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28 de agosto de 2013

A caça de animais silvestres fomenta um comércio espúrio

Por Darci Bergmann


   A caça de animais silvestres não se justifica. Ela fomenta um comércio espúrio - o tráfico de animais. Além disso, reduz a biodiversidade, pois a reprodução de várias espécies é prejudicada. 

   Manter um animal em cativeiro é uma das maiores agressões que a espécie humana inflige a um ser vivo

   Uma pessoa pode até se apegar a um bicho mantido preso e lhe dispensar alguns cuidados e prover alimentação. No entanto, esse apego é um egoísmo que pode levar uma espécie à extinção.  Existem casos de aves que formam casais estáveis. Uma vez separados e mantidos em prisão, nunca mais se acasalam. 
   E como ficaria a questão dos jardins zoológicos? Nesse aspecto, eles se diferenciam dos cativeiros comuns. Os jardins zoológicos estão em constante evolução. Muitos deles propiciam e até recriam espaços parecidos com aqueles que os animais habitavam na natureza. Outras vezes, a única forma de manter um animal a salvo da caça criminosa é abrigá-lo num jardim zoológico. Sendo assim, entendo que eles cumprem um papel de preservar e procriar algumas espécies de animais que, de outra forma, poderiam ser extintas.

      A indústria da moda ainda sacrifica animais silvestres

   A utilização de peles, chifres, dentes, penas, barbatanas, entre outros produtos oriundos da caça criminosa, ainda sacrifica muitas espécies de animais. Essa extravagância sanguinária permeia várias classes sociais. Houve tempo em que fantasias de carnaval ostentavam as penas de aves silvestres abatidas nos campos brasileiros. Algumas mulheres ávidas por exibicionismo, ostentavam peles de focas jovens abatidas a pauladas sobre o gelo do Ártico. Cascos de tatus se transformavam em bolsas e sacolas ostentadas por 'requintadas senhoras'. Houve grande reação da opinião pública contra essa indústria sanguinária. Mas ela continua a sustentar os lucros de pessoas sem escrúpulos em todos os quadrantes do mundo.
   No oriente, algumas crendices atribuem poder afrodisíaco às barbatanas de tubarões, chifres e presas de animais. É uma tolice, mas provoca um grande extermínio de animais silvestres. Na África, elefantes e rinocerontes estão com as populações reduzidas devido à caça criminosa que fomenta esse comércio. 
    A lista de práticas de extermínio animal para a indústria de moda e outras mais não pára nisso.  
     
    A carne oriunda de caça pode contaminar quem a consome

      Animais silvestres servem de iguarias alimentares e compõem pratos típicos em muitas regiões. Nesse caso, quem consome tais pratos pode estar se contaminando com metal pesado chumbo. Além do mais, um animal abatido sob forte estresse libera toxinas na carne que depois é consumida. 

    A caça e as tribos indígenas

   Há quem manifeste apoio à campanha contra a caça, mas que defende que ela seja permitida às tribos indígenas. Essa questão é polêmica e precisa ser analisada sob uma nova ótica. Os índios incorporaram no seu modo de vida alguns costumes da civilização e, dentre esses, muitos são prejudiciais ao seu bem-estar e ao meio ambiente. Um deles é a caça com armas de chumbo. Essa prática pode dizimar várias espécies de animais. Ainda prejudica a saúde dos indígenas, que em alguns casos já apresentam doenças antes desconhecidas por eles. Sob o ponto de vista da sustentabilidade, a caça indígena deveria ser no sistema tradicional de cada tribo e apenas para sustento próprio, sem comercialização dos seus produtos.

     O faunicídio chamado 'caça esportiva'

    Os praticantes da carnificina chamada 'caça esportiva' mostram à opinião pública que estão 'preocupados' com as questões ambientais. Financiam campanhas e até montam organizações rotuladas de 'clubes de tiro e caça'. Nos bastidores dessas organizações, quase sempre estão fabricantes e comerciantes que vendem armas, munições e toda a gama de apetrechos ligados ao abate e captura de animais.  Não só isso. Montam ou financiam organizações 'ambientalistas' que alegam ser a caça esportiva uma forma de manejo da fauna silvestre. Essa gente esquece que o caçador provoca outros danos ambientais, além da matança propriamente dita. A poluição sonora dos estampidos estressa os animais e os projéteis espalham chumbo no ambiente. Os caçadores tidos como 'legalizados' são o maior incentivo à caça ilegal. 

    Cada pessoa ainda sensível à causa animal também precisa se posicionar contra a caça indiscriminada. 

     
      
   

24 de julho de 2013

Sumiço de metade da população de borboletas na Europa indica queda de biodiversidade





Relatório indica intensificação da agricultura como um dos principais fatores para a diminuição das borboletas na região. Mudanças climáticas também contribuíram para sumiço de metade da população desses insetos.
Nas últimas duas décadas, a população de borboletas diminuiu 50% nas regiões de pradaria na Europa – principal habitat desses insetos no continente. Essa redução indica uma perda de biodiversidade preocupante na região, segundo o relatório da Agência Europeia do Ambiente, EEA, divulgado nesta terça-feira (23/07).
A pesquisa analisou dados de 1990 a 2011 sobre 17 espécies de borboletas em 19 países europeus. Esse tipo de inseto é um indicador importante para apontar tendências para outros insetos terrestres que, juntos, formam mais de dois terços de todas as espécies do planeta. Por isso, a agência usa as borboletas como base para medir a biodiversidade e a saúde dos ecossistemas na Europa.
"Essa dramática redução de borboletas de pradaria é alarmante – em geral, esses habitats estão diminuindo. Se nós não conseguirmos mantê-los, nós poderemos perder muitas espécies no futuro", ressaltou Hans Bruyninckx, diretor executivo da EEA. Ele chama a atenção para a importância das borboletas e outros insetos na polinização. "O que eles carregam é essencial para os ecossistemas naturais e para a agricultura."
Das espécies analisadas, oito registram declíno, duas permaneceram estáveis e apenas a população de uma cresceu. O relatório não conseguiu observar a tendência das demais seis espécies examinadas.
Desaparecimento de borboletas preocupa Europa
Agricultura e abandono
Os principais fatores para essa queda é intensificação da agricultura em regiões planas e de fácil cultivo, aponta o estudo. A prática deixa a terra estéril e prejudica a biodiversidade. Outros motivos seriam o abandono de terras em áreas montanhosas e úmidas, principalmente nas regiões sul e leste da Europa, devido à baixa produtividade. "Sem qualquer forma de administração nesses locais, a pradaria será gradualmente substituída por mato e floresta", indica o relatório.
Além disso, a intensificação e o abandono também são responsáveis pela fragmentação e o isolamento das regiões remanescentes. Dessa maneira, as chances de sobrevivência das espécies locais e de recolonização em áreas onde elas foram extintas ficam reduzidas.Os pesquisadores apontam o uso de pesticidas como outro vilão – levados pelo vento, eles acabam matando as larvas desses insetos.
"O Indicador Europeu de Borboletas de Pradaria pode ser usado para avaliar o sucesso de políticas agrícolas", afirma a EEA. Segundo o relatório, o financiamento sustentável de indicadores de borboletas pode contribuir para validar e reformar uma série de políticas e ajudar a atingir a meta dos governos europeus de reduzir a perda de biodiversidade até 2020.
Pradarias estão diminuindo na Europa
Os contadores de borboletas
Estima-se que, das 436 espécies de borboletas presentes na Europa, 382 sejam encontradas em regiões de pradaria em pelo menos um país europeu. Desde de 1950, a vegetação sofre alterações devido ao uso do solo e, em alguns países, ela pode ser encontrada apenas em áreas de reserva natural atualmente.
Milhares de profissionais treinados e voluntários contribuíram para a realização do estudo: eles contaram borboletas em aproximadamente 3500 faixas de pradarias espalhadas pela Europa. Na região, o primeiro trabalho do tipo foi feito pelo Reino Unido, em 1976.
Data: 23/07-2013
Autoria: Clarissa Neher
Edição: Nádia Pontes

8 de julho de 2013

Espécies arbóreas invasoras

A matéria abaixo enfoca a questão do Pinus sp. em Santa Catarina.
Fonte acessada: AGROSOFT

PINUS
Basta percorrer o interior do país para encontrar imensas plantações de espécies exóticas como eucaliptos e pinus. A estimativa é que sejam 6,8 milhões de hectares de norte a sul do Brasil. O problema é que as plantações que geram renda também significam ameaças ao meio ambiente. 
Na região sul, a espécie que mais preocupa é uma variedade do pinus, importada dos Estados Unidos e Canadá há cerca de 50 anos com a promessa de suprir a demanda por madeira. O Momento Ambiental esteve em Florianópolis (SC) para mostrar o que tem sido feito para controlar a proliferação desse tipo de lavoura, condenada por ambientalistas e também por estudiosos. Uma das alternativas defendidas por quem entende do assunto é o melhoramento genético de espécies nativas.


Assista ao vídeo:
Pinus - Momento Ambiental

Fonte: Momento Ambiental
www.jf.jus.br/cjf/comunicacao-social/cpj
us/tv/momento-ambiental-1

4 de abril de 2013

O novo papel das Forças Armadas


Queimada na Estação Ecológica do Taim-RS/Brasil
Foto: Lauro Alves, 27 mar. 2013
 Agência RBS/Folhapress

  


Por Darci Bergmann   

   O que eu vou propor não é um estudo de especialista em estratégia de guerras e conflitos convencionais. Refiro-me aqui aos desastres naturais que tem a participação de agentes e condutas bem identificados dentro da espécie humana e da sua civilização predatória. Até agora, os nossos conceitos de segurança, ordem pública e 'defesa da pátria ante inimigos externos', foram as premissas na estruturação de forças policiais e militares. Pessoas e estados precisam de segurança, ninguém discorda. Há que se ampliar esses conceitos, frente às mudanças ambientais de ordem planetária, que já fazem milhões de vítimas. E as perspectivas não parecem animadoras. 
   As estruturas até agora implementadas para a segurança da população civil, não atendem à demanda da nova realidade. Já convivemos com episódios piores do que os de uma guerra convencional. É preciso que a segurança da sociedade seja vista de forma mais abrangente. Em outras palavras: as Forças Armadas deverão se envolver nas questões relacionadas aos desastres naturais e à preservação ambiental. E com tanto empenho como se fossem se envolver em qualquer outro tipo de guerra ou conflito.
   Pode-se argumentar que as Forças Armadas já participam de alguma forma   em eventos extremos. Mas são ações tímidas, paliativas, quando as tragédias já ocorreram. As Forças Armadas sempre se mantém prontas para uma possível guerra contra algum inimigo imaginário. No caso brasileiro, quais seriam nossos potenciais inimigos? Seriam alguns países limítrofes eventualmente governados por tiranos agressores? Pelo tamanho do nosso território, nenhum deles teria condição para uma ocupação efetiva. No entanto, o Brasil está sendo vítima de outra guerra, mais devastadora, dentro das suas próprias fronteiras.  A acelerada destruição ambiental e a ocupação irresponsável de áreas de risco já fizeram dezenas de milhares de vítimas nas últimas décadas e exigem cada vez mais recursos públicos. Ninguém se engane. A desordem climática pode resultar em desordem social.
  Enquanto temos pessoas saudáveis e lúcidas sempre prontas para combater um inimigo virtual nos quartéis, o nosso ambiente ao redor tem outros conflitos reais. Um caso emblemático é o que aconteceu recentemente com a Estação Ecológica do Taim, vítima de uma queimada que atingiu milhares de hectares. Parece nada a ver com as forças armadas. Parece! No fundo é a tremenda inversão de valores e a rendição do estado e da sociedade ante o colapso ambiental. Enquanto tres aeronaves e alguns bombeiros tentavam apagar as chamas, numa batalha desigual, a poucos quilômetros dali os quartéis mantinham as suas tropas bem treinadas para uma hipotética guerra contra um suposto inimigo externo.
   Agora, discute-se a ‘modernização’ das aeronaves de guerra com gastos bilionários, ao mesmo tempo em que não temos estrutura para combatermos um incêndio como o que atingiu o Taim e tantos outros nas Unidades de Conservação espalhadas pelo País. As queimadas não apenas destroem a biodiversidade, empobrecendo biomas e países. Lançam também toneladas de gases causadores do efeito estufa, como o CO². As fuligens atingem as cidades e agravam ou provocam doenças respiratórias. A intervenção das Forças Armadas em casos como o do Taim, é questão de segurança nacional. Alguns soldados e mais aeronaves próprias de combate às chamas teriam reduzido o tempo de duração do incêndio. Argumentarão alguns que isso é tarefa dos Bombeiros. Será que precisamos manter eternamente soldados e equipamentos caros e ociosos, à espera de uma guerra contra um inimigo imaginário, enquanto ao nosso redor outra guerra acontece?
   Por oportuno, proponho aqui que as Forças Armadas do Brasil criem setores bem treinados e equipados para os novos tempos que virão com as mudanças climáticas. E que, além de preservarem a integridade das nossas fronteiras, ajudem a proteger de forma objetiva a biodiversidade e um estado de segurança ambiental,onde natureza e pessoas possam conviver de forma mais harmoniosa.

1 de abril de 2013

Florestas artificiais ameaçam biodiversidade do Pampa






Em estados como Mato Grosso e Pará, a Floresta Amazônica está sendo transformada em pasto. No Rio Grande do Sul ocorre o problema inverso: a vegetação campestre dos pampas - que há séculos convive em harmonia com a pecuária - está sendo dizimada para dar lugar a florestas plantadas pelo homem.



O impacto visual da destruição pode ser maior na Amazônia, mas se engana quem pensa que a perda biológica no Bioma Pampa é menor. Segundo levantamento coordenado pela professora Ilsi Iob Boldrini, daUniversidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), os campos sulinos concentram uma diversidade vegetal três vezes maior que a da floresta, quando se leva em conta a proporção da área ocupada por cada bioma.

Os dados foram apresentados no segundo evento do Ciclo de Conferências 2013 do Biota Educação, organizado pelo Programa Biota-Fapesp, que teve como tema o Pampa.

Com 176 mil km², o bioma era considerado parte da Mata Atlântica até 2004. Originalmente, ocupava 63% do território gaúcho. Hoje, apenas 36% dessa área ainda está coberta pela vegetação original.

"A paisagem campestre pode parecer homogênea e pobre para quem não conhece, mas nesse pequeno remanescente do bioma mapeamos 2.169 táxons -- a maioria espécies diferentes, pertencentes a 502 gêneros e 89 famílias. Desses, 990 táxons são exclusivos do Pampa. É um número muito grande para uma área tão pequena. No Cerrado, por exemplo, são 7 mil espécies em 3 milhões de km²", afirmou Boldrini.

Segundo a pesquisadora, aproximadamente 1 milhão de hectares -- ou 25% do Bioma Pampa -- foi ocupado nos últimos cinco anos por florestas de eucalipto e de pinus, que visam a abastecer a indústria de papel e celulose.

Poucas plantas nativas sobrevivem debaixo das árvores, pois há pouca luz disponível e as espécies de campo aberto precisam de muito sol. "Quando as árvores forem cortadas, restarão apenas os tocos e um solo descoberto -- ambiente propício para espécies invasoras como o capim-annoni ou a grama-paulista, que são muito fibrosas e não servem para pasto", disse.

Mas, segundo Boldrini, o mais antigo e ainda hoje o principal fator de destruição do Pampa é a agricultura. "As plantações de soja e trigo nas terras mais secas e as plantações de arroz nas áreas úmidas, próximas a rios. O cultivo começou no planalto e está se espalhando para todo o Pampa, embora a vocação da região seja para a pecuária", argumentou.

Mesmo a criação de gado para corte, introduzida no Rio Grande do Sul pelos jesuítas ainda no século XVI, tem se tornado uma ameaça por falta de manejo adequado.

"Os produtores usam uma carga animal muito alta. Como consequência, o campo fica baixo e falta pasto no inverno. Eles então aplicam herbicidas para eliminar a vegetação nativa e abrir espaço para plantar espécies hibernais exóticas, como azevém, trevo branco e cornichão", alertou Boldrini.

A prática não só ameaça a biodiversidade local, como contamina o solo e a água e ainda diminui a produtividade dos pecuaristas. O ideal, segundo Boldrini, seria ter uma oferta de forragem de três a quatro vezes maior do que o gado é capaz de consumir. Dessa forma, o animal escolhe as espécies mais adequadas para sua alimentação, desenvolve-se mais rápido e se reproduz de forma mais eficiente.

"A produtividade média do estado hoje é de 70 kg de carne por hectare ao ano. Com o manejo correto, pode passar para 200 kg a 230 kg por hectare ao ano. Além disso, a qualidade da carne também melhora. Basta cuidar para o animal não liquidar com a vegetação", disse.

SOS Pampa

Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Pampa é hoje o segundo bioma mais devastado do país -- atrás apenas da Mata Atlântica. Entre as espécies vegetais endêmicas da região já descritas, 151 estão ameaçadas de extinção.

"Algumas plantas, como a Pavonia secreta, existem apenas em uma pequena região do Pampa. No momento em que aquele lugar for devastado, elas vão se extinguir", disse Boldrini.

O desaparecimento da flora local ameaça não apenas a fauna a ela associada como também os mananciais da região, alertou a pesquisadora.

"As nascentes de todos os afluentes e subafluentes dos grandes rios do estado, como Jacuí, Ibicuí e Uruguai, estão completamente interligadas à vegetação de campo. Se não cuidarmos da periferia dessas nascentes, não adianta plantar pinus depois", afirmou a professora.

Desconhecimento

Ainda durante o evento, Márcio Borges Martins, da UFRGS, afirmou que um dos principais obstáculos à preservação do Pampa é o desconhecimento da biodiversidade local. "Há muitas pesquisas sendo feitas, mas quase nada publicado. Isso dificulta a definição de áreas prioritárias para a conservação", disse.

A falta de informações sobre as espécies de animais da região também foi destacada por Eduardo Eizirik, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), que apresentou a palestraOrigem, evolução e diversidade da fauna de vertebrados do Bioma Pampa.

Organizado pelo Programa Biota-Fapesp, o Ciclo de Conferências 2013 tem o objetivo de contribuir para o aperfeiçoamento do ensino de ciência. A terceira etapa será no dia 18 de abril, quando estará em destaque o "Bioma Pantanal".

Em 16 de maio de 2013, o tema será "Bioma Cerrado". Em 20 de junho, será abordado o "Bioma Caatinga". Em 22 de agosto, será a vez do "Bioma Mata Atlântica". Em 19 de setembro, "Bioma Amazônia". Em 24 de outubro, o tema será "Ambientes Marinhos e Costeiros". Finalizando o ciclo, em 21 de novembro, o tema será "Biodiversidade em Ambientes Antrópicos -- Urbanos e Rurais". 

FONTE

Agência Fapesp
Karina Toledo - Jornalista
Telefone: (11) 3838-4000 
Fax: (11) 3838-4117 
E-mail: agencia@fapesp.br

Links referenciados

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
www.pucrs.br

Universidade Federal do Rio Grande do Sul
www.ufrgs.br

Ministério do Meio Ambiente
www.mma.gov.br

Ciclo de Conferências 2013
www.fapesp.br/biotaeduc

Márcio Borges Martins
lattes.cnpq.br/0479990476812992

Programa Biota-Fapesp
www.fapesp.br/biota

Ilsi Iob Boldrini
attes.cnpq.br/3170421043879122

agencia@fapesp.br
agencia@fapesp.br

Agência Fapesp
www.agencia.fapesp.br

Eduardo Eizirik
lattes.cnpq.br/3626004211018550

Pavonia secreta
www.ufrgs.br/fitoecologia/florars/open_s
p.php?img=6208

Bioma Pampa
pt.wikipedia.org/wiki/Pampa

6 de janeiro de 2013

Biodiversidade em Marte?


Imagens de Marte, feitas pelo robô Curiosity, mostram a
aparente aridez do planeta. 

Por Darci Bergmann
   Sempre tenho ouvido falar que em Marte poderia haver vida. E  um dos objetivos das explorações com os sofisticados veículos em solo marciano é detectar indícios de vida. Nem que seja uma simples bactéria. Não importa o que for encontrado, será um feito e tanto para a ciência e para a humanidade. Já ouvi críticas sobre os gastos de tais expedições. Já tive minhas dúvidas sobre a validade de tais empreendimentos.
  Meu olhar hoje é outro. Primeiro, porque os custos dessas pesquisas e expedições estão bem abaixo daqueles para desenvolver tecnologias e engenhos de guerra, tipo bombas nucleares. Segundo, porque a busca de uma simples forma de vida em Marte, talvez acenda uma luz nas mentes humanas sobre a espetacular biodiversidade aqui na Terra, onde pululam as espécies nas mais variadas formas. Aqui tem o que lá em Marte não tem. É uma lição espetacular que estamos aprendendo ao custo bem aplicado de bilhões de dólares. 
   Numa opinião a um grupo de pessoas, fiz um pequeno artigo sobre o assunto:

Deus fez um jardim na Terra

As imagens que nos foram transmitidas até agora do Planeta Marte, pelo veículo Curiosity, mostram uma situação paradoxal. Não existe Natureza em Marte. Pelo menos na forma em que estamos acostumados com a nossa aqui na Terra. A curiosidade científica mostra ainda que a humanidade anseia por ‘novas descobertas’ em outros planetas. No entanto, nem sequer conhecemos a plenitude do nosso Planeta. O lado positivo dessas aventuras pelo universo é que elas nos repassem algumas tecnologias que possam gerar aplicações que melhorem o bem estar de todos nós.
Muitas pessoas entendem que as imagens da paisagem árida de Marte sirvam de reflexão sobre o nosso papel em preservar o jardim que o Criador do Universo nos legou aqui. Também já fui dotado de ‘curiosidade científica’ em outras fases da minha existência. Hoje, com humildade, reconheço que uma ‘Inteligência Suprema’ moldou o nosso planeta de tal forma que as miríades de espécies vivas pudessem aqui conviver - Deus fez um jardim na Terra.
Em qualquer local do nosso Planeta a vida se manifesta




 

9 de outubro de 2012

Intervenção humana ameaça biodiversidade em Madagascar




Cerca de 85% das espécies que vivem na quarta maior ilha do mundo existem apenas lá. Mas as mudanças climáticas e a atividade humana ameaçam esse ambiente singular.
Madagascar fica localizada a leste do continente africano, no Oceano Índico. Lá, flora e fauna desenvolveram-se em completo isolamento, porque ao longo da formação do planeta a ilha se desprendeu do continente africano. O resultado é uma riqueza biológica muito especial.
De acordo com a organização ambientalista WWF, 85% das espécies existentes na ilha são endêmicas, isto é, existem apenas lá. Entre elas estão os lêmures - das cerca de 100 espécies diferentes existentes na ilha, cerca de 30 estão na lista de espécies amea­çadas. Seu significado religioso para a população nativa é expressivo. Grande parte da população acredita que as pessoas se tornam lêmures depois da morte. Não é por acaso que eles são também chamados de "espírito da floresta".
Além disso, quase todas as espécies de cobras, sapos, camaleões e lagartixas são consideradas endêmicas. O tesouro biológico abriga cerca de 250 espécies de pássaros e 3 mil de borboletas. A variedade da flora também é única: 80% das 12 mil espécies conhecidas de plantas com flores existem apenas em Madagascar, assim como cinco das seis espécies de baobá, também conhecido como árvore pão-de-macaco. Cientistas suspeitam que nas poucas áreas com floresta virgem que ainda existem, haja muitas espécies animais e vegetais que ainda nem foram catalogados.

Lêmures são espírito da floresta

Mais pessoas – menos floresta
Cerca de 20 milhões de pessoas vivem em Madagascar, e o número de habitantes aumenta em cerca de meio milhão por ano. Como a população vive principalmente da agricultura, mais e mais terras são preparadas para o cultivo e a pecuária, na maioria dos casos por meio da queimada de florestas. Além disso, muitas árvores são cortadas para a produção de lenha e combustível.
Isso tem efeitos dramáticos sobre a paisagem. A floresta, que já chegou a cobrir 90% da superfície de Madagascar, hoje ocupa apenas 10% do território, segundo dados da WWF. E a cada ano são derrubados 120 mil hectares de árvores. Se continuar nesse ritmo, em 40 anos Madagascar não terá mais árvores, projeta a organização ambientalista.
Biodiversidade ameaçada
Com a perda das florestas, perde-se cada vez mais o habitat de plantas e animais. "Se elas [as florestas] não forem salvas, perderemos inúmeras espécies que sequer conhecemos“, diz a especialista em Madagascar da WWF, Dorothea August. A espécie de lêmure mirza, descoberta recentemente, é um exemplo dos segredos que as florestas de Madagascar ainda abrigam.
"Se a destruição não for impedida, os dias de muitas espécies de animais e plantas estarão contados“, diz August. O crescente desflorestamento em Madagascar leva a uma gigantesca erosão. As consequências são deslizamento de terras, inundações, por um lado, e escassez de água devido ao ressecamento do solo. Essas transformações são favorecidas pelas mudanças climáticas globais.
Apesar de tudo, algumas espécies de plantas podem se adaptar. O baobá, por exemplo, pode armazenar até 500 litros de água em seu tronco e com isso sobreviver aos períodos de seca, que são cada vez mais frequentes.

Baobá consegue acumular até 500 litros de água e, com isso, sobrevive
melhor ao clima árido
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Fonte: Deutsche Welle
Autor: Po Keung Cheung (ff)
Revisão: Roselaine Wandscheer


8 de fevereiro de 2012

Valor da biodiversidade

MEIO AMBIENTE

O desaparecimento da floresta é também o desaparecimento das espécies. Isso tem consequências devastadoras – inclusive para a economia.

A borboleta Rainha Alexandra, da Nova Guiné, é a maior do planeta
Aqui, a maior borboleta do mundo, a Rainha Alexandra, de 28 centímetros de envergadura, bate suas asas. Mais adiante, pousa uma ave-do-paraíso, que com sua plumagem colorida e exuberante é o pássaro símbolo da Nova Guiné. Na árvore seguinte, você pode encontrar um canguru-de-manto-dourado ou, no chão, um sapo "Pinóquio". A biodiversidade da Nova Guiné é incomparável – mas está ameaçada.

Ave-do-paraíso: não apenas bela
Ainda existem florestas intocadas, por enquanto a ilha ainda é pouco povoada, mas a população de Papua Nova Guiné está crescendo. E com isso cresce também a pressão sobre a mata e sobre os animais. A floresta é desmatada para dar lugar a lavouras e plantações, para o uso da terra e para o corte seletivo de madeiras nobres. Muitas espécies animais da Nova Guiné já estão ameaçadas, por pertencerem exclusivamente a zonas muito restritas. Se o seu habitat desaparece, elas não têm para onde ir e, na pior das hipóteses, morrem.
Mais de 100 espécies por dia
Projetos com as populações indígenas, que separam as áreas de manejo das áreas de proteção permanente, ajudam a estabelecer zonas de retiro. Tais medidas são urgentemente necessárias: dois milhões de espécies da fauna e da flora estão atualmente catalogados pela ciência. Segundo estimativas da ONU, cerca de 130 espécies desaparecem por dia no mundo.
"Isso corresponde a um ritmo cem a mil vezes mais rápido do que o processo evolutivo natural", diz Andrea Cederquist, especialista em biodiversidade da organização ambiental Greenpeace. A variedade genética da vida sobre a Terra está diminuindo. Quantas espécies desaparecem por dia na Nova Guiné, ninguém sabe dizer. E ninguém sabe também quais serão as consequências. "O aquecimento global e a perda da biodiversidade estão conectados, e isso leva a uma reação em cadeia que não podemos avaliar", diz Cederquist.

E se elas desaparecessem?
A ciência é unânime: as repercussões do aquecimento global e da perda da biodiversidade são absolutamente imprevisíveis. Não é apenas uma questão de saber se nas montanhas da Nova Guiné há uma espécie a menos de ave-do-paraíso, mas quais são as relações vitais entre os organismos – e em que velocidade o sistema todo pode entrar em colapso pela falta de um elemento essencial ao ciclo da vida.
O pesquisador de formigas Bert Hölldobler fez uma experiência: se devido a uma epidemia as formigas morressem, haveria uma catástrofe ambiental devastadora. A maioria das florestas iria morrer. Primeiro as plantas, depois os herbívoros. A perda da biodiversidade aceleraria de forma vertiginosa, levando a um colapso de todo o ecossistema terrestre.
Com os recifes o cenário é semelhante. Se os corais morrerem por causa do aumento da temperatura da água, todo o ecossistema entra em colapso rapidamente. "Disso todo mundo sabe, mas não se toma nenhuma atitude", diz a especialista Cederquist.
Custos gigantescos

Proteção e uso da floresta para os nativos
Talvez haja um aumento de esforços para proteger a biodiversidade quando as perdas econômicas causadas pela degradação ambiental passarem a chamar mais atenção. O montante atual já é de 2 a 4,5 bilhões de dólares por ano, como comprovou o estudo "A economia dos ecossistemas e da biodiversidade" em julho de 2010. O estudo foi feito em parceria entre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e a consultora PricewaterhouseCoopers.
Comprovou-se, por exemplo, o desempenho econômico dos insetos: só com a polinização das plantas, eles têm uma contribuição de até 190 bilhões de dólares por ano na produção agrícola.
Autor: Oliver Samson (ff)
Revisão: Roselaine Wandscheer
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Mais sobre o tema:
   Afinal a biodiversidade sobe ao primeiro plano É muito importante e bem-vinda para o Brasil a notícia de que o professor Bráulio de Souza Dias, secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, está ascendendo ao cargo de secretário executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica, a convite do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. O comentário é do jornalista Washington Novaes em artigo no jornal O Estado de S.Paulo, 03-02-2012.
Eis o artigo.

   Competente e experimentado na área - onde atua há muito tempo -, Bráulio concorreu com outros 66 indicados para o cargo. Sua principal tarefa - dificílima - será levar à prática o protocolo assinado em Nagoya em 2010 que pede a ampliação, para 17% da superfície planetária, das áreas de conservação da biodiversidade em terra e para 10% das de ecossistemas marinhos e costeiros, incluídos os mangues. O protocolo, ao qual já aderiram 70 países, precisa ser ratificado por pelo menos 50 - mas somente seis já o fizeram.

   Entre as metas para o período que vai até 2020 está a de chegar a um acordo entre países - e em cada um deles, entre empresas, cientistas e povos tradicionais que detêm o conhecimento - sobre repartição de benefícios em produtos derivados da biodiversidade. E também tornar prioritário o tema da biodiversidade, que o próprio secretário executivo reconhece que ainda não é relevante para as sociedades, principalmente em meio a uma crise econômica (Valor, 23/1). Talvez por isso mesmo, especialistas calculam entre US$ 2 bilhões e US$ 4 bilhões as perdas anuais nessa área. A perda líquida de florestas no mundo, por exemplo, chegou à média de 145 mil quilômetros quadrados anuais entre 1990 e 2005 (30/11, 2011), segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Ainda assim, no último ano as florestas correspondiam a 30% da superfície terrestre.

   Mas, diz ainda a FAO, em 25% da superfície do planeta a desertificação é total, por causa de erosão do solo, degradação da água e perda da biodiversidade; em 8% a degradação é moderada; em 36%, "leve". Como, nesse quadro, conseguir aumentar a produção de alimentos em 70% até 2050, para atender pelo menos mais 2 bilhões de pessoas e eliminar a fome de pelo menos 1 bilhão - sem falar que o investimento necessário para isso terá de ser de US$ 100 bilhões anuais? Nesse quadro, lembra o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) que já estamos consumindo recursos naturais 30% além da capacidade de reposição do planeta.

   É uma riqueza enorme desperdiçada. Edward Wilson, um dos maiores especialistas na área, lembra que, embora saibamos muito pouco, já estão identificadas 280 mil espécies de plantas (que podem chegar a 320 mil), 16 mil de nematoides (que podem ser 15 milhões), 900 mil de insetos (talvez 5 milhões). Podemos ter de 5 milhões a 10 milhões de espécies. Em uma tonelada de terra fértil podem estar 4 mil de bactérias. O comércio mundial de produtos naturais já está perto de US$ 4 trilhões anuais (talvez um quarto do comércio total), o de medicamentos derivados de plantas, em US$ 250 bilhões/ano. Robert Costanza e outros economistas da Universidade da Califórnia calcularam em US$ 180 trilhões anuais (o triplo do PIB mundial) o valor dos serviços que a natureza presta gratuitamente - fertilidade do solo, regulação do fluxo hídrico, regulação do clima -, se estes tivessem de ser substituídos por ações humanas.

    Por aqui mesmo a questão é grave, com a perda de florestas na Amazônia ainda acima de 7 mil quilômetros quadrados anuais, o Cerrado já sem vegetação em 50% da área (85 mil km2 perdidos em sete anos) - no país que tem entre 15% e 20% da biodiversidade planetária. Uma esperança está no fato de que o governo federal recolhe em consulta pública sugestões da sociedade (academia, governos, populações tradicionais, segmentos sociais) para um plano estratégico destinado a implementar até 2020 as recomendações da convenção. E também estuda como avançar na complicada questão da repartição dos frutos da exploração da biodiversidade. Pensa-se até em criar uma taxa de 3% sobre o faturamento público - as empresas não concordam (O Globo, 22/1).

   É preciso correr. Como lembra Bráulio, a cada ano estamos descrevendo em média mil espécies novas no Brasil, que se somam às 41.121 espécies vegetais já conhecidas, 9.100 marinhas, 2.600 de peixes, dezenas de milhares de animais: "Estamos sentados em um baú de ouro e não sabemos o que fazer com ele" (Estado, 2/9/2010). Mas em Nagoya se calculou que serão necessários US$ 300 bilhões anuais (cem vezes mais do que hoje) em financiamentos dos países industrializados aos demais para cuidarem da biodiversidade. Porque em cem anos 75% da biodiversidade de plantas alimentares já se perdeu - 22% das espécies de batata, feijão, arroz ainda podem ser perdidas. Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, chega a propor que o capital natural seja incluído nos cálculos do produto interno bruto (PIB) de cada país.

   A posição brasileira será única se isso acontecer. Como já tem sido lembrado aqui, além da maior biodiversidade, temos 13% da água superficial do mundo, território continental, possibilidade de matriz energética "limpa" e renovável. O Brasil pode ser uma "potência ambiental", diz Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento no Ministério da Ciência e Tecnologia - chamando a atenção para as questões graves na Amazônia e no Cerrado. Às quais é preciso acrescentar as que sobrevirão se o novo Código Florestal aceitar muitas das propostas que estão na mesa; se o governo não prestar atenção à proposta do professor Aziz Ab'Saber de criar, em lugar dele, um Código da Biodiversidade específico para cada bioma, cada região; se continuar esquecida a proposta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) de desmatamento zero na Amazônia e forte investimento, ali, na formação de cientistas para trabalharem com a biodiversidade.

   Caminhos há, certamente. E a ascensão de um brasileiro à secretaria executiva da Convenção sobre Diversidade Biológica pode dar forte impulso a eles.




26 de abril de 2011

Ministra do Meio Ambiente defende os ambientalistas às vésperas da votação do novo Código Florestal

Mundo sustentável

Publicada em 25/04/2011 às 19h49m

Isabela Martin

A ministra do Meio Ambinete, Izabella Teixeira/Fotode Givaldo Barbosa
FORTALEZA - Em plena negociaçao com o Congresso Nacional para votação do novo Código Florestal, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, saiu em defesa dos ambientalistas nesta segunda-feira. Disse que não é "tolice" a defesa de um mundo mais sustentável e que é "isolando" os radicais que o governo está chegando ao consenso em torno desse debate.
- Nao é tola a colocação de ninguém que queira construir um mundo mais sustentavel, que queira construir um mundo de convergència, de inclusão de todos. Isso nao é tolice, isso é sabedoria, Isso é dedicação. Isso é vontade de construir e realizar. O preconceito em relação a questão ambiental deve ser colocado de lado. Ninguem é fundamentalista quando se discute a vida. Cuidado com isso. A politica ambiental é uma politica que trata da qualidade de vida. É isso que ela quer dizer. De todos.a espécie humana pode ir embora e o planeta permanence. A discussão é de outra natureza. É o momento de construir convergência, propiciar diálogo de construir realmente soluções, de isolar os que são mais radicais. Quando você isola os mais radicais, você consegue construir a convergencia. E isso está acontecendo hoje no debate no goveno federal sobre o Código Florestal - disse a ministra ao falar na abertura da Semana Nacional da Caatinga, na Assembléia Legislativa do Ceará.
O texto aprovado em comissão especial no ano passado é defendido pela bancada ruralista, mas não tem apoio de deputados ambientalistas. As propostas de mudanças na legislação ambiental brasileira têm pontos polêmicos, como a redução das áreas de reserva legal em propriedades rurais, que diferem dependendo da região do país.
Sobre o código florestal, a ministra disse que o governo tem uma proposta convergente entre os Ministérios do Meio Ambiente, Agricultura e Desenvolvimento Agrátio, além de ter ouvido órgãos estaduais, igreja e até agricultores familiares. E que a única preocupação do governo é ter uma lei que resolva o passivo do código florestal, mas que olhe para o futuro.
O Brasil tem dois pré-sais: o do petróleo e o da Biodiversidade. Saibam disso
Em defesa de uma agenda pelo desenvolvimento sustentável, a minstra disse que o Brasil tem dois pré-sais - o do petroleo e o da biodiversidade. E precisa dar respostas para os quatro principais problemas que estão na pauta de todos os países nesse século: as mudanças climáticas, a segurança energética, a segurança alimentar e a conservação da biodiversidade.
- Eu terei que conservar a biodiversidade porque a biodiversidade não é so bichinhos e plantinhas como as pessoas às vezes se refereem. É uma riqueza. O Brasil tem dois pré-sais: o do petróleo e o da Biodiversidade. Saibam disso. O País mais rico em biodiversidade do planeta será responsável por dar respostas sólidas de preservação e conservação da vida no planeta, disse citando como exemplo disso a matriz energética do Brasil que chamou de limpa.
De acordo com a ministra, é "equivocada" a idéia que opõe ambientalistas ao desenvolvimento. Segundo ela, em nenhum momento a agenda ambiental é formulada para impedir o desenvolvimento, mas para apoiar ações que se mostram sustentáveis do ponto de vista ambiental, ecológico e social dos chamados ativos ambientais.
- Esse debate, quando se fala que ambientalista é contra o desenvolvimentista, é um debate que interessa a poucos. Não interessa à maioria, disse.
Izabella Teixeira afirmou ainda que é possíoel convergir essas duas agendas e que o desenvolvimento que é feito fora disso revela-se perverso em todos os sentidos, "da Amazônia ao Pantanal".
- O que nos deparamos muitas vezes é com árvores sendo abatidas e sendo vendidas por cino reais, por dez reais, e que o madereiro vende no Sul por R$1.000, R$1.200,00. Isso é a realidade do País
Ou pessoas que suprimem a vegetação da caatinga para ter um retorno energetico pífio frente ao que poderia estar sendo discutido e perdendo a riqueza da sua propriedades. E depois vão abandonando e migrando a áreas mais remotas e chegando a essa situação. É o mais pobre que fica mais penalizado com essa situação.
Segundo a ministra, um dos desafios de sua Pasta é contribuir para a redução das desigualdes sociais através da conservação do meio ambiente.

Fonte: O GLOBO