Na minha infância elas forneciam a lenha que aquentava o fogão nas noites frias de inverno e deixava pronta a comida caseira.    Criei-me à sombra delas. Alimentei-me dos seus frutos. Nelas brinquei de ‘tarzan’. Muitas esfoladas e algumas contusões fazem parte do meu currículo.
   Tornei-me um defensor das árvores e cada vez que uma delas era cortada eu parecia ter um sentimento de perda. Um dia constatei que a expansão da agricultura e dos pastos iria sacrificar muitas árvores e florestas inteiras. As estradas, as redes elétricas e o avanço das cidades eram saudados como progresso e as árvores eram empecilhos. Percebi que o furacão civilizatório deixava seu rastro de destruição. Nas paisagens desfiguradas, os bichos silvestres morriam por falta de habitat ou pela caça sem limites.
   Com o passar dos anos, a região das matas virgens da minha infância em terras catarinenses ficou uma colcha de retalhos. Entre os fragmentos florestais remanescentes, as lavouras morro acima sofreram prejuízos com a erosão do solo. Logo eram abandonadas e a vegetação secundária ali se estabelecia. Reparei que em alguns trechos era possível reintroduzir algumas espécies florestais. O vento e os animais ali depositavam sementes e novas árvores então apareciam. Fiz algumas experiências com as sementes de araucárias, imitando as gralhas e muitos pinheiros surgiram..
   Ainda em Mondaí, no Extremo Oeste Catarinense, lá pelos meus 11 anos eu e um grupo de amigos fizemos uma caminhada de reconhecimento numa região de morros. Saímos pela manhã cedo e não levamos nenhum alimento. Muitas horas depois a fome bateu. Para sorte nossa, encontramos goiabeiras com frutas maduras em meio às capoeiras. Desde então sou admirador dessa frutífera nativa. Passei a semear goiabas em vários locais.
   Quando estudei no Ginásio Agrícola Celeste Gobbato*, em Palmeira das Missões, eu tinha por hábito coletar pinhões num bosque próximo. Eles eram assados no fogo das grimpas caídas. Por gratidão, sempre deixava alguns pinhões para serem enterrados nas clareiras daquela mata. Também comia pitangas e arremessava parte das sementes para que germinassem no meio dos chircais.
    Em São Borja foram arremessados centenas de quilos de goiaba nas margens das rodovias. Fiz várias excursões para semeadura de árvores. Às vezes só, às vezes com pessoas que aderiam à causa. Numas dessas excursões reunimos quase 200 pessoas. Arremessamos sementes de várias espécies florestais nativas, às margens da BR 287, até o distrito de Nhu-Porã, num trajeto de 24 Km. Eu sabia que nem todas as sementes germinadas iriam vingar, pois o fogo destruiria a maioria delas.  No entanto, algumas árvores se originaram daquela semeadura e hoje são disseminadoras de novas mudas, através do vento e dos animais.   Para mim o mais importante era a semeadura de idéias nas mentes dessas pessoas. Em qualquer fase da vida, a lição aprendida ali poderia ser posta em prática. Tenho relatos de que muitas daquelas pessoas se tornaram semeadores também.
   De uns tempos para cá percebo que em vários trechos aumentou a quantidade de goiabeiras e outras espécies arbóreas. Essas ações criaram na tradição local uma imagem da minha pessoa, como sendo ligada à preservação das árvores. E conhecido por muitos como o ‘semeador de árvores’. Por coincidência, o editor da Revista Natureza, Aydano Roriz, numa das suas edições, usou a mesma expressão quando se referiu ao projeto Plante Uma Vida, Plante Uma Árvore, premiado por votação dos leitores.
   Talvez centenas de milhares de árvores resultassem dessas ações. Para mim ficou uma grande lição. Se queremos mudar alguma coisa precisamos agir, não esperar pelos outros.


*Ginásio Agrícola Celeste Gobbato, atualmente Escola Estadual Técnica Celeste Gobbato
 (BR158, km 06, saída para Cruz Alta, Palmeira das Missões – RS);
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Mais sobre o tema:





10 de maio de 2011

Arborização urbana e rural: dicas

Por Darci Bergmann


A experiência de vários  anos em arborização permite-me sugerir alguns procedimentos. Essas sugestões atendem à maioria dos casos, como veremos a seguir:

Arborização urbana: sempre é conveniente verificar a legislação do município, principalmente quando se trata de plantio de árvores em vias públicas. Nesse caso, o que mais se deve observar é a rede elétrica e a largura do passeio público. Sob a rede elétrica, a opção é por espécies arbóreas de pequeno porte. Observe as árvores que estão plantadas na cidade. Elas dão idéia da sua adaptação ou não ao ambiente urbano. Isso facilita a escolha das espécies.

Rua de Porto Alegre; Foto: Darci Bergmann



Foto: Darci Bergmann
Tamanho da cova e recuo do cordão da calçada: Como regra geral, recomenda-se que o centro da cova fique pelo menos a 0,60 m de distância do cordão do passeio público. Quanto às dimensões da cova, recomenda-se que sejam de 0,60 m de lado e 0,60 m de profundidade. Covas muito pequenas dificultam o desenvolvimento das  mudas. Geralmente o solo urbano é compactado, outras vezes recoberto com material oriundo de demolições.


Para o plantio de espécies de raízes pivotantes, é recomendável
que se faça um aprofundamento da cova em forma de 'V', como
aparece na imagem acima. Isto permite melhor
penetração da raiz principal.
Imagem: Darci Bergmann




Como melhorar o solo (substrato ) da cova: Há quem recomende a mistura de adubos minerais, mas deve-se ter muito cuidado na dose, porque eles sãos sais e, quando em excesso, podem prejudicar as mudas. Tenho conseguido bons resultados da seguinte forma: quando da abertura da cova, separar as camadas de terra. A metade de cima para um lado e a outra camada para outro lado da cova. No fundo, faço mais um corte em "V", com a largura de um palmo e mais ou menos 0,50 m de fundura. Esse cone invertido facilita o aprofundamento da raiz da muda se esta for do tipo pivotante. 
Misturo, então, a terra da primeira camada com uma porção igual de material orgânico. Este pode ser esterco de curral bem curtido, composto de lixo orgânico ou equivalente. Nessa mistura, pode-se adicionar areia, entre 10% e 20%. Farinha de osso também pode ser adicionada na base de 0,5 Kg até 1 Kg por cova. Ela não provoca 'queima' das raízes, sendo boa fonte de cálcio e de fósforo. O que não se pode dispensar é a matéria orgânica. Ela deixa o substrato mais poroso e disponibiliza nutrientes, facilitando o desenvolvimento das raízes.

Foto: Darci Bergmann

Preenchimento da cova: Agora faz-se o preenchimento da cova. Coloca-se primeiro a camada superior de terra misturada com o material orgânico. Depois se adiciona a terra da camada de baixo também misturada com material orgânico. Faz-se uma inversão da terra que saiu da cova. Agora, antes do plantio, recomendo aplicar bastante água sobre a cova preenchida. Ou então fazer uma compressão com os pés sobre o substrato. Isto faz com que o substrato fique bem assentado.
Plantio da muda: No substrato, faço uma pequena cova para alojar o torrão da muda ou a muda de raiz nua - sem torrão - observando que as raízes fiquem enterradas até pouco acima do colo da planta, ou seja, quase no mesmo nível do solo em torno da cova. Não é a muda que deve ficar lá no 
fundo da cova, mas sim as raízes que chegarão até lá com o crescimento da planta.


Imagem: Darci Bergmann

Cuidados com o sistema radicular das mudas
As mudas devem ser examinadas quanto às raízes. Se estas estiverem enroladas, deve-se proceder o corte da parte em excesso, mas preservando o torrão. Ali estão as raízes secundárias que irão suprir a planta. Raízes tipo pivotante tortas tendem a se tornar  deformadas e lenhosas, o que prejudica a planta com o passar do tempo.

Mudas com raízes fasciculadas, como as das palmeiras
Exemplos:





Foto: Darci Bergmann

Foto: Darci Bergmann



Mudas com raízes pivotantes
Exemplo um:
Raiz tipo pivotante com desvio lateral de 90º
Deve ser cortada
Fotos: Darci Bergmann


Raiz deformada suprimida, muda apta para o plantio


Exemplo dois:





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Veja também: