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14 de junho de 2010

POLUIÇÃO SONORA DAS CORNETAS PLÁSTICAS

Por Darci Bergmann


Vuvuzela, a corneta plástica usada em estádios de futebol e outros eventos, irrita muitas pessoas. Mesmo torcedores aficionados tem restrições a esse instrumento. A perturbação ao sossego público em si já é perda de qualidade de vida. Mas os danos causados pelo instrumento vão além, conforme estudos recentemente divulgados. Primeiro pela poluição sonora em que algumas versões dessa geringonça podem atingir até 125 decibéis. Segundo porque pode prejudicar os pulmões, de acordo com o artigo Alemães pedem proibição da vuvuzela, publicado no site da Deutsche Welle. Num trecho do artigo consta: "Instrumento pode afetar audição e transmitir doenças

Médicos alertam sobre perigos do artigo. Segundo especialistas do Hospital Universitário de Münster, a corneta sul-africana pode produzir até 125 decibéis, som mais alto que uma serra elétrica. Por isso, em espaços públicos, os fãs de futebol devem se prevenir. 'Quando alguém próximo tirar a vuvuzela da bolsa, é recomendável lançar mãos de tampões de ouvido', recomenda Hendrik Berssenbrügge, médico-chefe do hospital. Segundo ele, a corneta, quando tocada próxima ao ouvido, pode provocar danos no órgão auditivo.

 Além disso, o instrumento também é uma ameaça aos pulmões, afirma estudo de infectologistas britânicos. De acordo com a edição desta segunda-feira do jornal Ärzte Zeitung, publicação alemã direcionada a médicos, vuvuzelas podem disseminar germes de infecções, como resfriados e gripes, muito mais rapidamente do que tosses ou gritos”.
 
Em cidades aqui no Brasil, as cornetas plásticas barulhentas também são usadas por alguns vendedores ambulantes que não respeitam o direito ao descanso nos domingos e feriados. No meu bairro, muitas pessoas se queixam de vendedores de guloseimas tipo algodão doce, sacolés e outras do gênero que anunciam com barulho. Depois do almoço, uma pequena soneca faz bem. Mas isso quando não se é perturbado pelo ruído estridente das cornetas. A forma de protesto que algumas pessoas encontraram é não adquirir produtos anunciados com barulho.
Quanto aos esportes é bom torcer pelo time de sua preferência. Mas deve haver comedimento com relação ao barulho das cornetas, buzinas e bombas porque todo o excesso pode ser prejudicial. Alguns torcedores, talvez pela ingestão de bebidas alcóolicas, não se impõem limites e perturbam as pessoas que precisam repousar. Esse tipo de comportamento até contradiz a filosofia do esporte que é a de promover o bem estar físico e mental. 
 
 

Saiba mais:
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5683235,00.html

27 de janeiro de 2010

BARULHEIRA


Por Darci Bergmann




De uns tempos para cá, está difícil freqüentar certos eventos. A animação musical já não é mais uma demonstração de arte e se transformou em barulheira, tal a intensidade dos ruídos. Alíás, a própria arte musical perde espaço para o barulho com as geringonças de amplificação sonora brilhando a todo vapor.
Como se não bastasse isso, nos bailes e outros eventos, a conversação entre as pessoas fica quase impossível. E aí mais uma vez as relações humanas sucumbem ante a imponência tecnológica imposta pela indústria do lucro, travestida de modernidade.
Quem se submete por muito tempo à tortura sonora, regada pela ingestão de álcool, talvez nem se de por conta dos malefícios de tal exposição. O dia seguinte já mostra sinais de desgaste auditivo e de outras perturbações. O zumbido característico dos ouvidos é o primeiro alarme. As crianças são ainda mais sensíveis. Os especialistas em audição alertam que os danos são acumulativos e irreversíveis em alguns casos.
Pior em tudo isso, é quando as pessoas que não estão freqüentando os eventos barulhentos são obrigadas a ouvi-los. Umas porque moram próximo e outras porque estão momentaneamente nas imediações por razões de trabalho.
Mas a barulheira não é exclusividade só dos eventos. No dia a dia das cidades a balbúrdia sonora já é corriqueira. São vendedores ambulantes de frutas, picolés e guloseimas anunciados e vendidos sem nenhum controle de higiene. Dia desses, um vendedor ambulante de abacaxi, entrou no meu estabelecimento comercial e pediu para ir ao banheiro. Depois do expediente fisiológico saiu dali sem lavar as mãos e logo em seguida pegou um abacaxi, descascou-o e saiu oferecendo às pessoas na rua uma prova do produto. Picolés, produzidos, não se sabe em que condições, são anunciados por vendedores motorizados. As autoridades sanitárias gostam muito de fiscalizar os estabelecimentos regulares, mas fazem vistas grossas para essa venda ambulante. Os consumidores incautos adquirem tais guloseimas sem saberem dos riscos que correm. Ninguém sabe que tipo de corante foi utilizado, pois alguns podem ter metais pesados altamente tóxicos. A urina dos ratos pode transmitir a leptospirose e os produtos congelados, tais como picolés e sorvetes, conservam o bacilo transmissor da doença.
A zoeira do cotidiano aumenta com a propaganda sonorizada móvel. No meu entender é uma falta de respeito ao consumidor anunciar produtos e serviços dessa forma, quando existem outras opções de publicidade. Primeiro que ninguém guarda preço de produto anunciado na rua. Segundo, todos os consumidores também estão trabalhando de alguma forma. A propaganda sonorizada móvel perturba o trânsito, que perde fluidez e com isso aumenta a poluição do ar.
Há também uma mania de exibicionismo com barulho. Fabricantes e revendedores de equipamentos de sonorização, com astúcia, inculcam nos jovens o consumismo exacerbado. E alguns de personalidade mais fraca, submetem-se à volúpia da ostentação barulhenta, no intuito de chamar atenção de alguém. Nem que para isso tenham que perturbar centenas de outras pessoas. Isso me lembra dos meus tempos de adolescente, quando os fabricantes de cigarro anunciavam os seus produtos com os artistas de cinema. Tudo com o fim de fisgar algum incauto que, uma vez viciado em tabaco, passaria anos contribuindo para o lucro crescente das empresas fabricantes e às custas da saúde do consumidor enganado.
Vivemos uma época plena de avanços tecnológicos. No entanto, é paradoxal que a espécie humana está se sentindo mais insegura. Além disso, o respeito ao semelhante e à sua privacidade parecem retroceder diante da avalanche de grosserias e do mau uso dos produtos da tecnologia. Que se busque o equilíbrio e a volta ao bom senso. O respeito entre as pessoas e dessas com a Natureza talvez seja um novo desafio nesses tempos incertos.