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24 de julho de 2014

Bilhões para a Copa. Saúde e meio ambiente em colapso

Por Darci Bergmann

   Passada a euforia da Copa, a realidade brasileira se mostra dramática. Os bilhões gastos em obras superfaturadas poderiam resolver boa parte dos problemas de saúde e melhorar as condições ambientais de muitas cidades. 
   O pano de fundo de sediar a Copa no Brasil foi a expectativa de que a seleção nacional seria hexacampeã e traria dividendos políticos ao governo. Nada tenho contra o futebol, pois pratiquei esse esporte quando mais jovem. Praticar esportes faz bem à saúde.   O que se discute é a manipulação desse esporte de massas no interesse de magnatas poderosos e de governos que pretendem se perpetuar no poder. Por ironia, na maior parte das cidades, a população já não encontra nem espaços adequados para jogar futebol. Os terrenos 'baldios', onde se localizavam milhares de campinhos de futebol estão em extinção. Eram vistos como áreas de especulação. Os que sobraram são alvos de invasores rotulados como 'trabalhadores sem teto', muitos deles bem vestidos, com celulares de modelos caros. Esses 'trabalhadores' que não trabalham tem todo o tempo de sobra para se articularem e exigirem moradia. Quando são atendidos, logo outros grupos surgem e a ciranda não pára nunca. Transformaram-se num 'movimento social' notoriamente manipulado 
   Assim, as cidades vão inchando cada vez mais, por conta da falta de uma política de planejamento familiar. A poucos dias, num depoimento na televisão, uma dessas 'sem-teto' e mãe de cinco filhos, aparentando no máximo trinta anos, revelou estar grávida do sexto filho. Alegava direito à moradia e exigia que as autoridades resolvessem o problema. Logo seus outros filhos estarão reivindicando moradia também. Sem emprego, filhos pequenos e a prole aumentando, o custo social é jogado ao poder público e este exigirá que a conta deverá ser paga por todos nós, com nossos impostos. Ouvi certa vez de uma adolescente grávida o seguinte: 'não me preocupo com o sustento do filho porque agora tem ajuda do governo'. Em outras palavras: 'se eu não puder sustentar o meu filho, a sociedade que assuma'. 
   O inchaço das cidades e a ocupação crescente de novas áreas não é sinal de desenvolvimento. Talvez seja o prenúncio da derrocada ambiental cada vez mais iminente. 
Os novos projetos habitacionais deveriam pelo menos contemplar sistemas de captação de águas pluviais, aquecimento solar e placas fotovoltaicas para reduzir os impactos decorrentes. Mas isto quase não ocorre porque a demanda por novas moradias é sempre maior. Então é preciso reduzir custos e com prejuízo à qualidade das obras. Muitas delas, tão logo sejam ocupadas, apresentam defeitos que exigem reparos e os custos aumentam.
   Não seria então o caso de se implantar uma política séria de planejamento familiar? Hoje, a ciência médica coloca uma infinidade de opções que permitem à mulher bem orientada evitar uma gravidez indesejável. Mas essas opções parecem não estar ao alcance de uma faixa da população. Seria mais barato para o poder público trabalhar mais a questão social, com planejamento familiar à população de baixa renda.
   Se há dinheiro para estádios pomposos, obras temporárias como algumas só para o período da Copa e propagandas oficiais bilionárias nos meios de comunicação, então deve sobrar algo para aplicar em saúde, planejamento familiar e melhorias ambientais. 
   Por falar em gastos com propagandas oficiais, um conhecido meu disse o seguinte. 'Desconfie dos governos que gastam demais com propagandas. Eles são os que menos fazem pela população'.  
A meu ver parece que a Copa de 2014 mostrou isso. O governo federal desperdiçou bilhões de reais, muitos não rotulados como gastos para a Copa. A mobilização de todo o aparato das forças de segurança, com estadias, combustível e outras despesas de custeio teve um custo altíssimo, que não aparece nas contas oficiais. 
E mais um problema de saúde agora se escancara: o dos hospitais filantrópicos, que trabalham no prejuízo, porque o governo federal, esse das propagandas bilionárias, não faz o ressarcimento justo dos serviços por eles prestados.  
Acorda Brasil. Mudar é preciso.
   

29 de maio de 2014

Brasil padrão Fifa


O artista se chama Paulo Ito, do Bairro de Pompéia, em São Paulo-SP


Por Darci Bergmann


Como gostaria que no Brasil fosse tudo no padrão Fifa. Eis que agora padrão Fifa é sinônimo de qualidade
Assim, não teríamos tantas cenas de violência. 
Não veríamos as televisões mostrando as pessoas amontoadas nos hospitais ou esperando meses e anos por uma cirurgia pelo SUS.

Não veríamos o trânsito caótico das cidades e as pessoas espremidas em trens e ônibus como se fosse gado em brete de curral.
Não teríamos tantas moradias em áreas de risco, como encostas de morros e margens de rios, que deveriam estar ocupadas pela vegetação protetora.  
No padrão Fifa, as nossas cidades  seriam mais limpas, com saneamento básico, reciclagem e destinação correta do lixo, mais áreas verdes e mais segurança.
No padrão Fifa, a educação seria uma das prioridades, começando com a remuneração adequada dos profissionais do ensino. Só para lembrar. Tem educadores que, trabalhando uma vida inteira, recebem menos do que alguns jogadores de futebol num único mês.
No padrão Fifa, os governos deveriam fornecer obras e serviços de qualidade. Para isso, toda a eficiência é necessária, eliminando-se o desperdício com propagandas e a utilização do poder para empregar amigos e correligionários. Nenhum turista estrangeiro entende porque um país com tantas mazelas tem um governo com trinta e nove ministérios.
Pelo que se percebe, o padrão Fifa no Brasil é focado apenas no evento Copa do Mundo. Nem as obras de mobilidade urbana e outras melhorias tão alardeadas como ganhos para a sociedade ficarão concluídas. Mas a claque palaciana recheia os noticiários com propaganda enganosa. Claro, com dinheiro dos nossos impostos. 
Padrão Fifa é só para os estádios. Para o povo brasileiro continua tudo padrão fifi. 
Vou torcer pela nossa seleção. Mas depois da Copa, vou torcer para que as coisas mudem neste País.
  



24 de junho de 2013

Os vândalos do erário público


Por Darci Bergmann

  Entre milhares de pessoas em marcha pacífica e ordeira, lá estão eles - os vândalos. Com pedras, paus e fogo, como nos tempos medievais, saqueiam lojas e deixam um rastro de destruição. Os arruaceiros recuam devido à superioridade do armamento usado pelos policiais militares.
  Mas ninguém se engane. A escória de arruaceiros é fruto de autoridades e políticos corruptos. Assim como os arruaceiros se dissimulam entre a massa pacífica que protesta nas ruas, os corruptos se dissimulam nas entranhas do estado e ali saqueiam os cofres públicos, depositários dos impostos de todos nós - são os vândalos do erário público. Esse tipo de vândalo pode habitar qualquer poder de um estado, mesmo nas democracias mais evoluídas.
  Os vândalos do erário público causam danos irreparáveis à sociedade. São capazes de criar leis que acobertam os seus privilégios. Gastam em futilidades, obras faraônicas e serviços superfaturados, em prejuízo à educação, ao transporte público e à saúde. São mestres na arte de iludir as massas com espetáculos de impacto. Criam cargos para beneficiar os seus comparsas. São íntimos de grupos que se organizam para receber benesses do estado. Sob o pretexto de inclusão social, sustentam vagabundos que lhes retribuem com votos para cargos eletivos. Isentam de impostos empresas e organizações que não trazem melhorias sociais, enquanto outras são penalizadas com tributos escorchantes. Partilham áreas de conservação ambiental e terras públicas que deveriam sediar instituições de ensino e pesquisa. Bombardeiam a opinião pública com frases de efeito e gastam em publicidade como se os serviços do estado fossem produtos de uma empresa qualquer.
   Os vândalos do erário público defendem-se com argumentos de terem chegado ao poder pela voz de eleitores livres.  Mas não é livre o eleitor que vota em alguém porque lhe paga a conta de luz ou de água, que lhe promete o emprego, ou que o mantenha dependente de bolsa disso ou daquilo. Quem vende seu voto é escravo e sustenta a corja de políticos  corruptos que fazem leis, governam cidades, estados e países.    Chegará um dia em que o povo não se deixará mais iludir por demagogos maquiados. Quando isso acontecer, os vândalos do erário público perderão os seus privilégios e a sua arrogância. Um estado livre dos aproveitares poderá aplicar de forma justa cada centavo dos nossos impostos. 
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Junho de 2013: Em todo o Brasil milhões de pessoas saem às ruas para protestar contra a corrupção e a precariedade dos serviços públicos. 
Imagens sugestivas nas redes sociais
















































16 de junho de 2012

A utopia dos ambientalistas

Por Darci Bergmann

   O desejo dos ambientalistas é um mundo melhor e de mais felicidade. Thomas Morus também imaginou uma ilha do Planeta Terra onde os seres humanos encontrariam felicidade plena. Em Utopia não havia criminosos, luxúria e as relações humanas estavam baseadas no conceito da honestidade e do amor ao próximo.Não circulava moeda e cada um tinha o necessário para sobreviver. Do imaginário para o real, o nosso cotidiano é bem diferente. Veja-se a questão ambiental. Os ambientalistas, na sua maioria, não querem a valoração econômica dos recursos naturais. Em outras palavras, a mercantilização da Natureza. Em tese seria bom que assim fosse, mas na prática as coisas não são assim. Exemplo disso é a água potável. Ela é considerada um bem público e seu uso depende de outorga do Estado. Assim, não se pode comprar ou vender água, apenas se adquire o direito de usá-la. Baseados em conceitos assim, parcela considerável dos ambientalistas é contra o pagamento por serviços ambientais. Então seria o caso de o Estado fornecer o serviço de abastecimento de água potável de graça para a população. Mas isto não ocorre. O serviço de colocá-la à disposição tem custos e estes devem ser pagos por quem os utiliza. 
   No mundo real, produtos, serviços, bens de qualquer espécie são valorados e passíveis de serem vendidos ou adquiridos mediante trocas ou pela cotação de moeda. Isto entre pessoas e entre corporações e países. 
   Agora, na Cúpula dos Povos, evento paralelo à Conferência da ONU, denominada Rio+20, os líderes das organizações sócioambientais novamente se opuseram aos conceitos da economia verde e contra o pagamento pelos serviços ambientais. Na minha opinião, o conceito de economia verde é apenas um chavão que nada muda em termos de desenvolvimento sustentável. Já com relação aos serviços ambientais, chego à conclusão de que eles devem ser pagos. Caso contrário, a maioria das pessoas não dará maior importância à questão ambiental. Alguém já imaginou como ficariam nossos mananciais se os serviços de abastecimento de água fossem de graça, como na Utopia de Thomas Morus? Ou alguém imagina que a civilização preservaria as florestas só pelo amor à Natureza?  Com uma população mundial crescente, estimulada ao consumismo predatório, é preciso que a sociedade entenda que os bens naturais e os serviços para conservá-los tem custos. A Economia e a Ecologia aqui se encontram. A lei da oferta e da procura se conecta com a necessidade de conservar os bens naturais para que estes propiciem um desenvolvimento sustentável. Isto significa que todos os humanos tenham direito de usufruir dos bens naturais. No entanto, se o número de consumidores aumentar além da capacidade de suporte do sistema natural, este entrará em colapso. Não há mágica. 
   Volto à chamada Cúpula dos Povos, paralela à Rio+20. Não pude me deslocar para o evento. No mundo utópico, talvez eu pudesse ir. Não precisaria pagar as despesas de viagem, hospedagem, alimentação, nada teria custo. Todos os serviços de que eu necessitasse me seriam colocados à disposição pela simples razão de não haver moeda e todos trabalharem movidos por uma causa humanitária.
Mesmo assim, poderia ocorrer um colapso no evento Rio+20. Os mais de sete bilhões de habitantes, no mundo utópico, teriam o mesmo direito de se deslocarem sem custos, varando oceanos e continentes. Onde se hospedaria tanta gente? Que impactos isso traria ao Planeta? Quem arrumaria a Casa depois? Como eu sou ambientalista do mundo real, não fui à Rio+20, por economia e escala de prioridades. Participei do Fórum Global, evento paralelo à Rio 92. Conheci muita gente e vi dos seus anseios por um mundo melhor. E vi depois frustrados os resultados daquela Conferência. Agora, estou num projeto de arborização com mil exemplares de espécies florestais nativas, no meu pequeno sítio.  Não espero retorno financeiro disso. Desloco parte dos meus parcos ganhos para esse fim, deixando de adquirir algum bem supérfluo.  Divido as tarefas de plantio com um ajudante eventual, pagando-lhe por esses serviços ambientais.  Afinal, ele precisa se alimentar, se vestir e conservar a sua viatura pessoal - uma bicicleta. Com a estiagem,  a água ficou escassa. Providenciei na abertura de 'poços de balde', tudo pago em moeda corrente.  Os serviços ambientais de uma fração de quase dois hectares de área que deixei em recuperação espontânea retêm um pouco de umidade.Talvez os ambientalistas que são contra o pagamento por serviços ambientais consigam o milagre de fazer tais tarefas ou mandar fazê-las sem nenhum custo, apenas porque são movidos pelo amor à humanidade e à Natureza. E talvez ainda consigam transporte, alimentação, energia, celulares, computadores e serviços de internet, tudo de graça. 
   Desde que se criou a concepção de Estado, o ser humano passou a sustentá-lo, pagando-lhe por seus serviços e até quando não os faz e dilapida recursos públicos. Qualquer serviço tem um custo e dá direito à remuneração justa pela sua execução. Se até os serviços das prostitutas são reconhecidos em lei e podem ser cobrados, porque um pequeno proprietário que preserva e zela pela conservação dos recursos naturais não poderia ser remunerado, até como incentivo?  No mundo real dessa civilização aloprada, a escala de valores é outra. Uma Copa do Mundo consome somas bilionárias, tudo subvencionado com dinheiro público. Em tal cenário, a conservação dos recursos naturais fica difícil e ocorre até o desmonte de serviços como   fiscalização,  monitoramento, a prevenção às queimadas e outros mais.
    Seria bom viver no cenário da Utopia. Assim, nem o ambientalismo seria necessário. 

14 de junho de 2010

POLUIÇÃO SONORA DAS CORNETAS PLÁSTICAS

Por Darci Bergmann


Vuvuzela, a corneta plástica usada em estádios de futebol e outros eventos, irrita muitas pessoas. Mesmo torcedores aficionados tem restrições a esse instrumento. A perturbação ao sossego público em si já é perda de qualidade de vida. Mas os danos causados pelo instrumento vão além, conforme estudos recentemente divulgados. Primeiro pela poluição sonora em que algumas versões dessa geringonça podem atingir até 125 decibéis. Segundo porque pode prejudicar os pulmões, de acordo com o artigo Alemães pedem proibição da vuvuzela, publicado no site da Deutsche Welle. Num trecho do artigo consta: "Instrumento pode afetar audição e transmitir doenças

Médicos alertam sobre perigos do artigo. Segundo especialistas do Hospital Universitário de Münster, a corneta sul-africana pode produzir até 125 decibéis, som mais alto que uma serra elétrica. Por isso, em espaços públicos, os fãs de futebol devem se prevenir. 'Quando alguém próximo tirar a vuvuzela da bolsa, é recomendável lançar mãos de tampões de ouvido', recomenda Hendrik Berssenbrügge, médico-chefe do hospital. Segundo ele, a corneta, quando tocada próxima ao ouvido, pode provocar danos no órgão auditivo.

 Além disso, o instrumento também é uma ameaça aos pulmões, afirma estudo de infectologistas britânicos. De acordo com a edição desta segunda-feira do jornal Ärzte Zeitung, publicação alemã direcionada a médicos, vuvuzelas podem disseminar germes de infecções, como resfriados e gripes, muito mais rapidamente do que tosses ou gritos”.
 
Em cidades aqui no Brasil, as cornetas plásticas barulhentas também são usadas por alguns vendedores ambulantes que não respeitam o direito ao descanso nos domingos e feriados. No meu bairro, muitas pessoas se queixam de vendedores de guloseimas tipo algodão doce, sacolés e outras do gênero que anunciam com barulho. Depois do almoço, uma pequena soneca faz bem. Mas isso quando não se é perturbado pelo ruído estridente das cornetas. A forma de protesto que algumas pessoas encontraram é não adquirir produtos anunciados com barulho.
Quanto aos esportes é bom torcer pelo time de sua preferência. Mas deve haver comedimento com relação ao barulho das cornetas, buzinas e bombas porque todo o excesso pode ser prejudicial. Alguns torcedores, talvez pela ingestão de bebidas alcóolicas, não se impõem limites e perturbam as pessoas que precisam repousar. Esse tipo de comportamento até contradiz a filosofia do esporte que é a de promover o bem estar físico e mental. 
 
 

Saiba mais:
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5683235,00.html